Universidade do Futebol

Geraldo Campestrini

04/05/2011

Ambiente de trabalho

O leitor do Portal Universidade do Futebol, Anderson Mateus Viriato, me encaminha e-mail sugerindo redigir texto sobre a gestão dos centros de treinamento do futebol brasileiro, bem como demais infraestruturas e centros de excelência existentes no país. Acatando e agradecendo o contato, vamos procurar traçar um panorama daquilo que se pensa sobre o aspecto “ambiente de trabalho” para clubes de futebol.

O Anderson mesmo refere no e-mail que, antigamente, os clubes desenvolviam suas atividades de treinamento nos respectivos estádios e sedes sociais, mas que, com a evolução dos processos de gestão, as entidades passaram a efetuar investimentos abrangendo o desenvolvimento e a qualificação da sua infraestrutura.

A evolução nos últimos anos é de fato evidente, dando melhores condições de trabalho para atletas e comissão técnica nos grandes clubes do futebol brasileiro.

Em 15 de setembro de 2010 escrevi nesta coluna sobre criatividade e a relação com o Cirque Du Soleil, referido no livro de Bacon (2006) – e de como o ambiente de trabalho interfere no processo criativo. Se tratamos atletas como artistas, nada mais natural do que oportunizar espaços adequados de trabalho para que os mesmos possam maximizar esse senso e aplicá-lo posteriormente dentro de campo.

Brunoro e Afif, em 1997, já comentavam sobre a premissa básica de os clubes possuírem centros de treinamento próprios com a finalidade de qualificar as condições de treino e suporte ao atleta.

Como esse conceito parece estar bem sedimentado, salvo algumas exceções em grandes clubes e, em várias exceções em médios e pequenos (que justificam a falta de recursos para não tê-lo), os centros de treinamento precisam evoluir agora sobre outras plataformas.

Visitei alguns pelo Brasil e, em um primeiro momento, sempre procuro observar a sua funcionalidade. As questões que vem à mente passam por perceber a real integração entre as várias áreas e departamentos do clube, o ambiente e a existência de áreas de lazer (especialmente se nele está alocado o departamento de futebol de formação de atletas), as facilidades de deslocamento entre um setor e outro, dentre outras.

E percebi também uma lacuna para ser implementada nos próximos anos, que são princípios básicos de gestão e controle amplamente reconhecidos no ambiente corporativo:

· Normativos como a ISO 9001 (qualidade) e ISO 14000 (meio-ambiente) ou a metodologia dos 5S, com a finalidade de mensurar e controlar índices por meio de parâmetros fidedignos, facilitando a gestão do espaço em um âmbito geral.

· Possibilidades de rentabilizar o espaço para outras atividades – ora, se falamos em estádios multiuso, por que não pensar em CTs multiuso?

Obviamente que a prioridade é o atendimento ao atleta e à comissão técnica, mas é plenamente possível planejar uma instalação com viés de lazer que possa atender a população e/ou torcedores durante a semana em horários alternativos, que não existam trabalho do futebol profissional ou das categorias de base. Exemplos:

– Escolas de futebol e futsal para a comunidade;
– Realização de torneios de futsal e futebol;
– Realização de eventos técnico-científicos;
– Realização de festas de aniversários ou outros encontros com o tema do “futebol” para crianças e adolescentes;
– Formalização de parcerias com entidades públicas para o desenvolvimento de ações sociais;
– Colônia de férias;
– Locação de campo em grama sintética ou ginásio de esportes.

Enfim, exemplos esses que precisam de uma avaliação de localização e adaptação às atividades oficiais do clube, que em hipótese alguma devem ser atrapalhadas em razão disso.

Para finalizar, basta ver as tendências que se postulam na área de recursos humanos do ambiente corporativo, em que se preza em muito pelo ambiente de trabalho como um ambiente colaborativo e agradável, que facilite a integração das pessoas que circundam a empresa. Essa noção tem sido vista como fundamental para que todos os colaboradores se sintam bem para desempenhar o seu máximo para a organização.

Bibliografia

Bacon, J. U. Cirque Du Soleil: a reinvenção do espetáculo. 8. Ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2006.

Para interagir com o autor: geraldo@universidadedofutebol.com.br

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