Universidade do Futebol

Gpaf

08/01/2009

Análise das situações onde os árbitros de futebol sofrem lesões

Atualmente, as lesões desportivas têm ganhado destaque nos estudos envolvendo os esportes de contato. Portanto, o futebol não fica fora desse contexto. De acordo com o senso comum, “o esporte proporciona saúde”. Entretanto, tal afirmação nem sempre é verdadeira, pois na maioria das vezes, os indivíduos que praticam esportes, seja este amador ou profissional, não possuem acompanhamento médico e, muitas vezes, nem passam antes da temporada por uma avaliação médica ou física (PRATI e VIEIRA, 1998).

Como esporte de alto nível, o futebol tem sido alvo de inúmeras mudanças nos últimos anos, principalmente em função da adoção de diferentes metodologias de treinamento e das exigências físicas cada vez maiores, o que obriga os atletas a trabalharem perto de seus limites máximos de exaustão, com maior predisposição às lesões (COHEN et al., 1997).

Muito se discute a hipótese de que o árbitro de futebol está suscetível aos mesmos tipos de lesões que os jogadores. Afinal, o futebol mundial se tornou mais competitivo e mais rápido nos últimos anos, e o árbitro não pode permanecer à margem desse desenvolvimento (WESTON et. al., 2004). Além de boa preparação física para poder avaliar as jogadas, evitando com isso que as regras sejam violadas, o árbitro deve também estar bem posicionado para visualizar as agressões entre os atletas, pois o risco de um jogador sofrer ferimento é cerca de 1000 vezes maior do que o encontrado na maioria de outras profissões (FULLER et. al., 2004).

Durante os 90 minutos de jogo, o árbitro realiza, em média, 1268 atividades diferentes (KRUSTRUP e BANGSBO, 2001). De 4 a 6 segundos, o árbitro muda sua ação motora durante o jogo (CATTERALL et al. 1993; KRUSTRUP e BANGSBO, 2001). Em termos de exigências perceptivo-cognitivas, um árbitro de elite toma aproximadamente 137 decisões observáveis por jogo (HELSEN e BULTYNCK, 2004). Segundo esses autores ainda, dado o tempo efetivo de jogo, um árbitro de alto nível toma 3-4 decisões por minuto.

Os jogadores de futebol, por fazerem parte de um dos esportes mais praticados e competitivos do mundo, passaram a ser objeto de investigação no que se refere à lesão. Contudo, trabalhos de cunho científico, envolvendo árbitros de futebol, são muito recentes e escassos, se tomarmos como referência os estudos envolvendo os jogadores de futebol (DA SILVA e FERNANDEZ, 2003; Da SILVA, 2005a). Assim sendo, o objetivo desse estudo foi fazer uma análise prospectiva da incidência, circunstâncias e características das lesões no árbitro de futebol.

O questionário utilizado nessa pesquisa para levantamento das situações onde o árbitro se lesiona foi elaborado de maneira a caracterizar precisamente as atividades vinculadas à arbitragem. Sendo assim, essas atividades foram divididas em: treinamento físico, teste físico e a arbitragem durante a partida. Portanto, lesões nessas situações seriam consideradas como lesões esportivas. Foram descartadas as lesões que ocorreram fora dessas três situações pré-determinadas.

Os árbitros de futebol em vários países, inclusive onde o futebol é altamente competitivo, como na Itália e Brasil, não são profissionais e trabalham em tempo integral em atividades profissionais distintas fora do campo de futebol. Eles normalmente são mais velhos que os jogadores. Entretanto, os árbitros devem acompanhar o jogo, não importa o ritmo que siga, e consequentemente devem manter a capacidade de desempenho no nível mais alto possível (D’OTTAVIO e CASTAGNA, 2001 Da SILVA, 2006). Para melhorar essa situação, os órgãos governamentais da Europa e do futebol mundial, a Union European of Football Association (Uefa) e a Fédération Internationale of Football Association (Fifa) movimentaram-se para profissionalizar os árbitros de futebol nas últimas temporadas (WESTON et al., 2004).

Após a aplicação do questionário, concluiu-se que os árbitros possuíam em média sete anos de arbitragem. Em um estudo desenvolvido com árbitros brasileiros em 2004, foi verificado que mais de 70% dos árbitros possuíam menor tempo de arbitragem (PEREIRA et al., 2006). Portanto, esse estudo comprova que o quadro não mudou até esse momento, e que isso continua sendo um problema para as Federações, pois estudos demonstram que os árbitros de futebol, para terem condições de arbitrar jogos de primeira linha de nível nacional e internacional, necessitam ter alguns anos de experiência (JONES et. al., 2002). A diferença em relação à média de idade dos jogadores e árbitros pode existir porque a experiência é considerada entre os órgãos diretivos da arbitragem internacional (Fifa, Uefa) como um pré-requisito fundamental para adentrar a elite da arbitragem (EISSMANN e D´HOOGHE, 1996).

Dos 67 árbitros (200 questionários aplicados) que relataram haver sofrido algum tipo de lesão, 73% possuíam diagnóstico médico, ou seja, 49 árbitros procuraram cuidados médicos após a lesão, o que demonstra a gravidade da mesma. Isso ajudou na identificação mais precisa do tipo de lesão que os árbitros haviam sofrido.

Os tipos de lesões encontradas foram 78% (75) distensões, 14% (14) entorse e 6% (6) fraturas. Com exceção de um árbitro, todas as outras lesões relatadas ocorreram no membro inferior, ou seja, 99%. A única exceção foi uma fratura de clavícula, ocasionada, segundo ele, por uma queda durante a partida. Um estudo da topografia das lesões no futebol, envolvendo jogadores, realizado durante 64 jogos da Copa do Mundo de 2002, identificou que as lesões ocorridas durante essa competição afetaram predominantemente as articulações do joelho, tornozelo, e dos músculos da coxa e panturrilha, ou seja, o membro inferior (JUNGE et al., 2004).

Em outro estudo durante competições de futebol organizadas pela Fifa e Jogos Olímpicos entre os anos de 1998 e 2001, constatou-se que as lesões ocorreram principalmente no tornozelo (17%), coxa (16%), perna (15%) e joelho (12%), ou seja, no membro inferior (JUNGE et al., 2004).

Os árbitros apresentaram um número maior de lesões relacionadas a uma musculatura não preparada para o esforço solicitado, ou seja, a distensão muscular durante o treinamento físico ou o teste físico, atinge principalmente a coxa e a panturrilha. Enquanto os jogadores apresentam um número maior de lesões em decorrência de uma pancada (contusão), ou seja, os jogadores possuem um número maior de lesões no tornozelo e joelho, por haver contato constante entre os jogadores. Contudo, as lesões musculares também foram maiores que outros tipos de lesões em um estudo envolvendo jogadores de futebol no Brasil (COHEN, 1997). Santos (1979) aponta que algumas situações que podem causar lesões por choque no futebol, são as jogadas consideradas desleais, como “o carrinho” e “a bicicleta ou pé alto”.

Os atletas, durante os jogos, são protegidos pelas regras estabelecidas pelo International Football Association Board, que determina como o futebol deve ser praticado. Embora os atletas tenham a responsabilidade de cumprir essas regras, os árbitros têm o papel único e importante durante a competição de julgar, e punir os jogadores que deliberadamente ou acidentalmente, transgridem as regras do jogo ou colocam em risco a segurança dos outros atletas (FULLER et. al., 2004).

Das três situações pré-determinadas, a arbitragem de uma partida foi a que apresentou o menor número de lesões, apesar de a distância percorrida pelo árbitro ser similar à do jogador de futebol. Já que de acordo como o descrito na literatura científica, o árbitro de futebol percorre distâncias entre 9 e 12 km no transcorrer do jogo (ASAMI et al., 1988; CATTERALL et al., 1993; JOHNSTON e MCNAUGHTON, 1994; Da SILVA e RODRIGUEZ-AÑEZ, 1999; KRUSTRUP e BANGSBO, 2001; CASTAGNA et al., 2004, ROMAN et al., 2004), sendo que o deslocamento do jogador de futebol durante a partida, em particular o meio-campista, também fica entre 9 e 12 km durante a partida (REILLY e THOMAS, 1976; VAN GOOL et al., 1988; BANGSBO et al., 1991; RIENZI et al., 1998; MOHR et al., 2003). Essa semelhança entre o deslocamento total dos árbitros e dos jogadores reforça a idéia de que os árbitros de futebol devem se preparar fisicamente de forma mais profissional e específica (WESTON, 2004; Da SILVA 2005a).

O futebol atual exige que o atleta apresente alto nível de capacidade anaeróbica (velocidade e explosão muscular) para as ações de jogo, principalmente sprint, saltos e resistência aeróbica para os curtos períodos de recuperação entre as ações de jogo (RAYMUNDO et al., 2005). Nos resultados do estudo desses autores nota-se o predomínio das lesões musculares e entorses. Os dados do presente estudo demonstram também uma predominância das lesões musculares seguida das lesões provocadas por entorses. Foi constatado que os árbitros envolvidos neste estudo treinam em média três vezes por semana, e essas sessões de treinamento possuem uma duração média de 60 minutos. Isto nos leva a crer que as altas taxas de lesões musculares que apresentam os árbitros são em decorrência de preparação física inadequada para as solicitações motoras do jogo, principalmente nos sprints.

Na literatura científica, o tempo médio na execução da corrida e sprint variam de 4 a 19% do tempo total de jogo (ASAMI et al., 1988; CATTERALL et al., 1993; JOHNSTON e MCNAUGHTON, 1994; Da SILVA e RODRIGUEZ-AÑEZ, 1999; KRUSTRUP e BANGSBO, 2001; REBELO et al., 2002). Assim como Rebelo et al. (2002), concorda-se que essas ações motoras somente são desenvolvidas pelos árbitros em situações de contra-ataque de uma das equipes, ou quando está para ocorrer uma situação clara de gol; nesses momentos, os árbitros procuram o melhor ângulo dentro de campo para visualizar as jogadas, ou seja, nas ações que podem decidir o resultado da partida.

Segundo Ekstrand & Nigg (1989), o jogador de futebol pode vir a sofrer uma lesão durante o jogo, devido ao uso de calçados inadequados, bem como ao tipo de gramado ou desnivelamento do solo utilizado, além, é claro, daquelas ocasionadas pelo contato físico. Acreditamos que essas situações também tenham contribuído para acometimento das lesões narradas pelos árbitros durante o jogo, já que a entorse foi a segunda lesão que mais os árbitros desenvolveram, principalmente na região do tornozelo e joelho. Uma musculatura pouco desenvolvida pode ter contribuído para o surgimento dessas torções, isso porque os músculos têm função básica de estabilizador dinâmico da articulação. Para Espanha (1989), a torção consiste na realização de um movimento anormal da articulação, ou seja, um forçar da articulação para além de suas possibilidades anatômicas.

O teste físico foi a segunda situação que a participação do árbitro resultou em um grande número de lesão. Para avaliar a aptidão física dos árbitros de futebol, a Fifa é responsável pela elaboração da bateria de testes. A evolução da preparação física dos atletas de futebol provocou como consequência uma maior carga física de jogo, influenciando também o árbitro de futebol. Para se conduzir uma partida de futebol moderno e com o intuito de melhorar o nível dos árbitros internacionais, em 1990, durante a realização da Copa do Mundo, a Fifa determinou que a idade máxima para um árbitro integrar seu quadro seria de 45 anos, e não mais de 50 anos. Em adição, desde 1989 ela sugere a aplicação de uma bateria de testes físicos destinada à avaliação dos árbitros (RONTOYANNIS et. al., 1998).

Um dos trabalhos pioneiros sobre a avaliação funcional do árbitro foi desenvolvido por Rontoyannis et al. (1998). Quando da realização dessa pesquisa na Grécia em 1992, a bateria de teste elaborada pela Fifa era composta por quatro testes: um que media a resistência aeróbica (teste de Cooper), um que media a resistência anaeróbica (2 corridas de 50 metros – teste de velocidade, e 2 corridas de 200 metros – teste de resistência à velocidade, aplicadas de forma alternadas), e outro que mensurava a agilidade (4×10 m), prova esta que foi abolida em 1995.

A bateria de teste desenvolvida pela Fifa, nos últimos oito anos, vem sofrendo inúmeras análises e mudanças, sendo inclusive discutida pelos pesquisadores a troca do teste que mensura a resistência aeróbica (corrida de 12 minutos, teste de Cooper) por uma mais específica, isto é, que avalie a resistência aeróbica do árbitro em ações motoras mais próximas daquelas executadas por eles durante o jogo (KRUSTRUP e BANGSBO, 2001; REBELO, et al., 2002; Da SILVA 2005a; WESTON et al., 2004; CASTAGNA et al., 2005).

Em 2001, os testes consistiam em duas corridas de 50 m; duas corridas de 200 m e um teste de corrida de 12 minutos de Cooper aplicados nesta seqüência. Após 2001, a alteração ocorreu na ordem de realização dos testes. Primeiro passou a ser realizada a corrida de 12 minutos (teste Cooper), depois duas corridas de 50m e 200m de forma alternada (Da Silva 2005a). Já em 2006, para entrada em vigor em 2007, a Fifa estabeleceu uma nova bateria de testes visando à avaliação física do árbitro e dos assistentes, que incluem 20 tiros de 150 m e seis tiros de 40 m.

Os testes físicos são realizados em uma pista de atletismo, ou seja, em uma superfície mais regular que o campo de futebol. Isso pode justificar o baixo número de entorses e fraturas nesta situação. Contudo, verifica-se um alto número de lesões musculares, ou seja, atribuímos isso ao esforço físico aplicado pelos árbitros nas provas com o intuito de ser aprovado no teste.

Em um estudo onde foram avaliados 209 árbitros profissionais de futebol, constatou-se que a maioria reprovava durante a execução dos testes anaeróbicos (Da SILVA et al., 2004), sendo que neste estudo os testes anaeróbicos eram aplicados antes que o teste aeróbico. Após a mudança na ordem de aplicação dos testes físicos, em 2006 foi publicado um estudo envolvendo 224 árbitros profissionais. Nesse estudo, observou-se que os árbitros continuavam reprovando mais nas provas anaeróbicas, sendo que dos 84 árbitros reprovados, somente 17% reprovavam na prova aeróbica (Da SILVA, 2005b). O grande número de reprovações nas provas anaeróbicas ocorria porque o árbitro lesionava-se nessa prova, ou seja, demonstrava que o árbitro não estava preparado para executar estes tipos de ação motora. Já a grande maioria dos árbitros que eram reprovados na prova aeróbica, consistia na falta de resistência cardiorrespiratória para alcançar o índice estabelecido para ser considerado apto.

Quando combinado com o fato de que os árbitros são em média dez a 15 anos mais velhos que os jogadores, e que a idade tem um efeito negativo nos níveis de forma física, os árbitros têm que se esforçar muito no treinamento para garantir que alcancem e mantenham um nível apropriado de forma física. A diferença em relação à média de idade dos jogadores e árbitros pode existir porque a experiência é considerada entre os órgãos diretivos da arbitragem internacional, Fifa e a Uefa, como um pré-requisito fundamental para adentrar a elite da arbitragem (EISSMANN e D´HOOGHE, 1996).

Na maioria dos países, os árbitros ainda trabalham e suas sessões de treinamento físico são organizadas de forma que não interfiram nos compromissos de trabalho. Portanto, para garantir que os árbitros tenham um nível ótimo de preparo físico, deve-se enfatizar e reforçar a qualidade da estrutura de seus programas de treinamento, fornecendo o estímulo adequado para o treinamento a fim de que consigam atingir o nível adequado de preparo, uma vez que o tempo que pode ser dedicado aos treinos é curto (KRUSTRUP e BANGSBO, 2001; WESTON et al., 2004; Da SILVA, 2005a).

Hoje, os esportes se tornaram muito competitivos, principalmente pela profissionalização de seus praticantes. A mídia, governos e grandes indústrias viram no esporte uma forma de ganhar dinheiro ou prestígio. Assim, os investimentos em drogas, equipamentos e na metodologia do treinamento são imensuráveis. Contudo, para que o atleta venha tirar proveito de todos esses avanços, há necessidade de ele ter se adaptado às exigências físicas do esporte competitivo mediante anos de treinamento.

O que se observa nos árbitros de futebol é que esses profissionais não possuem uma preparação física de base, tampouco praticam uma atividade física de forma rotineira. Constatou-se nessa pesquisa que 8% dos árbitros entrevistados não praticavam atividades físicas, ou seja, não se preparavam para arbitrar uma partida. Os que afirmaram fazer uma preparação física para arbitrar, realizavam essa atividade em média 3,7±1,6 vezes por semana. A duração destas sessões de treinamento era em média de 60,3± 29,7 minutos. A atividade física praticada pela grande maioria dos árbitros foi a corrida aeróbica, sendo ignorado por eles os trabalhos anaeróbicos, ou seja, corridas intermitentes. Portanto, o que observamos aqui é que a grande maioria dos árbitros treina com uma frequência, duração e tipo de atividade física recomendada para uma pessoa possuir o mínimo de qualidade de vida. Isso já foi observado em outros países também. Segundo KRUSTRUP e BANGSBO, (2001) que desenvolveram um estudo com árbitros dinamarqueses relatam que o treinamento dos árbitros de alta classe frequentemente consiste de corrida aeróbica de intensidade moderada com percursos entre 3 – 7 km.

A maioria dos árbitros aumenta a intensidade e a frequência de treinamento, principalmente quando está próxima dos testes físicos, aplicados pelas federações ou pela Confederação Brasileira de Futebol, pois se não conseguirem êxito no teste, não poderão arbitrar os jogos oficiais. Como os árbitros sabem que no teste existem provas anaeróbicas (corridas de velocidade) começam a prática sem uma preparação gradual, ocorrendo, aí, as lesões.

Alguns programas de treinamento elaborados para os árbitros (KRUSTRUP e BANGSBO, 2001; WESTON et al., 2004) não levam em consideração a preparação física para o árbitro apresentar uma boa performance no teste físico. Acredita-se que isso ocorre porque algumas entidades encarregadas de avaliar o árbitro não o reprovam, e porque o índice estabelecido no teste da Fifa, utilizados pelas federações e confederações, requer um esforço físico muito baixo, para este ser considerado apto. Para se ter uma idéia, quando o teste de Cooper fazia parte dessa bateria de testes, o árbitro com 20 anos precisava correr a distância de 2.700 metros para ser considerado apto, o mesmo índice exigido aos de 45 anos, sem falar que alguns deles corriam e quando atingiam esse índice já diminuíam a velocidade da corrida, já que caso apresentassem mais aptidão física, de nada adiantava.

Para se tentar diminuir o número elevado de lesões nos árbitros durante o treinamento seria necessário desenvolver programas de treinamento que levassem em consideração não somente as exigências físicas do árbitro para arbitrar as partidas, mas também as necessidades energéticas para a realização dos testes físicos, pois se eles não conseguirem êxito nestes, não poderão arbitrar. Dessa forma, diminuiria o número de lesões não somente durante o treinamento, mas também durante os testes físicos; as duas situações demonstradas nesse estudo onde os árbitros mais se lesionam.

A ausência de relatos na literatura cientifica sobre a ocorrência de lesão física no árbitro de futebol não nos permitiu aprofundar mais esse estudo sobre as situações onde os árbitros se lesionam ou as causas. Contudo, destaca a importância desse estudo e alerta os demais pesquisadores da necessidade de se investigar no levantamento dos fatores, que levam os árbitros a se lesionar nas situações descritas acima.

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Universidade Estadual de Ponta Grossa – Departamento de Educação Física
Grupo de Pesquisa em Árbitro de Futebol – GPAF

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