Universidade do Futebol

Entrevistas

28/06/2013

Antonio Leal, diretor e idealizador do CINEfoot

Projeto chancelado pelo Ministério do Esporte, a partir de uma comissão formada por representantes ministeriais, da Fifa e por especialistas da área universitária, o Cinefoot integra a Programação Oficial do Governo Federal para a promoção do Brasil durante a Copa do Mundo de 2014.

Criada em 2010, a empreitada atua com o espírito de um jogador amador em busca de uma vitória no campo de várzea: luta incansavelmente pela bola, tem plena noção das adversidades pelas quais passará, mas não desiste dos objetivos e segue em frente. Porque sabe que o troféu mais relevante muitas vezes nem é concreto, e está intimamente ligado a um sentimento subjetivo bem mais especial.

À frente do Festival de Cinema de Futebol está Antonio Leal. Tricolor carioca de coração, ele explicita, sim, o sentido coletivo dos envolvidos em inserir no cotidiano dos debates sobre os megaeventos esportivos o legado cultural e social do evento.

O grupo, unido, tem fé: o futebol é um agente transformador da sociedade e tem uma rica diversidade cultural contida. No Brasil, há uma característica marcante de levar para as telas, justamente, produções com potencial de imprimir estes conceitos no imaginário dos espectadores.

“Era um pouco incompreensível para parceiros nossos o fato de “o país do futebol” não ter um festival sobre cinema que tratasse esta temática. E aos poucos fomos construindo o projeto”, relembra Leal, nesta entrevista concedida durante a passagem por São Paulo do Tour 2013 do Cinefoot, no auditório central do Museu do Futebol.

“Procuramos diversidade, uma programação ampla, com filmes de diversas regiões, e também tranformá-lo em algo internacional – mas atraente. Temos torcedores, mais do que meros espectadores”, acrescenta o estudioso.

Segundo Leal, o Brasil avança neste conceito e a cada ano há uma renovação. Poucos são os filmes de acervos antigos, e estes são reexibidos mais como uma forma de homenagem, resgate.

Neste ano em que a Copa das Confederações se realiza, são mais de 50 filmes, com 33 deles na mostra competitiva (25 inéditos). Há filmes brasileiros que sequer foram vistos, como o “Papão de 54”, que conta a história da quebra de uma hegemonia de Grêmio e Inter no Rio Grande do Sul.

“Não nos preocumaos apenas em ter filmes clubísticos, biográficos ou históricos. Queremos perpassar toda esta questão humana, social”, afirma Leal, relembrando que o tema atual do Cinefoot é :“o futebol é mais que um jogo”.

Entre outros assuntos, o diretor fala das primeiras e marcantes lembranças de futebol que ele tem, do futuro verde e amarelo depois do Mundial de 2014 e qual é o futuro da cultura de arquibancada.

“Ver o jogo em casa é tranquilo, confortável, mas se não levarmos públicos a esses estádios, não vamos criar gerações apaixonadas por futebol – e sim em assistir a futebol pela televisão. Estádios não devem se elitizar. O Brasil não tem poder aquisitivo para compra de ingressos a 150 reais. Isso tem de ser algo rápido e momentâneo. Deve haver uma apropriação depois da Copa. Não podemos perder a cultura de sentar na arquibancada e viver aquele momento de emoção”, crê Leal.

Cinefoot

Primeiras e marcantes lembranças de futebol e cinema

O futuro da cultura de arquibancada

Legado cultural da Copa do Mundo

 

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