Universidade do Futebol

Eduardo Fantato

14/06/2011

Ao superar barreiras tecnológicas, é necessário definir rumos

Olá, amigos!

Nesta semana, em uma palestra, levantamos a discussão sobre a resistência de alguns profissionais no meio do futebol em relação à tecnologia. Quando mencionei que hoje já conseguimos vislumbrar melhoras, alguns colegas questionaram e disseram que não concordavam. Respeito a opinião deles e trago a discussão para o debate ampliado com o leitor da Universidade do Futebol.

Sempre critico a resistência dos profissionais do meio – o amigo que me acompanha nos textos há algum tempo pode comprovar. Porém, temos que ser sinceros: já observamos alguns movimentos, ainda que tímidos, em prol dessa atualização tecnológica. Termo esse que utilizamos em textos anteriores para situar uma dimensão na formação do profissional do futebol que consiste em estar atualizado face às inovações, bem como a seus possíveis benefícios.

Depois de alguns exemplos trocados, como o mais antigo “Datacenter”, iniciado no Sport Club Internacional pelo professor João Paulo Medina, já há significativos anos, chegamos ao esforço do Corinthians em organizar esse departamento, assim como outros clubes que têm trabalhado nessa perspectiva.

Isso já nos dá indício de que algum movimento tem sido feito em caminho do uso tecnológico a favor do futebol.

Mas ainda que seja animador ver esses primeiros passos, podemos fazer uma analogia simples e superficial com os primeiros passos de uma criança – eles ainda não são firmes nem coordenados, e tampouco maduros o suficiente para que possam se transformar em velozes e eficazes corridas.

Falta uma cultura tecnológica no futebol, que deve ser a próxima barreira a ser transpassada por aqueles que gostam e trabalham sob a perspectiva da tecnologia no futebol.

Se há três anos discutimos a necessidade de se quebrar as barreiras da resistência no futebol, é momento agora de pensarmos também no delineamento da cultura tecnológica. Não que tenhamos superado a primeira, nem de longe, mas não podemos esperar ela se solidificar e ficar 100% superada (quando falar de tecnologia no futebol seja “chover no molhado”), porque, do contrário, estaríamos indo contra os princípios modernos desse fenômeno, que é velocidade e inovações em ritmos frenéticos.

Desta forma, é importante que a gente consiga continuar na marcha de romper as barreiras que ainda existem, mas que aos poucos já vêm sendo superadas, e já começar a dar rumos para o que virá.

Caso não comecemos um desenvolvimento desenfreado de recursos, não nos adequaremos às reais necessidades dos profissionais do futebol. É como se um clube desenvolvesse internamente recursos que só servem para ele (ainda que isso pareça benéfico) naquele momento e com aquele profissional. Em outro clube, acontece a mesma coisa, e assim seguimos uma propagação de recursos e usos diferenciados que podem acabar por não apresentar resultados significativos, e no futebol sabemos o quanto o resultado é importante…

Assim, além dessas barreiras, os profissionais que já estão se ambientando com a tecnologia no seu cotidiano devem se posicionar como colaboradores para que novas ferramentas sejam eficazes e não simplesmente desenvolvidas com a marca e chancela de fulano e ciclano, e sim pelo bem da ciência do futebol, tendo sempre como premissa que a tecnologia faz o que colocamos nela, segundo nossas competências, e através delas (competências) é que o que os recursos nos trazem e serão transformados em intervenção.

Para interagir com o autor: fantato@universidadedofutebol.com.br

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