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26/07/2007

Aprendizagem motora – uma visão comportamentalista do movimento

Nota dos editores
O presente artigo pertence a uma corrente chamada comportamentalista (behaviorista) do movimento, ou seja, uma das inúmeras visões sobre o movimento humano (outras visões são: tecnicista, motricidade humana, dialética etc.). Apesar de não ser necessariamente a linha adotada pela Cidade do Futebol, julgamos importante a sua publicação, com intuito de fortalecer o pluralismo de opiniões.

A aprendizagem é fundamental para os seres humanos e até mesmo essencial à existência biológica. As pessoas encontrariam enormes dificuldades se passassem a vida dotadas apenas com as capacidades que herdaram. Seriam incapazes, por exemplo, de realizar habilidades de movimentos complexos que a prática esportiva exige.

Vários aspectos contribuem para a capacidade de um indivíduo desenvolver a performance habilidosa. A criança ao crescer, por exemplo, tem suas potencialidades de performance elevadas. Mas, os níveis de maturidade e aptidão nem sempre estão relacionados ao nível de habilidade.

De acordo com SCHMIDT e WRISBERG (2001), “o maior fator que parece ser consistentemente relacionado ao nível de habilidade é aquele que vem como um resultado direto da prática de uma tarefa – a experiência da aprendizagem”.

Os chamados professores do movimento, dentro desta concepção comportamentalista, precisam levar em conta que a experiência de aprendizagem pertence ao aprendiz. É importante que haja uma interação entre o instrutor e o aprendiz, em que o professor interpretasse conceitualmente a experiência de aprendizagem que objetiva o alcance da meta determinada pelo aprendiz.

Meta

Para que um professor ajude o aprendiz a atingir as metas estabelecidas é preciso que, antes de mais nada, ele conheça quais são essas metas, pois nem sempre os pupilos sabem claramente quais os objetivos que pretende atingir. Para isso o profissional do movimento deve estimular os aprendizes a definir as metas de maneira que saibam como identificar os comportamentos e as habilidades específicas. Isto permite mostrar com mais clareza a evolução apresentada pelo aprendiz.

É comum atletas de esportes individuais estabelecer meta de resultado que envolve comparações com a performance de outros. Os aprendizes deveriam ser estimulados a determinar dois outros tipos de metas: metas de performance (p. ex. um jogador quer aumentar o seu percentual de acerto nas cobranças de faltas de 40% para 50%) e metas de processo – p. ex. um goleiro fixa o olhar no adversário durante uma cobrança de pênalti, para ver se ele segue com a cabeça baixa ou se vai olhar para ele (e esperar que ele escolha um canto do gol para pular) e só depois chutar a bola (texto adaptado de GOULD, 1998).

Uma vantagem para a determinação de meta é a possibilidade dos atletas identificar as habilidades que desejam desenvolver durante suas experiências de aprendizagem, chamadas de habilidades-alvo, que são as tarefas reais que as pessoas têm de adquirir para alcançar o objetivo traçado.

Definidas as habilidades-alvo, os profissionais do movimento devem definir os comportamentos observáveis que são relacionados com o desempenho bem-sucedido daquelas habilidades, chamados de comportamentos-alvo. Os professores, durante os treinamentos, devem encorajar os atletas a focar em um ou mais desses comportamentos até que cada um seja incorporado aos seus movimentos.

Conforme explica SCHMIDT e WRISBERG, “encorajando os aprendizes a seguir princípios do estabelecimento de meta relevantes na determinação de suas metas de resultado, de performance e de processo, os profissionais do movimento deveriam ser capazes de obter uma clara imagem do objetivo pretendido pelo aprendiz. Então, os profissionais do movimento podem auxiliar o aprendiz na identificação de habilidades-alvo e de comportamentos-alvo que necessitam ser desenvolvidos a fim de atingirem as metas desejadas e produzirem movimentos eficientes no contexto-alvo”.

Maiores detalhes sobre esta abordagem comportamentalista podem ser obtidos no livro de Richard A. Schmidt e Craig A. Wrisberg – Aprendizagem e performance motora: uma abordagem da aprendizagem baseada no problema, publicado pela Artmed Editora, em 2001.

 

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