Universidade do Futebol

Entrevistas

07/11/2008

Ary Rocco, professor de jornalismo

Por intermédio da análise das páginas oficiais na rede mundial dos computadores dos quatro principais clubes do Estado de São Paulo, investigar as modificações que a cultura dos empresários do ciberespaço provocam na cultura que envolve o futebol. Isso tudo enquanto forma de entretenimento e consumo na naquele ambiente virtual. Esse foi o objetivo de Ary Rocco, professor de jornalismo da FECAP, em sua tese de doutorado no departamento de comunicação e semiótica da PUC-SP.

 

Importante utensílio para corroborar a identidade nacional nos cidadãos, a modalidade coletiva mais popular do mundo vai, pouco a pouco, perdendo espaço para as agremiações de futebol do Velho Continente, que são também do Oriente Médio, da Ásia e da América.

 

Em meio a essa cibercultura, emerge a torcida virtual, uma forma de inteligência coletiva em torno desse esporte, transpondo as relações locais a partir de uma “dinâmica de comunicação planetária”.

 

“Se continuar com esse modelo [de gestão dos clubes nacionais], não tenho dúvidas de que perderemos muitos torcedores para a televisão, para outras formas de lazer, e até para clubes de fora”, avalia Rocco.

 

“Hoje, você percebe muita molecada de classe média alta, em uma volta no shopping, vestindo a camisa do Milan, da Inter, do Real Madrid, e não dos clubes brasileiros. Porque eles preferem assistir pela televisão, o espetáculo é melhor, tem uma qualidade melhor, do que efetivamente ir ao estádio por conta do receio do pai”, completa.

 

Além de apresentar seu trabalho, nesta entrevista concedida à Cidade do Futebol, o professor diferencia os tipos e perfis de torcedores – simpatizantes e consumidores -, o processo de identidade com as equipes e a atuação das torcidas organizadas, na ocupação de um papel devido aos órgãos governamentais.

 

Cidade do Futebol – Como surgiu a idéia da tese de doutorado, o conceito de cibertorcedor e a escolha do site do São Paulo para ser analisado?

Ary Rocco – O objetivo específico da tese foi trabalhar a formação de comunidades virtuais no universo do ciberespaço motivadas pela cultura do futebol. Como as pessoas se relacionavam, o que elas procuravam, quando o assunto era futebol ou clubes de futebol, naquele ambiente. Para delimitar o tema, surgiu a idéia de escolher o São Paulo. Na verdade, trabalhei os quatro grandes do Estado, e como eles agregavam indivíduos no universo do ciberespaço

 

Conforme a pesquisa foi se desenvolvendo, eu comecei a perceber que, na realidade, existiam basicamente três sites que aglutinavam indivíduos em torno dele. O caso do São Paulo. Tinha o site oficial do clube, que agregava uma série de pessoas que transitavam em torno dele, basicamente atrás de informações sobre o clube. Jornalistas querendo obter informações de assessoria de imprensa, torcedores em busca de noticias sobre a agremiação, e pessoas variadas, de quaisquer partes, querendo obter informações sobre a instituição.

 

Mas ele não chegava a criar uma verdadeira comunidade virtual dentro daquele conceito de inteligência coletiva, ou seja, cada indivíduo trazendo uma colaboração nova. Ele era meramente institucional.

 

Além das informações de clube, havia um aspecto relacionado à questão de consumo, porque lá você tem uma loja virtual onde se comercializam os produtos do clube. Havia um público voltado a tal.

 

O segundo modelo que identifiquei foram os sites das organizadas. Aí trabalhei especificamente o da Independente. Você percebe aí que a torcida é muito mais importante que o clube. Na realidade, o site fala do clube, dos jogos, mas basicamente das atividades da organizada: viagens, choppadas, eventos, e comercialização de produtos, não do clube, mas da organizada.

 

Lá, há um espaço de chat, de fórum de discussões, e consegue agregar um pouco mais o conceito de comunidade virtual, muito embora a finalidade não seja só essa. Eles querem divulgar os acontecimentos da torcida, e isso para o bem e para o mal.

 

Quaisquer atos que eles querem se vangloriar, isso aparece nos chats, embora não seja visível a todos, por conta de um login e de um cadastro necessários. Você percebe que a violência só tem graça se eles podem contar aos outros, e o espaço serve pra motivar esse tipo de ação.

 

Por último, os sites não-oficiais, como acabei classificando na tese. Esses, efetivamente, fazem o papel de uma verdadeira comunidade virtual, à medida que você percebe que ele cria uma inteligência coletiva, com a colaboração conjunta, e o somatório de todas as idéias cria isso. O maior deles analisados em termo de tempo foi o SPNet, e, no meu modo de entender, um dos melhores sites não-oficiais, justamente por suscitar o debate. O forte do site são os comentários que cada notícia propicia – artigos, reprodução de textos de Placar, Terra, UOL, Placar -, abrindo espaço para a discussão, que é o rico do site.

 

Há iniciativas de caridade, como mobilização pra comprar uma cadeira de roda para um fulano, promoção de encontros, etc., e ali, verdadeiramente, surge a figura da comunidade virtual na acepção da palavra.

 

Cidade do Futebol – E essa entrada, a criação desses torcedores virtuais, se dá por conta de uma realidade dentro da sociedade, levada para a cultura do futebol, ou é algo efetivamente específico da modalidade?

Ary Rocco – Não. O que se percebe, por exemplo, no site do SPNet, são pessoas ou profissionais de um nível, digamos, “educacional”, de médio para alto, com boa formação, e se percebem dois perfis diante da necessidade: o cara que vai a campo, assiste ao jogo lá, mas que não se satisfaz apenas com isso e quer repercutir. Antigamente ele ia para a partida e depois para um boteco, discutir com os amigos. Agora, ele vai para o site trocar informações.

 

E o outro perfil, associado ao maior nível de renda, é daquele que não se sente mais confortável em ir aos estádios, seja pela falta de conforto, seja pela violência que ele percebe que vem das torcidas organizadas. Então, prefere ver na TV, em casa, e interagir com pessoas que estão como ele, naquele momento. A relação ele acaba encontrando na internet.

 

Cidade do Futebol – A televisão muitas vezes tenta criar um espetáculo que não existe, com o fechamento de câmeras num bloco mais cheio de torcedores, e com microfones direcionais que captam o áudio nesses locais, dando-se a impressão de que o estádio está cheio. Futebol vai acabar, segundo o Sócrates, se as pessoas acharem que o esporte é aquele da TV. Corre-se o risco de, daqui um tempo, as próximas gerações perceberem o futebol apenas como aquilo que se passa na TV?

Ary Rocco – Eu acredito que não. A ida do torcedor ao estádio não vai acabar nunca. O que particularmente acredito é que mais cedo ou mais tarde teremos de nos render ao modelo inglês, onde, na Inglaterra, em 1992, com a Premier League, decidiu-se que o futebol era um espetáculo sócio-econômico e, como tal, o torcedor teria de pagar mais caro, mas com algumas condições de conforto, que fizesse ele abdicar de um teatro, de um cinema, por exemplo, em detrimento do futebol.

 

Vejo a solução parecida por aqui, guardadas as devidas proporções, relativas a PIB, poder aquisitivo do brasileiro, mas teremos de ajustar a fórmula, profissionalizar o futebol a tal nível que o torcedor sinta aquele evento como uma atividade de lazer, com segurança, para desfrutar disso.

 

Se continuar com esse modelo, não tenho dúvidas de que perderemos muitos torcedores para a televisão, para outras formas de lazer, e até para clubes de fora. Hoje, você percebe muita molecada de classe média alta, em uma volta no shopping, vestindo a camisa do Milan, da Inter, do Real Madrid, e não dos clubes brasileiros. Porque eles preferem assistir pela televisão, o espetáculo é melhor, tem uma qualidade melhor, do que efetivamente ir ao estádio por conta do receio do pai.

 

Cidade do Futebol – De que forma o futebol vai perdendo espaço na identidade nacional? Há uma migração dos aficionados para os clubes supranacionais, como Manchester, Chelsea e Real Madrid, por exemplo?

Ary Rocco – Acho que isso já vem acontecendo, principalmente pela grande exportação de jogadores que temos. Os jogadores cada vez vão embora mais cedo, mais jovens, e não acabam criando vínculos identitários com o país e, conseqüentemente, com a seleção brasileira.

 

Você vê o próprio “produto seleção brasileira”. É muito mais para exportação do que para consumo nacional. Hoje, o torcedor brasileiro se identifica muito mais com seus clubes do que com a seleção, que não mais representa o país.

 

Veja o Kaká. Hoje ele é muito mais italiano que brasileiro. Ele veste Armani, faz propaganda desses ternos, o modo de vida dele é italiano, ele passa as férias nas praias de lá, e está, culturalmente, muito mais ligado à Itália do que ao Brasil. Ocasionalmente alguém lembra que é brasileiro, chama-o para a seleção, e ele vem jogar.

 

Qual a identificação do Kaká, hoje, com qualquer criança de 10, 12 anos que vive no Brasil? Nenhuma. Não se vê nele nenhuma semelhança, identidade, e acaba se vinculando a outros atletas que estão por aqui, mas logo irão embora.

 

O produto “futebol brasileiro”, na minha opinião, está vivendo um momento de crise. Ou mudamos alguma coisa, ou cada vez mais haverá menos identificação nesse sentido.

 

Cidade do Futebol – Em um paralelo com a gestão dos clubes na Premier League, qual a avaliação que você faz dos principais clubes de futebol no país? No que tange os sites oficiais, há uma semelhança com o modelo implementado na Europa?
Ary Rocco –
Teríamos que dividir em dois aspectos. Primeiro, da questão da gestão dos clubes, que, no Brasil, ainda está muito distante da de um clube da Premier League, apesar de entender que estamos evoluindo.

 

O São Paulo, por exemplo, faz um trabalho bem interessante, o Corinthians tem sido muito feliz na gestão do seu marketing na Série B, com todas suas iniciativas, o Palmeiras com o setor Visa no seu estádio. Vagarosamente, as coisas estão acontecendo, talvez não na velocidade que desejássemos, mas vemos que há um caminho no rumo da profissionalização em relação a esse desenvolvimento

 

Do ponto de vista tecnológico, vejo um abismo muito grande. Acho que os clubes de futebol ainda não entenderam que a internet é uma excelente forma de comunicação com seus públicos, não apenas no quesito da informação, mas em termos de receita.

 

Um caso extremo: o Manchester [United], em seu site, tem a TV Manchester, que você tem de pagar, serviços de SMS que ele vende pelo site – pacotes de notícias, de informação, de vídeo. Tem um interessante, que você paga um valor X e, sempre que o Manchester jogar, sempre que fizer um gol, em qualquer lugar que estiver, você recebe a  imagem na tela do seu celular.

 

Os clubes do Brasil poderiam começar a pensar nessa linha. É bem verdade que há numa dificuldade tecnológica das operadoras de telefonia celular. De qualquer forma, a criatividade é necessária, e os clubes poderiam usufruir um pouco mais desse espaço amplo.

 

E os exemplos vêm do site da NBA, por exemplo, cheio de recursos, os quais os clubes brasileiros não conseguem atingir, ou por uma miopia de marketing, ou por uma má vontade, pois qualquer recurso ligado ao mundo digital, à internet, especificamente, tem um custo muito inferior a quaisquer outras mídias que você vá adotar.

 

Podemos partir do básico: venda de ingressos. Qualquer grande clube inglês vende ingresso com dois, três meses de antecedência na web. Aqui no Brasil, me parece, que só o Figueirense fazia isso na elite. Por que não fazer mais isso?

 

Cidade do Futebol – Podemos pensar que a implantação teoricamente recente de um campeonato por pontos corridos – desde 2003 se disputa a Série A do Nacional nesse formato -, ainda delineia essa cultura, ou era algo para já estar consolidado?

Ary Rocco – Especificamente na venda de ingressos, eu acho que essa cultura já devia ter se disseminado, à medida que se tem o calendário fixo. Mas aqui no Brasil há ainda uma cultura, que, talvez, se sobressaia a todas as outras, que é a cultura do cambista. E isso dificulta a implementação.

 

Na minha visão, não há nada mais transparente do que vender ingressos pela internet. Qualquer casa de espetáculo hoje faz isso – com suas taxas de conveniência, muitas vezes excessiva, mas quem quer conforto se sujeita a pagar por isso -, então, não sei da dificuldade. Por que não fazer isso no futebol? E seria algo que facilmente acabaria com os cambistas, e parece que há uma certa conveniência em relação a esse problema.

 

Cidade do Futebol – Torcedor é aquele que vai ao estádio, o que simpatiza, ou o que consome?

Ary Rocco – O torcedor, no Brasil, ainda é aquele que torce. Mas acho que já houve uma diferença muito maior entre aquele que torce e consome. Cada vez mais aquele que consome está ocupando um espaço interessante na vida dos clubes.

 

Se você for analisar, por exemplo, a estratégia de marketing dos grandes clubes europeus, na cabeça deles torcedor é aquele que consome. Porque em todo começo de temporada o Manchester vai fazer pré-temporada na Ásia, assim como o Real Madrid? Porque, na realidade, eles querem agradar a um público consumidor, de certa forma.

 

Hoje, no caso do modelo europeu, você tem o torcedor que torce, que vai ao estádio, que é fiel ao clube, mas tem os clubes cada vez mais de olho naquele mercado que consome.

 

O único problema que vejo no Brasil é que os clubes ainda pensam muito localmente. Quando na realidade deveriam pensar, no mínimo, nacionalmente. E até chegar a ser uma agremiação de representatividade mundial. Mas isso passa por uma adaptação do calendário, para que fosse permitido a esses times excursionarem. Mas não tenho dúvida de que o torcedor que consome está ocupando cada vez mais espaço para os clubes, muito maior do que aquele que vai a campo.

 

Cidade do Futebol – Em meio à disputa da Série B, o Corinthians, já com o acesso garantido, realizou um amistoso com o Mixto-MT, em Campo Grande, que lhe rendeu cerca de R$ 250 mil. É uma tentativa de ação nessa linha?

Ary Rocco – Isso é uma tentativa de aproveitar o bom momento que o clube está vivendo e, de uma certa forma, solidificar as relações de consumo, sem dúvidas.

 

Cidade do Futebol – Qual a diferença de um corintiano que acompanha os jogos do time pela internet no Piauí e adquire produtos oficiais pela loja oficial do clube na internet, e aquele de Itaquera ou do Tatuapé, que vai ao Pacaembu de transporte público, no que se refere a relação com o clube?

Ary Rocco – O torcedor que efetivamente vai ao estádio talvez esteja muito mais identificado com o clube pelas suas origens. Ou porque nasceu perto de onde o clube está situado, ou por conta da família, mas quesitos que o ligam àquele clube. Só que do ponto de vista do clube, esse torcedor, talvez com muito mais ligações afetivas com a agremiação, em termos de receita, é muito menos importante do que aquele do Piauí.

 

Aquele, à distância, vai consumir o clube quando compra o pacote de Pay-per-view ou paga uma TV à cabo para ver os jogos do time. Vai querer comprar produtos do clube para mostrar que tem uma afinidade com aquele clube. De uma forma ou de outra, conferirá uma receita muito maior do que aquele cara que efetivamente vai ao estádio.

 

Na maior parte das vezes, esse torcedor próximo, ligado a uma torcida organizada, por exemplo, vai dispor seu dinheiro muito mais àquela entidade. Porque as torcidas organizadas têm uma administração muito melhor do que a dos clubes do ponto de vista de venda de produtos.

 

Para a tese, numa entrevista com o Roque Citadini [conselheiro do Corinthians e ex-diretor de futebol profissional do clube, à época da adm. Alberto Dualib], ele me fez uma pergunta muito interessante, sem afirmar nada, apenas levantando a questão: “Você já viu algum produto pirata da Gaviões da Fiel? E do clube”. Talvez porque a Gaviões consiga oferecer ao associado produtos dos mais variados preços, desde adesivos e broches, de R$1,00 e R$5,00 até agasalhos de R$150,00, R$200,00.

 

O clube só conseguia – houve evoluções – vender a camisa oficial, por R$159,00. Hoje vemos consolidadas as ações do “Eu nunca vou te abandonar”, por exemplo, e parece que estão tendo ciência de que há torcedores das mais diversas rendas, e você precisa criar produtos para todas elas. Nesse aspecto, a organizada é muito mais eficiente.

 

Cidade do Futebol – Há uma clara marginalização por parte da grande imprensa dos movimentos de torcidas organizadas. Especialmente aqui no Estado, algumas foram banidas, e voltaram à ativa após alguns anos. De uma forma geral, qual a sua visão sobre esses grupos?

Ary Rocco – Vejo de uma forma um pouco diferente da mídia em geral. Como tudo, como qualquer tipo de agremiação, as torcidas organizadas têm as pessoas bem intencionadas, e as má intencionadas. Não dá pra julgar o grupo como um todo com as atitudes de alguns.

 

Para entrevistar o responsável pelo site da Gaviões, fui lá quadra deles e fui recebido no dia em que estava havendo uma confraternização. Percebe-se, então, que para aquela comunidade, talvez, essa festa, para muita gente, seja a única opção de lazer. Nesse sentido, a torcida cumpre o papel que o Estado deveria fazer e não cumpre.

 

Mas é inegável que haja o outro lado, o do conflito. Você tem grupos dentro dessas torcidas que são verdadeiros marginais, e resolvem usar a força do grupo para enfrentar outras facções, e não fazem a menor questão de esconder isso. Uma vez que um dos espaços para divulgar o que tal pessoa fez de agressivo são os sites, as comunidades, os fóruns. Dar guarita a esses grupos é um lado negativo.

 

Do ponto de vista da administração do negócio “torcida organizada”, elas são muito mais eficientes que os clubes. Evidentemente, até utilizando meios não muito ortodoxos, como a violência.

Cidade do Futebol – Existe um diálogo sobre o uso de emblemas dos clubes por parte dessas agremiações? Como funciona a questão dos direitos de imagem nesse caso?

Ary Rocco – Na realidade, não sei se esse diálogo é possível. Mas inegavelmente os clubes perdem dinheiro nisso, pois as torcidas estão explorando a imagem. Evidentemente eles criam seus símbolos, mas a razão da existência delas é o clube.

 

Não sei até que ponto esse diálogo seria possível, e até que ponto ele seria interessante, por um simples motivo: qualquer dirigente de futebol que resolver sentar para discutir qualquer tipo de valor financeiro com uma organizada, já vai ser severamente criticado pela mídia.

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