As transformações da preparação física para o futebol

Entre para nossa lista e receba conteúdos exclusivos e com prioridade
Entre para nossa lista e receba conteúdos exclusivos e com prioridade

A preparação física assumiu nos últimos tempos uma grande importância no treinamento de alto rendimento, isso demonstra que os grandes resultados estão relacionados com o alto preparo físico dos jogadores e sempre com a aplicação de treinamentos baseados cientificamente. Isso mostra que a preparação física é um dos fatores que mais evoluiu nas últimas décadas e continua evoluindo (TUBINO, 1979; CUNHA, 2006).

De acordo com Fernandes (1994), atualmente o futebol exige mais das capacidades físicas e mentais dos jogadores. É comum de se ver hoje em dia, jogadores talentosos que não conseguem mostrar suas habilidades, devido ao mau condicionamento físico.

A figura do preparador físico surgiu na década de 50, até então era o técnico o responsável pelo condicionamento físico do time. Na Copa do Mundo de 1954, algumas seleções contavam com a presença de preparadores físicos, que atuavam juntamente com o técnico, com a finalidade de dirigir as atividades físicas da equipe. Na seleção brasileira, em 1958, a CBD (Confederação Brasileira de Desportos), convidou um professor, ex-jogador de futebol, que atuava como treinador em um clube do Rio de Janeiro, para auxiliar o técnico da seleção. Foi, portanto o primeiro preparador físico do Brasil. Com o resultado do mundial, surgiram os primeiros preparadores físicos nos clubes brasileiros. Mas nessa época tinha-se o conceito de que o preparador físico deveria ser um homem forte, com hábitos rudes, e que deveria exigir o máximo dos jogadores em atividades extenuantes, onde não se verificava os aspectos científicos do treinamento físico.

Portanto, era comum de se ver nos clubes os preparadores físicos militares (coronéis, majores, capitães, tenentes, sargentos e até mesmo policiais civis). Na Copa do Mundo de 1966, com o fracasso do Brasil, observou-se muita coisa. Dentre elas notou-se que somente o aspecto técnico não era suficiente para se vencer uma Copa do Mundo.

O outro problema era que os preparadores físicos na época nunca tinham trabalhado com o futebol. Enquanto isso na Europa, as seleções eram treinadas com novos métodos de treinamento, embasadas em pesquisas cientificas, como por exemplo, o treinamento em circuito, criado por um Belga. É nessa Copa, que quatro seleções européias ocuparam os quatro primeiros lugares, que foram à Inglaterra, Alemanha, Portugal e Polônia.

Em meados de 1968, profissionais que atuavam no futebol brasileiro começaram a se atualizar com profissionais da Europa. Com isso houve uma significativa evolução no aspecto científico do treinamento. Essa atualização contribuiu muito para a nossa seleção de 1970, iniciando a fase científica do treinamento do futebol no Brasil. O treinador do time da Copa de 70, Cláudio Coutinho, foi uma das contribuições da época. Coutinho, juntamente com o professor Parreira, aplicou o método de Cooper nos treinamentos de futebol, o que proporcionou nos atletas um melhor preparo físico. Cooper era a teoria de um famoso médico americano Kenneth Cooper segundo ele correr regularmente durante uma hora todos os dias seria a melhor maneira de manter a forma e a saúde (LOPES, 2006; CUNHA, 2006 apud BARROS, 1990).

Com a conquista da Copa de 70 pelo Brasil, atribuiu-se o mérito ao excelente planejamento do treinamento físico realizado, a partir de então os clubes brasileiros começam a notar a importância da preparação física para o futebol, e o mais importante ainda, era que essa preparação física deveria ser aplicada por um profissional especializado, ou seja, por um profissional que aplicasse um treinamento físico especifico para o futebol (atendendo suas exigências).

Comparar o rendimento de jogadores em diferentes épocas, não é interessante, pelo fato de que em uma margem de 20 ou 30 anos, houve uma grande evolução nos sistemas táticos de jogos e nos métodos de treinamento, sem falar no avanço tecnológico que permite um maior aprimoramento no treinamento físico (FERNANDES, 1994).

Mas essa comparação é inevitável, pois de uma forma ou de outra, é a melhor maneira de mostrarmos que a diferença existente nas distâncias percorridas pelos jogadores em diferentes épocas reflete uma melhora na capacidade física, no preparo físico do atleta.

Segundo Weineck (2004), na década de 60, aqueles jogadores que percorressem mais de quatro quilômetros em uma partida, poderia ser considerado com sendo um atleta excepcional.

Atualmente, os jogadores profissionais de futebol percorrem em média 10 á 14 quilômetros por jogo. Até a década de 80 eram quatro quilômetros a menos. As medidas do campo continuam as mesmas (de 90 a 120 metros de extensão), mas o jogador hoje tem que estar preparado para movimentos mais velozes porque as partidas são bem mais rápidas e movimentadas (WEINECK, 2004; LOPES, 2006; CUNHA, 2006).

A importância de um profissional capacitado nos clubes é fundamental. O preparador físico deve estar presente em todas as categorias e não somente na categoria profissional, pois existem intensidades e cargas diferentes para cada faixa etária. Afinal de contas atualmente a grande maioria dos clubes de futebol possui categorias de base ou então parcerias com escolinhas de futebol.

Hoje o aspecto científico do treinamento físico está muito desenvolvido. Os profissionais se especializam cada vez mais utilizando computadores e os mais variados aparelhos eletrônicos possíveis, para determinar o nível de condicionamento e a evolução dos atletas. Portanto, percebe-se que a preparação física evoluiu de tal maneira que seria impensável a falta de um profissional especializado em treinamento físico integrando a comissão técnica de uma equipe (CUNHA, 2006).

Enfim, a preparação física para o futebol teve suas configurações iniciais alteradas significativamente até chegar às condições atuais, onde tem papel de extrema importância dentro do contexto do treinamento esportivo de alto rendimento no futebol.

Bibliografia

CUNHA, F. A. Evolução da preparação física para o futebol no brasil. Disponível em www.cdof.com.br/futebol1.htm>. Acesso em 23 Dez. 2006, 16:00:00.
FERNANDES, J. L. Futebol: ciência, arte ou…sorte!: treinamento para profissionais – alto rendimento: preparação física, técnica, tática e avaliação. São Paulo: Editora Pedagógica e Universitária, 1994.
LOPES, A.D. Gene e treino para o jogador perfeito: exigências dos jogos de hoje tornam necessário, alem do talento, preparo especifico e alimentação adequada. Jornal O Estado de São Paulo. P. A-30, ano 127. 23 Abr. 2006.
SILVA, F. M. Treinamento Desportivo: reflexões e experiências. João Pessoa: Editora Universitária, 1998.
TUBINO, M.J.G. Metodologia cientifica do treinamento desportivo. São Paulo: Editora Ibrasa, 1979.
WEINECK, J. Futebol total: o treinamento físico no futebol. Tradução: Sérgio Roberto Ferreira Batista. Guarulhos: Editora Phorte, 2004.

Compartilhe

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp
Share on email
Share on pinterest

Deixe o seu comentário

Subscribe
Notify of
guest
0 Comentários
Inline Feedbacks
View all comments

Mais conteúdo valioso