Universidade do Futebol

Geraldo Campestrini

28/09/2011

Até quando?

Volto a bater na tecla das receitas com bilheteria e da otimização da relação dos clubes com seus torcedores. Neste caso, apenas para reforçar aquilo que muitos especialistas em marketing esportivo defendem ao identificar os aficionados pelo futebol como a razão de existir da modalidade e que, consequentemente, o torna o principal esporte do planeta.

Apesar de o primeiro parágrafo ser óbvio para muitos, percebemos que a máxima não é tão simples quanto parece para a grande maioria dos clubes. Reportagem recente publicada pelo Portal Terra vem a reboque para sustentar esse tipo de argumento – e, embora trate da Série B, percebemos que alguns clubes da primeira divisão não fogem muito à regra…

No texto de André Donke e Emanuel Colombari aparece a clara relação entre resultado esportivo como fator preponderante para atração de público. De fato, a performance em campo é sabidamente o motor para a lotação de estádios e para a formação de uma nova geração de torcedores, mas a manutenção de um público médio (basal) em todos os jogos é fruto de um trabalho de marketing e da oferta de conforto para os torcedores-consumidores.

A reportagem também discute como deveria começar um ciclo virtuoso para atração de público fiel aos estádios, que sempre acaba pendendo na balança da contratação de jogadores para ganhar no “domingo”, ou seja, a busca constante de resultado imediato sem um mínimo planejamento. Na realidade, é a soma de inúmeros fatores relacionados com a gestão, o marketing, o aspecto cultural e o futebol que pode ser capaz de formar uma base significativa de fãs de um determinado clube.

Contudo, como só um clube pode chegar ao lugar máximo em cada competição, a pergunta que fica é: os outros ficam sem público? O fato é que a construção de estádios no Brasil passa por decisões muito mais emocionais do que propriamente racionais. Prevalece a quantidade de gente dentro do equipamento em detrimento do conforto, que é um dos principais fatores de decisão das pessoas pela escolha de alguma modalidade de entretenimento. Vemos algumas cidades com estádios com capacidade de público maior do que a quantidade de interessados por futebol naquela região.

Lembro-me do cinema, que até a década de 1990 e início dos anos 2000 sofria com a baixa taxa de ocupação de suas salas por ter espaços grandes, desconfortáveis e inseguros. A mudança para lugares menores, prezando sobretudo pela qualidade de atendimento ao cliente, acompanhado naturalmente por um aumento significativo do preço do ingresso, fez com que as mesmas ganhassem em valor, público e receita, como pode ser observado na tabela a seguir:

Análise do Cinema Brasileiro

 

* Valores originalmente estimulados em US$. Usou-se a seguinte taxa de conversão: US$ 1 = R$ 1,60

Para finalizar, o que pretendo com esta coluna é alertar o “coitadismo”: quando algum dirigente resolve montar uma equipe para ascender às principais divisões do futebol brasileiro, sem uma estrutura de torcida ou relação forte com a comunidade local, ele assume o risco de não ter público em seus jogos e ponto final. Ou oferece uma boa oportunidade de entretenimento, diferenciada em relação a outras opções na cidade, ou então terá que buscar receita em outras fontes, como patrocínio, investidores, venda de jogadores e por aí vai…

Para interagir com o autor: geraldo@universidadedofutebol.com.br

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