Atleta inteligente: por que a formação tem tanta importância

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A primeira imagem que surge quando alguém fala sobre um atleta inteligente é alguém que saiba se expressar e ostente uma trajetória acadêmica de sucesso. E quando o assunto é o desempenho esportivo, a inteligência é muitas vezes abordada como uma valência natural, comparável ao talento, característica resultante de um conhecimento empírico altamente desenvolvido. Mas será que a inteligência é só isso?

Apesar de ser um conceito abstrato e de acepção extremamente abrangente, a inteligência não pode ser admitida apenas como a capacidade de falar diversos idiomas ou a quantidade de informações culturais o jogador consegue reter ao longo de sua vida.

A inteligência se manifesta em campo e fora dele, nas mais variadas situações da vida do atleta. Portanto, um atleta inteligente é uma pessoa preparada para ter uma visão diferente sobre o mundo em que está inserido. Trata-se de uma pessoa com senso crítico aguçado e que tenha grande domínio sobre o conhecimento independentemente do ambiente.

Portanto, a formação de um atleta inteligente não pressupõe apenas o fomento da participação nas aulas, a exigência de bom rendimento escolar ou a pressão por diplomas e titulações. Tampouco representa um processo imutável, inerente à própria natureza humana.

Formar um atleta inteligente é capacitá-lo para resolver problemas, seja dentro ou fora do ambiente esportivo. E para isso, é fundamental abandonar o conceito tecnicista de treinamento, de réplica de movimentos e ações. O jogador deve entender cada um de seus gestos para ter a chance de tomar decisões sobre qual utilizar em dado momento.

“A inteligência pode ser vista sob vários ângulos, e a formação de um jogador inteligente é torná-lo mais capaz para as situações que ele vai encontrar durante sua vida. É um processo longo e demanda uma atenção especial com o lado humano desse atleta”, explica João Paulo Medina.

O lado humano, aliás, é um componente que deve ganhar espaço no futebol durante as próximas temporadas. Inicialmente, o desenvolvimento físico foi a principal prioridade do modelo de treinamento adotado na modalidade. Depois, quando essa valência se equiparou, os clubes começaram a investir no condicionamento psicológico.

Quase sempre, porém, os jogadores são abordados simplesmente em seu ambiente de trabalho e não existe uma preocupação com o global. Como disse o filósofo português Manuel Sérgio, “o futebol é um jogo entre homens e as ciências que melhor o explicam são as humanidades”.

“O jogador é como uma flor: se não for regado e cultivado, vai acabar murchando. E esse incentivo é uma preocupação especial com o lado humano dele. Antes de ser um atleta, ele é uma pessoa que pensa e tem sentimentos. Tudo isso deve ser considerado no processo de preparação de equipes”, pondera Jürgen Klinsmann, ex-jogador e ex-treinador da seleção da Alemanha.

Parreira lembra que o fomento da criação de jogadores inteligentes é um processo que vai além de uma mudança paradigmática na pedagogia: “O Brasil é abençoado porque a fábrica não pára. É uma questão até sociológica, já que todo garoto tem a ambição de ser jogador de futebol. O que nós precisamos é aproveitar essa profusão de talentos e capacitá-los”.

A visão de alguns profissionais sobre a importância da formação dos atletas já é um primeiro passo na direção dessa mudança paradigmática. A corrente que ainda resiste no esporte atualmente é o pensamento tecnicista, baseado na repetição de movimentos e na estruturação mecanizada.

“Muitas vezes ficamos preocupados em ensinar um determinado fundamento para os jogadores, mas esquecemos que o que ele precisa é entender o jogo. É por isso que muitas vezes o capitão ou o melhor atleta não é necessariamente o melhor treinador depois que se aposenta”, teoriza o treinador Vanderlei Luxemburgo.

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