Universidade do Futebol

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27/08/2015

Bola nos pés e livro nas mãos, objetivo de formar para transformar

Filosofia de trabalho criada há 50 anos pelo professor, treinador, advogado, psicólogo, escritor e poeta, José Rossi, um visionário, idealista seguro em suas convicções, que nos deixou um grande legado educacional e esportivo com bases na cidade de São Bernardo do Campo, e teve influência impactante na minha vida e na formação de centenas de jovens.

Nosso objetivo aqui é trazer uma reflexão sobre a formação de nossos jovens, seja como cidadão ou esportiva. Mais uma dentre tantas que não esgotam nem delimitam discussões sobre as mais variadas interferências que atuam nestas formações.

Desta vez, não nos aprofundaremos nas questões físicas, técnicas, táticas, porém abordaremos muitas outras tão importantes quanto, que bem ajustadas, conscientes e desenvolvidas interferem positivamente em todo o processo. O elemento norteador principal, abordado em questão, é o ser humano seguido pelo jogador de futebol. Se ambos forem desenvolvidos juntos, pode-se alcançar uma boa aprendizagem esportivo-educacional, entretanto, os que alcançam tal aprendizagem, podem tornar-se capazes de influenciar de forma positiva o meio onde estiverem inseridos.

Porém, a realidade construída por um processo ineficiente, vicioso e imediatista geralmente não nos permite tal aprendizagem em sua totalidade. Primeiro o ser humano, depois o jogador de futebol. Não raramente se invertem as prioridades, ou seja, ser jogador de futebol de qualquer forma com todas as forças a todo custo, e se não der certo, depois em segundo plano vejamos como fica o ser humano e sua formação educacional como cidadão. Acreditamos que, uma boa educação seguida de conhecimento, é a base do ser humano que impreterivelmente é conquistada com leitura, pois é através dela que podemos aumentar o conhecimento, enriquecer nosso vocabulário, dinamizar o raciocínio, a interpretação e ter censo crítico. Através desta educação podemos desenvolver qualidades e competências que nos auxiliam bem em nossa vida social, em diversas áreas e ambientes como: família, trabalho, planejamento pós carreira e, principalmente, ao jogador de futebol no entendimento e assimilação de um futebol que se mostra cada vez mais complexo e exigente na compreensão do jogo.

Cremos na transformação pelo conhecimento, “bola nos pés e livro nas mãos”, não é somente uma frase e sim uma filosofia de trabalho necessária, que poderá potencializar uma transformação no pensar futebol através de uma visão sistêmica e, sobretudo, uma transformação social. Mudanças necessárias para a evolução e desenvolvimento de nosso futebol também passam pela educação e cultura de todos os envolvidos nesse universo. Porém, nossa realidade nos mostra o quanto devemos melhorar, sobretudo, na área cultural.

Estudos mostram que o brasileiro lê apenas um livro ao ano. Uma pesquisa realizada pelo Instituto Pró-Livro revela que a média de leitura da população brasileira é de apenas 1,3 livros por ano, segundo a bibliotecária Wilma Nóbrega percentual abaixo da Colômbia, com 2,4. Esse número é considerado baixo, em comparação com outros países, a exemplo dos Estados Unidos, cuja média anual é de 5,1 e a França, tem uma das maiores médias, com sete livros lidos por ano por pessoa.

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Além dos componentes voltados à formação física e técnica, os clubes deveriam ter uma preocupação com estrutura e condições para a formação educacional de seus atletas, realmente com o foco no ser humano, no cidadão. Dificilmente uma criança ou jovem não tem o sonho em ser jogador de futebol, porém muitos são os obstáculos e adversidades que interferem nesta realização e a maioria não consegue seu objetivo. Como administrar esta decepção ou frustração se não estiver devidamente preparado para tal?

A nossa preocupação na base tem sido a categoria sub-20. É esta que precisa ter um olhar especial já que é uma faixa etária de transições e definições, pois a categoria sub-20 pode ser o fim de um sonho com mudança de rota, ou para quem passar pelo funil, o começo de uma carreira como jogador profissional que sem dúvida será muito difícil.

Nesta categoria o atleta encontra-se numa zona cinzenta com muito mais competitividade, um verdadeiro funil onde o mercado proporciona poucas vagas para uma demanda extremamente desproporcional. E, se até os 20 anos de idade o atleta não se tornou um profissional, com 21 anos ele já não pode mais atuar como amador.

Ao analisarmos as informações constantes no site da Federação Paulista de Futebol, referente à Taça São Paulo, podemos verificar o seguinte: dos três últimos anos da competição, poucas são as equipes que conseguem manter os mesmos atletas por 2 ou 3 anos, ou seja, há uma rotatividade muito grande nos elencos sinalizando descontinuidade. Em um universo de 2.600 atletas poderíamos ter mais revelações e jogadores prontos para o profissional. Onde estão os jogadores que não foram aproveitados? Estão tendo suas oportunidades? Em um momento de definição e transição da categoria juniores para a profissional, estão sendo avaliados de forma coerente para serem dispensados ou promovidos?

Enfim a história, os números, as poucas revelações apresentadas neste panorama nos fazem repensarmos se as categorias de base e suas competições, sobretudo a Taça São Paulo, estão sendo eficientes e estão atingindo os objetivos (que não devem ser só o esportivo), ou seja, em quem de fato estamos formando nossos jovens?

Existem clubes que em suas categorias de base incentivam a frequência escolar e outros colocam isso até como uma condição para que o atleta possa jogar e participar dos campeonatos, porém geralmente este olhar vai até a categoria sub-17 ou 18 onde se subentende que o atleta finalizou o ensino médio. Infelizmente, não encontramos registros sobre este assunto nos apontando quantos clubes realizam este trabalho, mas sabemos que são poucos, a maioria que não realiza possuem menos estrutura e recursos.

Nesta edição da Taça São Paulo de 2015, abordamos algumas equipes e atletas com o objetivo de saber como tem sido feito o trabalho do clube na questão educacional e qual a situação escolar dos atletas, com 18, 19 e 20 anos, que já poderiam ter finalizado o ensino médio e/ou cursando uma faculdade, porém a realidade esta um pouco distante disto. Sabemos que é difícil conciliar treinos, viagens e estudos e muitos quando se tornam profissionais abandonam os estudos. E como será para aqueles que após os 20 anos não se tornaram jogador profissional? Estão preparados para enfrentarem a vida, sobretudo profissional fora dos gramados?

Existem realidades e cultura diferentes de outros países, como os Estados Unidos onde em vários esportes o atleta primeiro entra em uma universidade para depois aderir á profissionalização.

Por outro lado, em todos os lugares onde se utilizam o futebol como ferramenta educacional, devemos ter através desta educação profissionais/educadores capacitados com experiências e conteúdos preparados para ensinar além do futebol, ensinamentos para a vida, abordando temas como: alimentação, saúde, meio ambiente, valores morais, entre outros.

Se não conseguirmos transformar nosso futebol, nem formar jogadores de futebol, ao menos teremos uma sociedade melhor construída por pessoas que através do futebol puderam ser transformadas adquirindo educação, cultura e conhecimento.

* Graduado em Educação Física pela Universidade de Mogi das Cruzes, Pós-Graduado em Futebol pela USP, Gestor Esportivo e ex-atleta de futebol.  

Comentários

  1. demetrius funari disse:

    jose rossi foi meu treinador em sao bernardo do campo era um pai para nos, tenho este livra estou nele .hoje estou em pitangueiras sp tudo que eu aprendi com ele no esporte e no valor de estudar passo aos meus filho principalmente a leitura . so tenho a agradecer este homen . sou demetrius funai

  2. Clemente Quintana Martinez disse:

    Seu como o chamava mós era um pai para todas aquelas crianças vindas dos mais diversos bairros de São Bernardo do Campo cada qual com sua problemática social familiar , é sua preocupação em si não era a formação do jogador de futebol que é o sonho de todo menino na sua terna idade mas sim de formar o homem que se despertava dentro de cada um participei por muitos anos nas escolinhas l e na seleção de futebol do município e até hoje agradeço a todo o aprendizado recebido por esse ser elevado que tive a felicidade de conviver e ser seu aluno hoje sou espírita fundei uma casa espírita que nos dedicamos ao auxílio de moradores em condições de rua famílias carentes e desempregadas, fazemos o trabalho de evangelização com jovens e crianças chegando a 1000 atendimentos mensais e muita das coisas que passamos a esses jovens têm suas raízes nas escolas de futebol ministradas pelo Seu Rossi como assim carinhosamente o chamávamos estou em Itatiba interior de São Paulo saudades de todos os companheiros que faziam parte daquele grupo Andorinhas muita gratidão a todos Clemente Quintana Martinez (Espanhol)

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