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O pacote econômico lançado pelo presidente dos EUA, Barack Obama, há poucas semanas, e apoiado pelo Congresso Nacional, previa, inicialmente, a implementação da cláusula “Buy American”, cujo principal objetivo era estimular a economia nacional e, ao mesmo tempo, impedir qualquer compra de insumos e produtos estrangeiros, vinculados aos segmentos financiados pelo plano. 

Felizmente, para o livre comércio mundial, regulado pela OMC, esta medida não prosperou, haja vista que o estímulo estava revestido de protecionismo comercial.

Falemos de futebol.

Muito se discute sobre a viabilidade dos campeonatos estaduais. Críticas negativas, em sua maioria, especialmente quando os grandes clubes encontram-se envolvidos em outras competições nacionais e internacionais, sob um calendário anual bastante intenso – em que pese ser um período importante para entrosamento das equipes, surgimento de novos talentos e planejamento geral da temporada.

Entretanto, não se pode culpar a falta de êxito dos estaduais pelo excesso de importância dada pelos clubes às demais competições, como a Copa do Brasil e à Libertadores da América. A concorrência é intrínseca, nesse caso. Sem sequer mencionar as transmissões de TV das ligas européias que batem à porta dos fãs (Champions League, Uefa, Italiano, Espanhol, Inglês, Alemão…). 

Tome-se como exemplo o Campeonato Gaúcho. É uma competição bem organizada, já há alguns anos, com fórmula de disputa enxuta e conseqüente presença de clássicos regionais, além de oferecer visibilidade e valorização aos patrocinadores e apoiadores, com a necessária participação da TV (aberta e no sistema pay-per-view). A Federação Gaúcha, os clubes, os patrocinadores e os torcedores ajudaram a forjar esta realidade e lhe dar continuidade.

O mesmo ocorre, paradoxalmente, no Rio de Janeiro. Enquanto os clubes se alternam nas dificuldades para escapar de posições medianas e, até mesmo, do rebaixamento no Campeonato Brasileiro, o Campeonato Carioca tem sido exitoso, pelas mesmas razões apresentadas no “Gauchão”.

Por outro lado, no estado de São Paulo, os últimos campeonatos têm sofrido um desgaste, no que concerne à ausência de clássicos em jogos decisivos, com conseqüente desinteresse do público nos estádios e, até mesmo, na TV, bem como alguns clubes pouco competitivos técnica e financeiramente que tornam a tabela de jogos inchada. Ainda pior se considerarmos, por exemplo, São Paulo e Palmeiras disputando a Libertadores. Como bem disse uma vez meu amigo Oliver Seitz, “muito futebol mata o futebol”.

No Estado do Paraná, que, neste ano, com base em um novo acordo com a TV, sinalizava para uma retomada de crescimento, eis que surge algo absolutamente impensável numa atividade que atrai muito dinheiro e interesse geral: o regulamento da competição nasceu como uma aberração. Para resumir a bagunça, o clube melhor colocado da primeira fase tem o “supermando” dos jogos no octogonal final – jogará todas as partidas em sua casa – o que criou descontentamento geral entre os clubes e ameaças envolvendo STJD e Justiça Comum.

Infelizmente, nesse caso, o foco são os problemas, não a grandeza dos eventos – o que prejudica o relacionamento entre os clubes, federações, patrocinadores e TV, bem como o próprio público amante e consumidor do esporte. Instabilidade contratual e investimentos não combinam…

Recentemente, uma pesquisa encomendada pelo maior grupo de comunicação do Paraná visou traçar o panorama geral do contingente de torcedores dos distintos clubes no estado.

Resultado: a maior torcida, com certa folga, foi a do Corinthians, do estado vizinho, São Paulo. Muito bem cotados na capital e no norte, estão o São Paulo, Palmeiras, Santos, além de Grêmio e Internacional, em especial no sul e sudeste do estado.

Essa pesquisa foi apontada como o fator que impulsionou a transformação no J. Malucelli, clube de família tradicional por aqui, no Corinthians Paranaense, por um lado, e reações indignadas, por parte dos que “exigem” que os habitantes do estado sejam torcedores dos clubes locais – jornalistas, torcedores, cronistas, políticos.

Já no Rio Grande do Sul, outra pesquisa realizada pela consultoria Nielsen em 2008, e veiculada na revista Veja, sobre o hábito de consumo da população em diferentes segmentos, evidenciou o contrário: os gaúchos dão preferência aos produtos nativos, autóctones. Não à toa, empresas como Magazine Luiza, TIM, AmBev, Wal-Mart e Carrefour compraram empresas locais, para “ser” gaúcha, ou direcionaram as estratégias de marketing para “parecer” ao menos.

Conseqüências: simpatia das comunidades onde atuam e maiores vendas, inclusive de produtos fabricados no estado.

Em outras palavras, a valorização do futebol dos campeonatos estaduais pode despertar o interesse do seu mercado consumidor, desde que impulsionada por uma mudança de cultura administrativa surgida e estimulada entre todos os envolvidos em sua organização e execução. Vale dizer, em coordenação, não em subordinação de interesses.

Esta postura é que possibilitará um aumento da base de torcedores/sócios em âmbito regional, com aumento de receitas em direitos de TV, patrocínio, licenciamento e merchandising, com perspectiva nacional sustentável. 

Mudanças nesse patamar não são feitas de uma hora para outra, tampouco por decreto, ou por cláusulas impositivas do tipo “Buy Campeonato Estadual”.

Para interagir com o autor: barp@universidadedofutebol.com.br

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