Universidade do Futebol

Geraldo Campestrini

16/07/2014

Calma, calma. muita calma!!!

A “ressaca” pós-Copa nos deixa uma série de reflexões e projeções para o futebol brasileiro. E não é só a derrota de 7 a 1 para a agora tetracampeã mundial Alemanha ou os 3 a 0 sofrido diante da Holanda na disputa de 3º lugar. É o conjunto da obra do futebol brasileiro, que vem desde os projetos de formação de atletas, passando pelos clubes até chegar na ponta, que é a Seleção Brasileira.

Vi muita coisa sendo falada, desde “especialistas em generalidades das redes sociais” (a ironia é válida, pois tem muito “gênio” navegando na internet, cheio de razão, sem o mínimo de conteúdo analítico sobre o que é gestão do esporte e o que significa “futebol brasileiro”) até “grandes especialistas da crônica esportiva brasileira” (aqui, sem ironia!!!). Todos tentando apresentar fórmulas mágicas de sucesso, tendo como referência a Alemanha, que se tornou, merecidamente, o exemplo e o modelo global de gestão do futebol.

O fato é que o Brasil precisa encontrar seu modelo. Somos um país diferente em todos os aspectos, inclusive na organização política, econômica, social e cultural, que afetam diretamente na forma de gestão, operação e planejamento do futebol como um todo. E existem boas ideias para isso!!!

A intervenção estatal, como sugeriu o Ministro do Esporte Aldo Rebelo, causa arrepios. Não é esse o caminho. A CBF é e deve permanecer como entidade independente. Cabe ao Estado, se assim desejar, promover mecanismos para regulação fiscal e jurídica, mas jamais técnica-administrativa. Jamais.

Gostem ou não, a Seleção Brasileira é a Seleção da CBF sim, única entidade reconhecida como de administração do futebol no país pela entidade máxima do futebol, que, também, gostem ou não, é a FIFA. Este é o sistema esportivo formal e ponto final.

Mas como mudar o atual estágio de depreciação do futebol brasileiro? Tenho plena convicção que não é na força, mas sim na forma. Existem boas soluções para o desenvolvimento e o resgate do futebol brasileiro – elas já foram largamente apresentadas por bons especialistas da área, mas, às vezes, a forma de o fazer, não contribui para a aplicação mudança.

O que precisamos a partir de agora é o alinhamento tanto dos interesses técnicos (gestão, formação de atletas, clubes, competições, seleção etc.) quanto dos interesses políticos em relação à entidade de administração do futebol. Não adianta uma imposição de conceitos de lados opostos, que significa choque e, consequentemente, ineficiência ou mera estagnação. É preciso criar as sinergias que melhor se adaptem à realidade, tendo uma lógica mínima de planejamento.

Para compreender este último parágrafo, vamos a um exemplo recente: a saída de Mano Menezes do comando da Seleção Brasileira no início de 2013 foi o claro exemplo de choque ideológico entre o ambiente político com o técnico-esportivo. Mano Menezes, na minha percepção, vinha fazendo um bom trabalho (comentei isso à época com meus pares), que não necessariamente representaria conquista do hexa em 2014, mas significava uma reformulação do elenco que vinha se construindo ao longo dos últimos dois anos e meio. A mudança, pressionada pela opinião pública e por razões políticas, transformou completamente a filosofia de trabalho na Seleção, incluindo aí as seleções de base. O resultado é que saímos derrotados na Copa de 2014 e tendo que começar novamente do zero, rumo a 2018.

Quando o título desta coluna clama por “calma”, significa dizer que devemos ter sim paciência e sabedoria para compreender que as coisas no futebol não se transformam em um piscar de olhos. O tão sonhado resgate do futebol brasileiro irá demorar pelo menos uma década, com resultados conquistados no final deste processo, se todas as etapas forem bem construídas, sem atropelos.

E isso implicará em possíveis derrotas em duas ou mais Copas, sem necessariamente achar-se que os rumos estão sendo conduzidos de maneira equivocada. E se, por acaso, uma conquista vier logo na Rússia ou na Copa seguinte em 2026, também não significará a redenção completa. O caminho permanecerá longo e cheio de surpresas!!! Precisamos trabalhar, com consciência e… CALMA!!! 

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