Universidade do Futebol

Colunas

05/02/2019

Camisa Pesa

Milhões de reais envolvem os contratos de patrocínios nas camisas dos clubes e, neste começo de temporada, é tema recorrente na imprensa especializada

O Corinthians acertou patrocínios de milhões de reais, o principal deles por dezenas de milhões. O Palmeiras renovou o seu por mais dezenas de milhões. Também do ramo financeiro, um banco deixou de patrocinar o futebol profissional nesta temporada. A modalidade em seu alto nível é cada dia mais cara e precisa destas receitas como nunca antes. As receitas proporcionam, obviamente, equipes mais competitivas, que é o que a torcida quer. É por isso o tema bastante abordado pela imprensa, sobretudo neste início de temporada.

Nos clubes, os departamentos responsáveis correm atrás de anunciantes, mas nada é muito simples. A espontaneidade no acordo e a ativação dos patrocínios somente é situação distante. Há interesses econômicos e comerciais nisso tudo. E, claro, também políticos. De um lado, as organizações esportivas com um bom produto a ser oferecido. Do outro, os patrocinadores que enxergam um leque com inúmeras possibilidades. Entre os dois, a quantificação do valor do mercado: qual a credibilidade das partes envolvidas, dos torneios e o real tamanho destas possibilidades.

Na montagem, à esquerda Leila Pereira (Crefisa) e Maurício Galiote, Presidente do Palmeiras; à direita, Andrés Sánchez, Presidente do Corinthians e Ricardo Guimarães (BMG) (foto: Twitter Palmeiras e Sergio Barzagui/Gazeta Press)

 

Atualmente os títulos de um clube não garantem exclusivamente a credibilidade de uma organização esportiva. Antes deles, considera-se a idoneidade dos membros envolvidos na sua direção, a responsabilidade social que possui (as causas da sociedade em que o clube atua) e a quantidade de pessoas alcançadas (não em número de torcedores, mas de torcedores envolvidos com as causas do clube). Sem falar da identidade e em como o clube a comunica.  

Uma das análises sobre a importância na discussão do tema é que, além de o futebol ter ficado caro, os clubes brasileiros não possuem marcas mercadologicamente fortes e precisam muito destas receitas vindas com anunciantes nas camisas. Essa desvalorização é resultado de décadas de gastos irresponsáveis e ações nem um pouco profissionais por parte dos gestores do esporte. Entretanto, isso começa a querer mudar. Tal mudança só será observada através de profissionalismo e transparência. Por profissionalismo entende-se não apenas remunerar alguém, mas este alguém ser ético nas ações; atuar em equipe que trabalha com método para atingir os resultados a serem alcançados. Simultaneamente a credibilidade é concedida à instituição e, com isso, a marca tende a ser forte, capaz de atrair muito mais recursos, não apenas anunciantes de camisas.

Portanto, a camisa vai ser muito mais pesada quando o trabalho do clube tiver propósito e valor, método e transparência na execução do que fora proposto para cumprir com o objetivo dele. Já que, convenhamos, o esporte e a instituição são muito maiores do que um departamento – que opera sob enorme pressão – para arrumar patrocinadores.

 

Comentários

Deixe uma resposta