Campeonatos deficitários e a remuneração de árbitros

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A despeito da necessidade de uma administração profissional e condizente com a realidade financeira, os clubes de futebol sofrem pressão constante para a obtenção de resultados esportivos. Essa exigência os obriga a contratar funcionários do mais alto nível possível e investir em sua remuneração. Entretanto, essa lógica de mercado não serve para explicar o pagamento aos árbitros.

Os juízes e auxiliares recebem das federações. Mas ao contrário dos clubes, que investem em profissionais mais gabaritados apesar dos problemas financeiros, o pagamento de árbitros está diretamente relacionado ao superávit das competições.

Essa situação ficou evidente, por exemplo, no Campeonato Cearense de 2008. A Comissão Estadual de Arbitragem do Ceará procurou a mídia para dizer que os juízes não estavam recebendo corretamente para trabalhar na competição. A situação despertou preocupação até nas equipes – o Fortaleza publicou uma nota de solidariedade aos juízes e repúdio aos problemas financeiros em seu site oficial.

“Eles [árbitros e auxiliares] estão tirando do próprio bolso para pagarem as despesas. Quando vão apitar jogos em outras cidades, os custos de transporte, hospedagem e alimentação também são pagos por eles. E ninguém nos falou nada sobre o motivo de tanto atraso”, disse o Coronel Afrânio Carvalho Lima, presidente da Comissão Estadual de Arbitragem de Futebol do Ceará, em entrevista ao Diário do Nordeste.

A versão foi contestada pela Federação Cearense de Futebol. “Tivemos um atraso de quatro rodadas, o que dá mais ou menos duas semanas. E nas categorias de base, só quatro juízes e oito bandeiras deixaram de receber. Nós temos mais de 100 profissionais no nosso quadro”, lembrou Mauro Carmélio, vice-presidente da FCF.

A explicação de Carmélio para o atraso é que o Campeonato Cearense de 2008 não tem produzido receitas suficientes para o pagamento dos árbitros: “O estádio Presidente Vargas, que recebia a maioria das partidas, foi interditado no início deste ano. Os jogos aconteceram no Castelão, que é mais afastado do centro e tem despesas maiores. Além disso, houve um aumento de 100% no preço dos ingressos. Tudo isso tem gerado partidas com menos público”.

O caso pontual do Ceará neste ano serve como base para uma discussão sobre a remuneração dos árbitros. Se a categoria não é profissional, quem garante os direitos e os salários dos juízes e auxiliares?

“Um árbitro do quadro da Fifa ganha R$ 2.500,00 por partida no Campeonato Brasileiro e R$ 2.200,00 por partida no Campeonato Paulista. Os auxiliares recebem metade disso. A média salarial dos juízes é de R$ 4 mil a R$ 5 mil por mês durante as competições. Mas só durante as competições”, disse Marcos Marinho, presidente da Comissão de Arbitragem da Federação Paulista de Futebol.

* Colaboraram Bruno Camarão e Rubem Dario

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