Universidade do Futebol

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05/07/2015

Capítulo VI – Conheça o cotidiano de um jornalista e descubra quais são suas rotinas diárias

No capítulo anterior mostramos a importância do “assessor pessoal”, tanto para o clube quanto para o seu cliente. Analisamos os fatos, na qual sabendo trabalhar de forma coesa, ambos os profissionais podem se ajudar, e com isso todos saem ganhando, entre eles: jornalistas, público-alvo, assessorados e assessores de imprensa. O objetivo é melhorar o relacionamento entre jornalistas x assessores de imprensa.
Sendo assim, neste capítulo iremos mostrar o cotidiano dos jornalistas, dando enfoque para os profissionais que cobrem e atuam no ramo esportivo, mais precisamente no futebol. Quais são as suas principais funções e tarefas? E de que maneira podem exercer o seu papel de forma correta, sem faltar com a ética e os princípios básicos de um bom comunicador.

Assim como em toda a profissão, a rotina e o planejamento diários são necessários ao jornalista. A organização de tarefas, a preparação para o trabalho e estar interado com o que acontece a sua volta, fazem parte dos quesitos básicos dos deveres de qualquer profissional que trabalha com o jornalismo.

Os jornalistas que cobrem os clubes de futebol precisam ter a noção do que vão desenvolver. Para colaborar com esse preparo, é necessário que haja complementos de informações como horários e dias de treinos e jogos, os campeonatos que determinado clube vai disputar e todas as informações necessárias de atletas, comissão técnica e das campanhas passadas do time nos torneios. Os assessores de imprensa auxiliam os repórteres a cumprirem o papel de informar o público sobre o que se passa nos seus clubes.

Ser jornalista é não ter horários fixos de entrada e saída, assim como feriados e finais de semana. Até mesmo quando estão de férias, eles ainda estão ‘cobrindo’ ou correndo atrás de informações. No jornalismo esportivo esta questão é ainda mais evidente. Embora tenham seus horários para realizarem a cobertura de treinos e jogos, eles mantêm contatos com fontes ligadas diretamente ou indiretamente com os clubes ou jogadores/técnicos.

Com os veículos do rádio, televisão, impresso e a internet à disposição, torna-se ainda mais obrigatório ao jornalista, independente do meio de comunicação em que trabalha, manter-se informado, interado e descobrir informações ligadas ao que é noticiado de ‘praxe’. 

Diferentemente do que era feito há 20 ou 10 anos, quando as informações eram atualizadas em questão de dias, ou de horas, hoje graças a internet e a televisão, com o surgimento de canais noticiosos 24 horas por dia, elas são ‘renovadas’ em questão de minutos. No jornalismo esportivo, o período que a notícia fica exposta é mais efêmera e pode ser alterada em instantes. Para isso, se manter informado, acompanhar tudo o que circula de notícia, fazer a apuração correta, ter um grande número de fontes e noticiar o que acontece faz parte do cotidiano do jornalista.

Boa parte das vezes, a cobertura dos jornalistas esportivos não começa logo quando ele chega à redação do seu veículo de comunicação. Seu trabalho pode começar no dia anterior, ou seja, o que acontece neste dia já deve ser pensado para ser publicado no dia seguinte. A pauta não é trabalhada logo na sua chegada ao local de trabalho e sim na reunião, com o editor e sub-editor de esportes feita no dia anterior.

A orientação passada aos repórteres é que não se limitem ao que as assessorias de imprensa dos clubes fornecem através dos releases. O que os assessores passam serve de complemento ou de uma base para que a informação possa ser executada e publicada. O que os jornalistas devem fazer é buscar, mesmo que por outros caminhos, matérias consideradas boas, quentes e diferentes.

Mas é evidente que para conseguir realizar boas reportagens e obter um bom número de contatos confiáveis, é necessário que o relacionamento entre os jornalistas e os assessores de imprensa, sejam eles de clubes ou pessoais dos jogadores e técnicos, seja mantido bom ou profissional. Afinal, quanto melhor for o relacionamento entre os repórteres e os assessores, mais facilidade haverá na busca por boas fontes.

Pauta

Para se executar uma matéria é indispensável a presença da pauta. Ela é um roteiro para a reportagem, e levam em conta as peculiaridades de cada veículo. No caso do jornal impresso, as pautas são definidas levando-se em conta, que a matéria será publicada no dia seguinte.

Já no rádio e TV, as pautas são acertadas no começo do dia e irão ao ar, durante a programação. Mas, além do curto tempo, o repórter destas mídias precisa estar pronto para entrar no ar e fazer os seus links. Enquanto que, na internet, a pauta é tratada na mesma hora e a informação é sempre atualizada. Sem contar, que outros assuntos aparecem a cada minuto.

Geralmente, a pauta é discutida entre o repórter que irá fazê-la em conjunto com seus editores. A conversa entre ambos é fundamental para ajudar o jornalista a enriquecer a pauta, através de caminhos a serem buscados e fornecendo algumas fontes para que a matéria seja executada.

Cobertura

Definida a pauta é a hora do repórter sair em direção ao clube que vai cobrir, seja ele setorista, o que freqüenta diariamente o local, ou não. Junto com ele, sua equipe de reportagem para dar o suporte para a publicação da matéria. No caso do impresso, além do jornalista, precisa do fotógrafo para que tire as fotos dos treinos ou dos jogos. Já no rádio e na TV, acompanham o repórter, a equipe de montagem das câmeras de televisão ou do rádio e os camera-man, para quem trabalha com a TV.

Na chegada ao clube ou ao estádio que vai cobrir o treino ou a partida, é necessário efetuar um credenciamento permitindo o acesso ao trabalho jornalístico. Após isso, são feitas todas as instalações necessárias e os testes para garantir que estão funcionando os equipamentos de trabalho dos jornalistas, no caso dos eletrônicos, se necessários. Existindo problemas, o clube pode dar o suporte aos veículos de comunicação para que haja o funcionamento.

Depois, cada repórter fica no local reservado a ele nos Centros de Treinamento ou nos estádios e realizam a cobertura. Enquanto os fotógrafos e camera-man ficam ao redor do campo, os repórteres estão em locais estratégicos que permitam a visualização do que está havendo e vão descrevendo ou tomando notas. No caso do treino existem as salas de imprensa.

Já durante os jogos, a área da imprensa é dividida entre os locais de transmissão de rádio e os de TV, enquanto que os repórteres ficam perto do gramado, relatando informações do campo e a busca de entrevistas antes da partida, no intervalo e após o jogo.

Entrevistas

Para fazer uma boa reportagem, é necessário que os entrevistados estejam cientes do assunto que o repórter está tratando.

É necessário ao repórter ter os contatos dos assessores de imprensa dos clubes e dos assessores pessoais dos atletas e treinadores. Depois, quando a pauta for aprovada pelos editores, precisa fazer o agendamento com a assessoria para acertar as entrevistas que deseja fazer. Conseguindo a liberação dos assessores responsáveis, é agendado o horário e o local.

Se houver matéria de jogos ou de casos de polêmicas e crises, o repórter sempre vai ou pelo menos é bom ouvir os dois lados. Para que assim, a neutralidade seja posta e cada um coloque o seu lado da versão sobre o fato. Já, se for uma matéria que fale de uma coisa em específico envolvendo o clube, aí o jornalista vai atrás dos principais nomes.

O jornalista deve ter contatos entre técnicos e jogadores. Se houver a dificuldade de obter a liberação da assessoria de imprensa, o jornalista usa o meio do contato direto com estas fontes para preencher a matéria. Isso se deve a dificuldade imposta por alguns assessores.

O cenário ideal para uma entrevista é sem dúvida, quando o repórter está frente a frente com a sua fonte. É por meio dela que o jornalista pode fazer as suas perguntas sem a preocupação do tempo e consegue extrair da sua fonte declarações e quantidades interessantes de informações. Mas, caso não exista a possibilidade de realizar a entrevista no local, os recursos do telefone e da internet são utilizados.

Edição

Após as entrevistas feitas no dia, o repórter volta para a redação e parte para fazer a edição. Ela nada mais é, que o momento em que o jornalista ouve, reescreve ou assiste as partes mais importantes do que seus entrevistados falaram e as usa para construir sua matéria.

Depois disso, leva para o seu editor para que ele decida quais ajustes são necessários. No caso do jornalismo impresso, o repórter pode discutir com o diagramador a elaboração da página. Já nas outras mídias, somente os trechos mais importantes das entrevistas são usados e o que o repórter escreve ou fala para preencher a matéria é usado.

Os fotógrafos da área impressa e da internet, e os camera-mans, que trabalham no veículo televisivo, participam da edição para escolherem ou ajustarem as imagens da matéria que serão exibidas. Tudo isso para chamar a atenção do público nas reportagens feitas.

Confira abaixo, algumas das principais rotinas de um jornalista no seu dia-a-dia:

#Acompanhar os noticiários pelo rádio ou TV, através de celulares móveis enquanto chega ao seu local de trabalho;
#Ler o que é noticiado sobre o tema ;
#Olhar na lista de pauta o que vai cobrir ou que matéria terá de fazer. Em caso de veículos de televisão e de rádio, saber se fará participação nos links de programas;
#Após a matéria feita, participar das edições de escolha de imagem;
#Já no caso de rádio e da TV, fazer a seleção das escutas e das imagens para poder ser montada a reportagem antes de ir para o ar;
#Ter contatos de jogadores, técnicos, dirigentes, assessores de imprensa de clubes e os pessoais e das federações e confederações.
#No caso de entrevista pessoal com a fonte, marcar antes com o assessor de imprensa do possível entrevistado e agendar uma data para a realização da mesma;
#Participação da reunião de pauta sobre o que será trabalhado no dia seguinte, para o caso do jornalismo impresso. Já para as mídias radiofônicas, televisivas e da internet, a reunião pode ser feita pela manhã cedo;
#Participar do fechamento das edições dos jornais impressos e dos programas da TV e do rádio;
#Em dia de transmissão de jogos, a equipe que vai fazer este trabalho é, em média, composta pelo narrador, comentarista, e dois repórteres. Além dos responsáveis pelas instalações dos equipamentos e os profissionais radiofônicos, no caso de rádio, e os camera-mans, para quem trabalha com a TV;
#Fotógrafos ficam com a responsabilidade de fotografar as imagens dos treinos e das partidas. Após isso, realizar a seleção das imagens que irão para os jornais impressos ou sites esportivos;
#Como editores, receber as pautas das assessorias ou dos pauteiros. E reunir-se com os seus jornalistas para debater as pautas e ajudar no que for necessário, para que a matéria seja bem publicada.

No próximo capítulo iremos mostrar o cotidiano dos assessores de imprensa, dando enfoque para os profissionais que trabalham mais precisamente com o futebol. Quais são as suas principais funções e tarefas? E de que maneira podem exercer o seu papel de forma correta, sem faltar com a ética e os princípios básicos de um bom assessor de imprensa.

Até a próxima!!

*Jornalista formado pela Universidade Católica de Santos – UniSantos – e pós-graduado em Jornalismo Esportivo e Multimídias, pela Universidade Anhembi Morumbi.
Autor do livro “Manual de Assessoria de Imprensa Esportiva – Capítulo Futebol”

Leia mais:

Capítulo I – O desgastante conflito entre jornalistas e assessores de imprensa no futebol
Capítulo II – Jornalismo Esportivo x Assessoria de Imprensa
Capítulo III – A figura do assessor ganha cada vez mais importância no meio esportivo
Capítulo IV – Jornalistas x Assessores de Imprensa. A popularização do futebol é inevitável, mas como melhorar esse relacionamento?
Capítulo V – Assessores Pessoais x Assessores de Imprensa. Trabalhando juntos podem fazer toda diferença

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