Universidade do Futebol

GEPEFFS

13/07/2018

Características históricas e geopolíticas dos três adversários da primeira fase da seleção brasileira na copa de 2018

A Copa do mundo de futebol organizada pela FIFA é um dos eventos esportivos, senão o evento de maior relevância mundial sendo assistido em praticamente todos os países do mundo. O grande número de seleções participantes da competição (32 seleções de todos os continentes) faz ocorrer encontros entre equipes com diferentes culturas, tradições futebolísticas e características geopolíticas. Na Copa da Rússia o grupo do Brasil da primeira fase contou com seleções com histórias muito interessantes no aspecto futebolístico e geopolítico e isto motivou a elaboração deste artigo com a descrição de algumas características interessantes dos adversários da seleção brasileira na primeira fase.

 Suíça 

Os suíços estiveram presentes em dez das vinte Copas do Mundo já realizadas e suas melhores participações aconteceram nos Mundiais realizados em 1934, 1938 e 1954 quando só foram eliminados nas quartas de final. Mais recentemente, no Brasil, chegaram até as oitavas de final e foram eliminados pela Argentina quando perderam por um a zero, na prorrogação. Antes, em 2006 na Alemanha, os suíços foram eliminados também nas oitavas de final sem tomar nenhum gol, invictos, e tornaram-se os primeiros na história das Copas a registrar tal feito.

Tradicionalmente, a principal característica da Seleção Suíça é o forte sistema defensivo, ela estabeleceu um recorde de minutos consecutivos sem tomar gols em Copas do Mundo, na África do Sul em 2010 (somados os jogos da Copa de 2006). Na fase de grupos venceu a Espanha por um a zero e só sofreu um gol no segundo jogo contra o Chile, aos vinte e nove minutos da fase final da partida. Contudo, nos dias de hoje esta característica do futebol suíço parece estar mudando. A equipe atual, formada por muitos jogadores filhos de imigrantes de diversas partes da Europa e África, tem forte vocação ofensiva. Este fato pode ser um pequeno indício da influência da imigração sobre a cultura de um país.

Costa Rica 

Na última Copa do Mundo os costarriquenhos ficaram em oitavo lugar na classificação geral e saíram invictos da competição, algo extremamente relevante para um pequeno país com tradição no futebol recente. Na primeira fase da Copa passada eles estavam no chamado “grupo da morte” junto com o Uruguai, a Itália e a Inglaterra. Venceram os uruguaios, os italianos e empataram com a Inglaterra. Para surpresa da crônica especializada ficaram em primeiro lugar do grupo e só foram desclassificados nas quartas de final, nas penalidades máximas, pela Seleção da Holanda.

A Costa Rica é um país pequeno (com menos de cinco milhões de habitantes) da América Central conhecido pela beleza do seu litoral. Sua trajetória em Copas do Mundo é recente, se iniciando no mundial de 1990, na Itália, e de lá para cá só ficaram fora de três das oito Copas do Mundo que aconteceram. Uma característica interessante é a grande influência do futebol sul americano sobre seu futebol. Na primeira participação em Copas do Mundo o grande destaque foi o jogador brasileiro (nacionalizado costarriquenho) Alexandre Borges Guimarães. Este, 12 anos mais tarde foi o treinador responsável por levar o país em sua segunda participação em mundiais, fato que se repetiu quatro anos mais tarde na Copa da Alemanha em 2006. Na última Copa o seu treinador foi o colombiano Jorge Luis Pinto Alfanador.

Sérvia

Durante grande parte do século vinte a Iugoslávia foi uma das seleções mais exitosas da Europa e, quando desapareceu, a FIFA passou a considerar a Sérvia como herdeira de todas as conquistas daquela seleção. Isso mesmo que você acaba de ouvir, os sérvios por razões históricas representam um país que começou a desaparecer no início da década de noventa.  A Seleção da Iugoslávia disputou nove mundiais entre 1930 e 1998, sendo que na França foi representada por apenas duas das seis repúblicas que a formavam. Jogadores da Sérvia e de Montenegro, unidos, conseguiram classificar e defender, pela última vez, a já descaracterizada nação iugoslava. Os croatas, os eslovenos, os macedônios e os bósnios/herzegovinos já tinham sua independência reconhecida pela FIFA e, na ocasião, disputaram as eliminatórias com suas próprias seleções. Sérvia e Montenegro permaneceram unidas, enquanto seleções de futebol, até a Copa da Alemanha em 2006, mas em 2010 a Sérvia disputou, pela primeira vez, na África do Sul, um mundial como país independente. Os sérvios não passaram da fase de grupos e ficaram em vigésimo terceiro lugar na classificação geral da competição. Nossa adversária na Rússia não conseguiu se classificar para a Copa que foi disputada no Brasil, mas ficou em primeiro lugar do Grupo D das eliminatórias europeias. Importante acrescentar que a Sérvia é uma das maiores exportadoras de treinadores de futebol. Desde o ano 2000, vinte e três deles trabalharam com várias equipes da Liga de Futebol da China e com a seleção chinesa. Quem qualificou, pela primeira vez, a China para uma Copa do Mundo, em 2002, foi Velibor “Bora” Milutinovic, treinador admirado e muito popular naquele país. E, para finalizar, lembramos que onze treinadores sérvios estiveram presentes, com diferentes seleções, nas vinte Copas do Mundo realizadas até 2014.

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