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22/10/2019

Ciclo PDCA

A ferramenta de gestão que levou a Alemanha ao topo do mundo e pode ajudar o futebol brasileiro

No mundo contemporâneo, cada vez mais pautado pela tecnologia e focado na organização, o espaço para amadores está ficando cada vez mais restrito. E o futebol, por mais que muitos ainda insistam em refutar, se torna a cada dia que passa um negócio mais sólido, carente de gestores profissionalizados e com ampla capacidade de planejar, organizar e controlar processos para alcançar receitas e resultados mais abrangentes dentro de campo. Com isso, as mais variadas teorias e ferramentas da administração, que tanto auxiliam empresas a moldar e alavancar suas organizações para auxiliar a gestão mais responsável e inteligente, surgem para fazer com que o futebol acompanhe esta evolução também como negócio. Entre esses inúmeros mecanismos está o PDCA, ciclo criado pelo norte-americano Walter Shewhart e aperfeiçoado pelo conterrâneo William Edwards Deming, conhecidos como “gurus da qualidade”.

A ferramenta é formada por quatro letrinhas mágicas que significam Plan (planejar), Do (executar), Check (avaliar) e Act (agir). O mecanismo é focado na melhoria contínua e pode ser utilizado tanto para ações corporativas, quanto para organização pessoal e uso cotidiano. Em breve resumo, significa criar objetivos, identificar problemas que possam se tornar percalços neste circuito, executar o plano de ação, acompanhamento de resultados – ou de fracassos que podem acontecer – e, por fim, agir sobre estes pontos positivos ou negativos, corrigindo falhas e implantando melhorias na execução.

Neste momento você deve estar se perguntando: e o futebol se encaixa onde nisso? Pois bem, explicado o PDCA e seu funcionamento, a grata surpresa é que ele não é uma novidade no esporte bretão. O ciclo não só foi utilizado como é um case de sucesso, que resultou no processo de reestruturação do futebol alemão, desde as perdas da Eurocopa de 2000 e da Copa do Mundo Fifa de 2002, até o tetracampeonato mundial, em 2014, em solo brasileiro.

Apenas um ponto e um único gol marcado no Europeu de Seleções foi o sinal de alerta. Em parceria com o Estado alemão, a DFB (Deutschland Fussbal-Bund) então iniciou a reestruturação com um projeto de longo prazo (10 anos para se tornar uma potência novamente) e um plano de reformulação. Surgiu então a primeira etapa do ciclo de Shewhart e Deming: o planejamento. A Alemanha colocou no papel a estratégia de reformular seu grupo, criar mecanismos de observação e monitoramento de atletas, e apostou na força da sua base para moldar novos talentos que fossem devolver a hegemonia do futebol do país. Isso tudo aliou-se à mudança da característica do futebol do país, conhecido por um jogo bruto, robusto e mais força do que técnica. A mudança deste estereótipo foi um dos mantras da nova formação alemã.

Com a criação de 366 centros de treinamentos espalhados pelo país, iniciou o segundo processo do ciclo PDCA: a execução. Assim o país iniciou mudanças drásticas no seu elenco, oportunizando novos talentos na seleção principal, que elevaram os resultados já nas competições seguintes: terceiro lugar nas Copas do Mundo de 2006 e 2010, além do vice-campeonato na Eurocopa de 2008.

O processo de checagem foi minucioso, feito do desempenho de atletas dentro de campo nestas competições, como Schweinsteiger, Lahm, Podolski, Thomas Müller, entre outros. Além disso, o plano de ação contou com a melhoria e crescimento dos departamentos de observação e captação de atletas, e, claro, de análise de desempenho. Afinal, observar adversários também faz parte do planejamento.

A implementação do plano de ação alavancou os resultados, mas ainda faltava a cereja do bolo. Era então a hora de agir para obter o principal êxito do processo. Em 2014, no Brasil, o time chegou totalmente reformulado com relação às Copas anteriores. Com um trabalho intenso de marketing fora de campo, conquistou o povo brasileiro e, com uma organização dentro das quatro linhas, conquistou o mundo.

O ciclo PDCA é contínuo e a etapa de ação serve para pensar em novos planos. Isso, claro, virou regra novamente para os alemães pós-fracasso na Copa do Mundo de 2018, na Rússia, com uma eliminação precoce em um grupo relativamente fraco. Tanto que, o país manteve a estrutura da sua comissão técnica e iniciou uma nova reformulação no seu plantel principal, visando o novo ciclo que inicia com a Eurocopa de 2020.

O exemplo alemão foi o pioneirismo deste plano, tão pouco usado dentro do futebol, mas que pode agregar e muito para uma gestão mais eficiente e responsável dentro dos clubes e até mesmo de federações. Não é um exemplo único, visto que o PDCA pode ser executado mesmo que involuntariamente em ações pensadas, estruturadas e avaliadas. É mais uma ferramenta auxiliar, um princípio administrativo que pode e deve estar presente nas organizações. Tão próximos de abrirmos as portas para o novo com a flexibilização do formato clube-empresa no Brasil, é hora de nos prepararmos para fazermos um futebol cada vez mais sério e profissional, que tenderá a nos trazer bons frutos no futuro.

 

 

Comentários

  1. Tiago Amaral disse:

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