Universidade do Futebol

Eduardo Fantato

05/07/2011

Cobrar faltas tipo topspin, sidespin, knuckleball: isso é futebol?

Olá, amigos!

Li uma reportagem no portal G1 sobre um estudo das cobranças de faltas, tendo como tema central o jogador Juninho Pernambucano, do Vasco da Gama. A proposta foi realizada por Ken Bray, do departamento de Engenharia Mecânica da Universidade de Bath, na Inglaterra.

Não tive a oportunidade ainda de ler o estudo original, mas com base na matéria, podemos extrair um rico tema para debate e reflexão.

Em entrevista ao portal, o cientista relatou sobre os tipos de cobranças de faltas. E pelo que se percebe, a ciência identificou três variações de cobranças, assim classificadas:

Topspin: efeito que faz a bola realizar um movimento de subida e queda repentina; tal queda é responsável por fazer com que a gravidade ajude a bola a atingir uma mudança brusca de velocidade no movimento descendente.

Sidespin: efeito lateral na bola; a bola gira sobre um eixo vertical, movendo-se para um dos lados de forma incisiva.

Knuckleball: que praticamente não coloca efeito na bola (spin), o que chamaríamos no popular “futebolês” de chute “chapado”, reto; assim, a bola sofrerá apenas as forças aerodinâmicas, tendendo a se mover de forma imprevisível.

Nesse aspecto, as mudanças do material, de gomos e tecnologias aplicadas na construção da bola interferem bastante também.

Vimos que o estudo do futebol pode ser complexo e detalhado, mas para nós é imprescindível enxergar e visualizar como esse estudo pode ajudar no desenvolvimento do jogo. E talvez aí seja o ponto tão discutido por todos sobre a rixa “acadêmicos x profissionais”, a qual, pessoalmente, pode ser tanto para um como para outro uma vaidade exacerbada e prepotência, já que uma não é indissociável da outra.

Pois bem: se foram identificados esses três tipos de cobrança, podemos superficialmente lançar dois desafios para o desenvolvimento do jogo.

1. Como fazer para analisar tais variáveis e identificá-las nos perfis de cobradores de faltas adversários de forma a ajudar o goleiro de nossa equipe a ter uma intervenção mais precisa?

2. Como desenvolver formas de treinamento, respeitando as capacidades e habilidades de cada jogador, já que podem apresentar ou não competências para tais tipos de efeitos nas cobranças, para que nossos atletas sejam formados com possibilidades variadas de realizar as diferentes ações?

Desta forma, acredito que estaríamos fazendo o papel de integrar tecnologia, ciência e prática, e não ficarmos, como fazem alguns, criticando o estudo por não servir para nada; ou como fazem outros, que acham que essa é uma das maiores descobertas do futebol, sem sequer saber como isso de fato pode ser útil.

E mesmo assim não podemos encerrar a discussão (que não é breve nem simples) sobre esses dois desafios, porque como bem sabemos, não adianta ser um excelente executor desses três tipos de faltas sem o elemento tático primordial nesse momento, que é tomar a decisão de escolher a melhor solução.

Para interagir com o autor: fantato@universidadedofutebol.com.br

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