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Desde logo, recomendo a quem não assistiu ao filme “Com o dinheiro dos outros”, que inspira a coluna desta semana, que o faça, para ajudar na compreensão da realidade financeira de nosso futebol, num paralelo interessante.

No longa metragem, Danny de Vito interpreta Larry Garfield, um investidor inescrupuloso de Wall Street, especializado em adquirir o controle acionário de empresas à beira da falência.

Para Larry, a única coisa que interessa é o lucro: quanto maior e mais imediato, melhor. Seu apelido é “o Liquidador”, pois compra e liquida empresas que não estejam sendo extremamente lucrativas.

Larry, o Liquidador, quer comprar ações da fábrica dirigida por Gregory Peck no filme – com a intenção final de fechá-la, vender as máquinas, e usar o terreno em alguma outra atividade na qual possa lucrar mais. Milhares de trabalhadores perderão seus empregos? Sem problema, diz Larry, pois o compromisso dele é com os acionistas.

Clubes de futebol, no Brasil, são, em sua maioria absoluta, associações civis sem fins lucrativos.

Isso não significa que não possam perseguir fontes de receita planejadas e duradouras, bem como financiamentos com bancos ou investidores capitalistas. A pergunta não é por que, mas, sim, como isso é feito.

Nessa semana, fiquei surpreso ao ler no jornal Zero Hora que até o cantor Gabriel, o Pensador, é parceiro investidor do Inter e tem jogadores no elenco sub-20 do clube. Disse que gostou da brincadeira e quer ampliar seus investimentos.

Diversos são os exemplos do futebol sendo destino de investidores. O Banco BMG já declarou que organiza um fundo de R$ 50 milhões, voltado ao mercado de direitos econômicos sobre jogadores. O Coritiba seria um dos clubes beneficiados.

A Traffic já realiza este modelo de negócios junto ao Palmeiras. O Grupo Sonda também desenvolve negócio similar com Santos e Inter. LA Sports opera no Paraná Clube e no Avaí.

Existem fatores importantes para atração de investidores, seja qual for o ramo de atividade econômica – o futebol não foge disso. A gigantesca captação na Bovespa, realizada pelo Santander, traduz o grau de confiabilidade dos acionistas na gestão do banco, na sua história, no seu planejamento de curto, médio e longo prazo, além do contexto macroeconômico do país e a perspectiva de realização de lucros e conseqüente distribuição de dividendos.

Quando se investe num clube de futebol, particularmente nos ativos de mais rápida valorização (jogadores), espera-se obter lucro dentro de um prazo contratual estipulado.

Os clubes, em geral, estão numa posição financeira fragilizada e necessitam de financiamento para suas operações, direta (dinheiro) ou indiretamente (projetos co perspectiva de receita futura). Eis a margem de especulações e descaminhos.

O clube não almeja o lucro. Almeja a sustentabilidade financeira. O investidor visa o lucro.

A acomodação destes interesses e dos prováveis conflitos não é simplória. Mas quanto mais transparente e regulamentada for (contratualmente), melhor.

Quem faz o quê. Quem investe. Quem administra. Quem vende. O que se vende. Quando se vende. Como se faz tudo isso.

Para interagir com o autor: barp@universidadedofutebol.com.br

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