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17/07/2009

Como montar treinos de força para as categorias de base sem prejudicar o desenvolvimento dos atletas?

Um dos desafios dos profissionais que trabalham com a preparação das categorias de base é determinar a carga com que cada atleta deve treinar nos exercícios de força. Mais do que a individualidade de cada organismo, é importante ressaltar que os jovens que atuam nessas categorias, na sua totalidade, estão em formação biológica, no auge do seu desenvolvimento maturacional.

Por conta disso, é preciso que os responsáveis pelos treinos estejam atentos a cada um dos jogadores e estabeleçam intensidades diferentes de esforço para cada um deles, a depender das suas resistências e de qual categoria fazem parte.

“Antes de qualquer etapa, por meio de raio-x, teste de pêlos pubianos e outros exames, faz-se uma avaliação para saber qual é a carga que o jovem consegue suportar. A partir daí, estabelece-se um percentual dessa carga para que se busque o objetivo a ser alcançado”, disse Antonio Carlos Fedato Filho, fisiologista, coordenador e Sócio da Fedato Esportes, empresa de consultoria em ciências do esporte, é graduado em Educação Física e especialista em Fisiologia do Exercício pela Universidade de São Paulo (USP).

Com atletas das categorias mais baixas do que a sub-15, os exercícios de força devem praticamente inexistir durante a rotina de treino. Esses atletas devem realizar jogos e exercícios que os mantenha o máximo de tempo possível em contato com a bola para que isso torne-se algo normal o quanto antes. Já os jovens das categorias sub-15 e sub-17 receberão uma carga maior de treinamentos de força, mas sempre se levando em conta que essa fase da maturação do indivíduo será essencial na sua vida tanto como jogador quanto como pessoa.

Por fim, os atletas da categoria sub-20, a maioria já em fase final de desenvolvimento maturacional e de crescimento, recebem cargas muito semelhantes às aplicadas aos atletas profissionais. Porém, a padronização não cabe em nenhuma das categorias, já que cada organismo recebe o impacto do esforço de maneira diferente.

“Sem saber sobre as alterações biológicas é impossível montar a carga de treino. Além disso, conhecer a maturação do atleta pode determinar diferenças no desempenho físico de cada um deles”, comentou Miguel Arruda, livre docente e doutor em Educação Física pela Unicamp, e mestre, também em Educação Física, pela USP, em palestra dada durante o II Congresso Brasileiro de Ciências do Futebol, realizado no início deste mês, no Corinthians.

Mais do que simplesmente estabelecer qual é a carga com a qual os atletas trabalharão durante os treinos de força, os membros da comissão técnica das categorias de base precisam saber quando essa carga deve ser aumentada ou, até mesmo, reduzida. Nesse momento, é importante deixar claro que as essas alterações devem ser graduais e pouco traumáticas.

“O bom treinador é aquele que não realiza alterações muito bruscas na formação do atleta, a qual é composta pela formação geral e pela formação específica”, opinou Miguel Arruda.

Apesar de o futebol ser uma modalidade que, quando jogada em alto nível, exige muito da preparação física e do aspecto “força”, esse esporte é rigoroso naquilo que se refere à agilidade dos jogadores. Nesse prisma, o treinamento de força deve levar em consideração a máxima manutenção da velocidade e da agilidade, também.

“O treinamento de força de um jogador recebe a influência de muitas variáveis, uma vez que a força do atleta de futebol tem que ser funcional e não para a hipertrofia do indivíduo”, apontou o livre docente da Unicamp.

Outro aspecto que foi bastante discutido no II Congresso de Ciências do Futebol e que também foi citado por Fedato e Miguel Arruda é que, caso um clube não possua condições para realizar o trabalho de força com os seus atletas das categorias de base, é melhor que se treine a parte técnica do futebol.

Contudo, de acordo com esses profissionais ligados à modalidade, geralmente, nas categorias de base treina-se muito a parte física, negligenciando-se o fato dos garotos estarem em formação. Ambos alertaram para a questão de que o treino anaeróbio exagerado pode ser lesivo para os atletas a curto, médio e longo prazos.

Portanto, os jovens dos times mais novos devem ser vistos com bastante cuidado quando o assunto a ser tratado são os treinos de força. Isso porque, um exagero durante a fase de formação pode resultar em sérios problemas futuros, envolvendo músculos, articulações e ossos.

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