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10/05/2010

Como utilizar o Manual Muscle Tester System?

A avaliação e o acompanhamento periódico do equilíbrio de forças musculares atuantes principalmente na articulação do joelho do atleta de futebol durante uma competição pode se tornar um importante sinalizador na prevenção de lesões musculares. Entretanto, devido ao intenso calendário com a realização de simultâneos jogos no futebol profissional, não há tempo suficiente para a utilização de um recurso considerado “Gold Standart” pela comunidade acadêmica, visando a avaliação direta da força e potência muscular como no caso, por exemplo, da dinamometria isocinética.

Por ser um aparelho de alto custo e que exige do atleta uma alta capacidade de solicitação física, com contrações musculares concêntricas e excêntricas de máxima intensidade, torna difícil e não adequada a sua constante utilização.

Assim sendo, a utilização de outros recursos de mais fácil uso, como no caso do “Manual Muscle Tester System”, também conhecido como “Tensiômetro”, pode fornecer práticas e importantes informações sobre o “Peak de torque de força excêntrica” dos jogadores, no qual principalmente os músculos da cadeia posterior, como no caso do músculo bíceps femoral, que é muito solicitado durante a corrida e na etapa final do chute, necessita ser de alguma forma avaliado, com o objetivo de se comparar os resultados bilateralmente, assim como acompanhar o mesmo grupamento muscular ao longo do tempo de treinamento e após a realização dos jogos.

Durante o período das avaliações físicas no início da pré-temporada, a realização do teste com o “Tensiômetro”, que é um aparelho de fácil manuseio, devido ao seu pequeno tamanho, que cabe na palma da mão do avaliador, fornecerá importantes informações sobre o Peak de torque de força excêntrica de diversos músculos. As medidas devem ser efetuadas sempre bilateralmente e na mesma região contra-lateral, onde a demarcação feita anteriormente ao contato do aparelho, com o lápis dermográfico, facilita a leitura da medida no local correto.

A realização de um programa de alongamento ativo ou passivo, visando o relaxamento muscular pós-exercício, tem se mostrado muito eficiente na redução dos valores do Peak de torque de força excêntrica durante a fase de competição. O aumento progressivo da flexibilidade, observada durante os movimentos de flexão do quadril, é resultado da diminuição da tensão muscular dos isquiotibiais, o que pode estar relacionada à redução da medida do Peak de torque de força excêntrica encontrada nestes músculos.

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*Renato Tavares Fonseca é doutorando em Medicina do Esporte – UCA, mestre em Ciência da Motricidade Humana – UCB, pós-Graduado em Biomecânica e Futebol – UFRJ / ESEHA, graduado em Educação Física e Fisioterapia – UFRJ / ESEHA e fisiologista do Olaria Atlético Club

Contato: renatotf5@hotmail.com

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