Geaf

08/12/2007

Concepção de treinamento total

A grande dificuldade de todos os profissionais, principalmente os mais novos no trato com organização e controle de carga está justamente em estabelecer direções para o treinamento.

A fragmentação em excesso do treino em componentes na tentativa de controlar cada estímulo ou medir cada atividade de forma isolada resulta na perda no aspecto principal que é a modalidade em questão, ou seja, principalmente no que se referem à preparação física, nos tornamos profissionais do atletismo (aspecto funcional) e não do futebol.

Assim, o que realmente existe é que em muitos casos se prioriza a preparação geral ao invés de treino específico, minimizando os efeitos positivos na performance individual e coletiva.

O que se propõe com relação a este problema é a reorganização desta concepção mediante a síntese das áreas de conhecimento e a definição de direções treinamento.

É importante que o profissional, de qualquer departamento dentro do futebol de um clube, não se sinta único responsável por sua área de atividade. Todas as áreas estão conectadas: Não existe treino sem direção funcional, mesmo um treino técnico vai exigir um metabolismo específico à intensidade solicitada o que acaba com a concepção de “treino puro” como forma principal de trabalho.

E ainda, é inadmissível que mesmo um treino puro de qualquer capacidade motora esteja desprovido de consciência e importância competitiva com concentração e motivação.

Não podemos esquecer ainda que a contribuição fisioterápica (exercícios preventivos) para o treinamento pode ser mais rica do que uma carga de qualquer componente físico seja a curto ou longo prazo.

Com isso, justifica-se que a síntese de conhecimentos não se limita a relacionamento entre colegas de trabalho, mas também à aquisição de informações das diversas áreas por parte de cada profissional para determinantemente se construir uma estrutura interdisciplinar sólida.

Em relação ás direções de treinamento, FORTEZA (2006) levanta questões sobre o problema da distribuição de cargas e interconexão da carga de treinamento e considera que “os aspectos da preparação são muito genéricos e não possibilitam a atribuição de todo conteúdo específico da preparação.”

Desta forma para que haja eficácia na aplicação de cada conteúdo de trabalho é fundamental estabelecer direções funcionais e físico-motoras aproximando da forma de Forteza.

Esta proposta de organização é apenas um esboço do que se pode aplicar à realidade do futebol de forma eficaz. Não é necessário criar muitas variáveis para demonstrar organização. O importante é estabelecer estas direções em função de uma concepção global de trabalho.

Não existe o trabalho do preparador físico ou o trabalho do treinador, mas sim o trabalho de uma comissão técnica que tem uma linha de pensamento e trabalha em função dela em todos os momentos. O principal exercício para todos os profissionais interessados em trabalhar sob está concepção é aprender a não separar os treinos e sim buscar o máximo de possibilidades num mesmo trabalho específico. Submeter cada tarefa à proposta de jogo definida buscando adaptações específicas do atleta e do grupo.

Bibliografia consultada:

FORTEZA DE LA ROSA, Armando – Direções de treinamento: Novas concepções metodológicas- Rio de Janeiro – Editora Phorte – 2006

* Wladimir Braga é preparador físico do Clube Atlético Mineiro e membro do Geaf

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