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Triste, mas verdadeiro. O Brasil é, em muitos casos, o país da piada pronta, como costuma defender o brilhante colunista José Simão.

Neste fim de semana, a CBF protagonizou mais uma de suas jogadas de marketing sem consistência, planejamento e, sobretudo, legitimidade.

A entidade de administração do futebol brasileiro havia anunciado, em seu site, que apoiaria o Ministério da Saúde na campanha de vacinação contra o sarampo e a paralisia infantil.

Para isso, publicou um texto e imagens em seu site, como noticiado pelo portal Máquina do Esporte, afirmando que o personagem “Zé Gotinha” entraria em campo, pois ele era o verdadeiro “craque do Campeonato Brasileiro e da Copa do Brasil” e marcaria “um gol de placa”, “fazendo diferença nas partidas mais importantes de nossas vidas”.

Entretanto, o que se viu antes, durante e depois dos jogos oficiais? Nada. Perdeu-se uma valiosa oportunidade de se planejar uma comunicação consistente e de mobilização para todo o país em torno de uma causa social de grande relevância, bem como de se institucionalizar esta prática no seio da CBF, avançado sobre a superfície do mero marketing oportunista.

Seria também uma forma inteligente de relacionamento da CBF, dos clubes e do futebol brasileiro, enquanto instituição, para se aproximar das famílias, em especial das crianças e das mulheres, com a devida legitimidade inerente à importância da causa em questão.

A CBF já demonstrara visão limitada há algumas semanas, uma vez que afirmava que os investimentos na CONSTRUÇÃO de Centros de Treinamento espalhados pelo país dariam conta de atender aos propósitos do “Fundo de Legado da Copa”.

A FIFA, pois bem, acabou com especulações e determinou que os USD 100 milhões serão investidos na promoção do desenvolvimento para além da infraestrutura, futebol feminino e de base, assim como programas sociais e de saúde para comunidades carentes, focando especialmente nos 15 estados que não ofereceram Sedes para a Copa do Mundo.

E o mais importante: o financiamento, o monitoramento e o controle serão de responsabilidade da FIFA. As propostas e a implementação dos projetos serão de responsabilidade da CBF, com base em planos específicos enviados para a FIFA e aprovados pela mesma. Seguindo os regulamentos da FIFA, todos os fundos oferecidos dentro do projeto serão submetidos a uma auditoria anual central, realizada pela KPMG.

Ou seja, espera-se que o controle rigoroso da FIFA – de mesma natureza e intensidade que demonstrara ao cobrar do país a entrega da Copa do Mundo – evite a sangria deste fundo naquilo que de mais comum pode ocorrer, que são as obras.

Obras são o caminho escolhido para desvios, superfaturamentos e a falsa sensação de que se está “fazendo a diferença” para transformar e desenvolver a sociedade.

Nesse caso, o mais importante é a criação de projetos e programas regulares, com indicadores, metas e resultados quantitativos e qualitativos, cujo objeto seja relevante e possa integrar profissionais experientes e engajar as comunidades e a elas entregar boas práticas sociais transformadoras.

O problema é que, apesar do cofre e da chave estarem sob os cuidados da FIFA, quem controla a cancela de quais projetos serão aprovados e como serão executados ficará a cargo e critério da CBF.

Portanto, a falta de visão de longo prazo e a sede de poder de longo prazo sugerem que a gestão desse fundo será feita, por aqui, a conta-gotas, pois é melhor manter todo mundo no soro do que promover a cura do nosso futebol.

Na semana que vem, a conta-gotas, abordarei exemplos positivos de Inglaterra e Alemanha no que concerne à Responsabilidade Social Corporativa no futebol.
 

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