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30/01/2008

Cronologia da cinesiologia

A preocupação com o movimento não está apenas ligada ao esporte. Trata-se de um objeto de estudo extremamente antigo. No entanto, só depois de anos é que o movimento deixou de ser visto apenas como um fenômeno mecânico. Essa nova perspectiva deu origem à cinesiologia, que é um método de entender os processos e energias do corpo envolvidos em cada ação.

Na Grécia antiga, Hipócrates já utilizava o teste muscular para diagnosticar ferimentos neurológicos em soldados. No entanto, a gênese da cinesiologia está ligada apenas ao século XX, depois de um grande desenvolvimento no estudo da anatomia e da ação muscular.

O precursor da cinesiologia foi o quiroprático norte-americano George Goodheart, que aproveitou sobretudo os testes musculares feitos na primeira metade do século XX para criar as bases modernas do estudo do movimento a partir da década de 60. A ênfase dos trabalhos aproveitados por Goodheart é a tonicidade, que é o estado de contração básico dos músculos, sob diferentes condições físicas e emocionais.

A partir desses estudos, Goodheart começou a utilizar o teste muscular como método de diagnóstico na medicina funcional. Quando percebeu que estímulos causavam aumento ou redução da tonicidade muscular, o norte-americano passou a usar conhecimentos da medicina tradicional chinesa associados a reflexos naturais do corpo para criar métodos de correção de movimentos.

Usando o teste muscular, conhecido da fisioterapia para avaliar o tônus muscular, começou a aplicar também as descobertas de outros dois colegas, Terence Benett e Frank Chapman, sobre os pontos de reflexo neurovascular e neurolínfático, para restabelecer a normalidade no músculo através dos toques leves ou da massagem profunda.

A cinesiologia aplicada criada por Goodheart, contudo, encontrou uma grande dificuldade para ser difundida: o quiroprático só ensinava seu método em conferências feitas para um público extremamente pequeno. Por conta disso, os conhecimentos dessa área só foram difundidos de uma forma contundente a partir da intervenção do quiroprático John Thie, que publicou o livro “Touch for health” em 1973 e apresentou a cinesiologia ao público em geral.

O principal mérito da obra de Thie foi apresentar os conceitos da cinesiologia para leigos. Com um procedimento simplificado e técnicas extremamente básicas, ele criou quatro cursos com duração de dois dias cada para formar especialistas na área. O resultado é que, desde 1971, mais de 2,5 milhões de pessoas fizeram essas aulas.

Ainda na década de 70, na Califórnia, um grupo de estudos fundou o International College of Applied Kinesiology (ICAK), que até hoje contribui para a evolução dos padrões da área a partir de pesquisas e teorias formuladas.

Na Europa, a cinesiologia só começou a ser estudada de uma forma mais minuciosa somente no início dos anos 80. Em 1982, foi fundado o Instituto Alemão para a Cinesiologia Aplicada (IAK), que é outro pólo fundamental na produção de conhecimento sobre o tema.

Ainda na Alemanha, foi fundada no início da década de 90 a Sociedade Alemã para Cinesiologia Aplicada, que depois deu origem à Sociedade Médica Alemã para Cinesiologia Aplicada (voltada especialmente para o uso dos conhecimentos sobre o tema na medicina).

Com o tempo, porém, o desenvolvimento da cinesiologia deu origem a uma série de ramificações de estudo voltadas à compreensão global do movimento e a ação do restante do corpo para cada ação.

Uma dessas áreas oriundas da cinesiologia clássica é a cinesiologia esportiva, desenvolvida por John Varun Maguire e Michael Ugljesa, ambos dos Estados Unidos. Fundamentados nos estudos desenvolvidos por Thie no livro Touch for Health, os dois utilizaram o estudo do comportamento dos músculos para criar maneiras de harmonizar e potencializar os movimentos.

A partir de testes, a cinesiologia esportiva examina a segurança dos músculos mais exigidos em cada movimento da modalidade e corrige problemas de atuação. Além disso, o conhecimento acerca do comportamento muscular é fundamental para a elaboração da programação de treinamento do atleta.

A harmonização muscular é um passo importante para evitar dores e melhorar a cura em casos de atletas lesionados. Por isso, a cinesiologia é um auxílio fundamental para o trabalho técnico no esporte atualmente.

Bibliografia

FATTINI, Carlo A. & DANGELO, José. Anatomia humana sistêmica e segmentar. Editora Atheneu, 2007.
MOREIRA, Demóstenes. Cinesiologia: clínica e funcional. Editora Atheneu, 2005.
FORNASARI, Carlos Eduardo. Manual para estudo da cinesiologia. Editora Manole, 2001.
DOBLER, Günter. Cinesiologia – Fundamentos, prática e esquemas de terapia. Editora Manole, 2003.

* Colaboraram Gabriel Codas e Rubem Dario

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