Universidade do Futebol

Entrevistas

01/08/2014

Denílson, comentarista de futebol

“A maior dificuldade do Brasil é alcançar o jogo que a Europa já desempenha há um bom tempo”. A avaliação, recorrente e até batida em tempos seguintes ao “Eterno 7 a 1” aplicado pela Alemanha na Copa, ganha um peso maior na boca de Denílson. Hoje comentarista do Grupo Bandeirantes de Comunicação, o ex-jogador, que sempre se caracterizou pelo poder de driblar adversários, sabe que é preciso muito mais do que ginga e malícia para os jogadores daqui brilharem mundo afora.

“Tecnicamente, estamos atrás deles e temos dificuldades de vencer as principais seleções do mundo. Nossa qualidade nos clubes é limitada. Quem é o grande destaque brasileiro num clube importante europeu?”, questiona o canhoto que nasceu em São Bernardo do Campo e deu os primeiros passos no infantil do Esporte Clube Ouro Verde, na cidade de Diadema – mais especificamente no Jardim Campanário, local onde passou sua infância.

Denílson se profissionalizou como atleta pelo São Paulo em 1994, com apenas 17 anos de idade. À ocasião, apareceu como um ponta-esquerda à antiga: habilidade e velocidade nas ações ofensivas faziam com que seus marcadores recuassem para evitar jogadas de linha de fundo.

“Eu comecei na rua, encarando gente mais velha na várzea. Automaticamente perdia o meu medo e tentava sempre o drible depois, contra adversários da minha idade. A várzea te dá muitas coisas. Nossa essência está lá”, relembra o camisa 20 da seleção pentacampeã do mundo em 2002. Dois mil e dois. Sob o comando de Luiz Felipe Scolari. O mesmo gestor técnico que esteve à frente do grupo em 2014.

“Não podemos acabar com a carreira de treinadores vencedores. Respeito deve existir em relação ao Felipão. Mas ele tem de entender que o método de trabalho dele que venceu há uma década não funciona mais”, afirma o hoje parceiro da apresentadora Renata Fan no programa “Jogo Aberto”, da TV Band.

“Como comentarista, gosto de me atualizar. E procuro sempre fazer isso. Talvez em relação ao Felipão, o orgulho falou mais do que a razão e isso acabou atrapalhando o trabalho na Copa”, completa.

Campeão da Taça Conmembol de 1994, do Campeonato Paulista de 1998 e da Copa dos Clubes Brasileiros Campeões Mundiais, em 1995 e 1996, Denílson partiu para o futebol estrangeiro. Contratado pelo Real Betis, na então maior transação da história do esporte brasileiro, conheceu por lá outra cultura de treinamento. E o drible, algo que estava intimamente ligado a ele, tornou-se quase um “acessório” ao contexto do jogo.

“O treinador ideal é aquele que consegue não apenas resultados, mas entende o que se passa com cada jogador do elenco. Sou grato ao Muricy Ramalho, com quem não trabalhei depois do período vencedor dele, mas a nossa relação foi ótima. Felipão tem uma boa leitura de vestiário e motiva o elenco. Juande Ramos foi um comandante fantástico. E na França vivi um período ótimo ao lado do Ricardo Gomes”, enumera Denílson.

Nesta entrevista à Universidade do Futebol, o ex-jogador fala ainda sobre “atletas inteligentes” com quem conviveu ao longo da carreira e revela como encontrou o equilíbrio profissional agora com o microfone na mão, e em frente às câmeras.

Ouça o bate-papo na íntegra:

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