Universidade do Futebol
13/11/2012

Detalhes

“… detalhe que faz a diferença…”

 

Alguém já parou pra pensar o que são os detalhes? Os detalhes da vida, os detalhes de um carro, de uma casa, de uma pessoa… Será que são só detalhes? Ou será que fazem toda a diferença? Muitas vezes, para alguns, são coisas imperceptíveis, mas para outras pessoas são esses detalhes que fazem a diferença. Fazem uma casa custar mais caro, um carro ter um valor maior, uma pessoa ser mais atraente… Enfim, são os detalhes que fazem a diferença na nossa vida.

Muitos estão falando dos detalhes que fazem a diferença no esporte de alto nível. Ainda mais em época de Jogos Olímpicos, é comum ouvir que o atleta “perdeu por detalhes”, ou ainda, “que o detalhe fez a diferença”. Atletas de alto nível sempre buscam se aperfeiçoar nos detalhes e acreditam piamente que esses detalhes farão toda a diferença. Estão certos!

No mundo dos esportes, nada pode faltar. Um atleta que tem toda a estrutura necessária para dar conta do seu alto nível de competitividade é considerado um atleta 100%. Já um atleta que tem quase tudo, faltando, por exemplo, uma nutricionista para assessorá-lo no aspecto nutricional, é considerado um atleta 99%. Se estes dois atletas competirem entre si, é bem provável que o primeiro vença, pois é um atleta mais completo do que o segundo. Eu disse: “bem provável”. Claro que muitas variáveis poderão intervir na performance destes atletas.

Mas se pensarmos em todas elas, com certeza, as chances do primeiro atleta errar serão menores e, com isso, o seu desempenho não corre o risco de ser prejudicado.

Uma das qualidades de um técnico esportivo é saber observar esses detalhes e aguçá-los, desenvolvê-los em prol do atleta, seja no sentido de minimizar os erros como também no sentido de maximizar os pontos fortes. Por isso, cabe lembrar: ser técnico é totalmente diferente de ter sido somente atleta. Ser técnico exige um conhecimento específico que será desenvolvido de acordo com a área de conhecimento responsável: a Educação Física!

O técnico deve ser o responsável em observar os detalhes que farão a diferença. Ele trabalhará pontualmente os detalhes específicos da sua profissão, porém precisa também conhecer as necessidades essenciais que serão trabalhadas por outros profissionais.

Mas um atleta não se faz somente de componentes técnicos. Alguém se lembra da imagem de um carro de Fórmula 1 durante um “pit stop”? Existem várias pessoas que cercam o carro na sua chegada e possuem poucos segundos para trocarem pneus, abastecer, entre outras coisas. Podemos imaginar um atleta como um carro de Fórmula 1. Existem diversos profissionais que devem atuar em função única e exclusivamente do atleta.

Hoje em dia, falamos de diversas áreas do conhecimento que devem compor uma comissão técnica de um atleta ou equipe esportiva. E todos os trabalhos, as ações, devem ser em função deste atleta ou desta equipe. É inconcebível, hoje em dia, com o avanço da tecnologia e da ciência, que um atleta queira disputar um alto nível de uma determinada modalidade esportiva sem ter um suporte no aspecto técnico, médico, estatístico, fisiológico, na preparação física, nutricional, fisioterápica, psicológica, no plano administrativo e operacional. E olha que enumerei o que seria essencial! A lista poderia ir longe. E todos, cada um na sua área, estariam trabalhando em função do atleta ou da equipe, fazendo com que o seu desempenho seja melhorado a cada sessão de treino.

Para encerrar, reforço a necessidade que nossos atletas têm de melhorar as condições de treinamento para que possam ter seus resultados superados. Não que isso deva ser feito nesta temporada de Jogos Olímpicos! Este é um investimento que deve ser feito desde cedo, de maneira planejada. Assim, aquele discurso de que o atleta “perdeu por detalhes”, ou ainda, que “o detalhe fez a diferença”, ganharia outra entonação. O discurso não seria reproduzido de forma incontrolada e a culpa não cairia mais nos “detalhes” de maneira descompromissada.

O problema está em “acusar” os detalhes deste modo descompromissado, como se o vilão, o responsável pela derrota, fosse algo desprezível: apenas detalhes! Não! Estes elementos são cruciais e devem ser trabalhados ao longo dos anos, dos meses, das semanas, dos dias, dos treinos… Pensem nisso e parem de culpar os “detalhes” num sentido torpe!

 

*João Guilherme Cren Chiminazzo é Mestre em Ciência do Treinamento – Unicamp, Docente Metrocamp e Unipinhal e Assessor e Consultor Esportivo – INC
 

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