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02/02/2010

Diagnóstico por imagem na avaliação de jogador de futebol

Exames de diagnóstico por imagem, como a ressonância magnética, têm tido um papel essencial na avaliação de esportistas em geral, especialmente de jogadores profissionais de futebol.

Estes exames não apenas são necessários durante uma temporada competitiva, mas também podem ser úteis na pré-temporada e na ocasião de uma transferência de um jogador de uma equipe para outra.

Cada jogador de futebol é normalmente avaliado por uma equipe multidisciplinar, composta por médicos, fisioterapeutas, fisiologistas, nutricionistas, etc. Nos casos de lesões do sistema músculo-esqulético, destaca-se a participação do ortopedista do clube na condução desta avaliação, desde o momento do diagnóstico até o tratamento definitivo.

Quando do momento da avaliação física da pré-temporada de um jogador de futebol com queixa de dor ou com lesão, o médico do clube poderá solicitar a esse jogador exames complementares de diagnóstico por imagem: radiografias, ultra-sonografia, tomografia computadorizada ou ressonância magnética.

Após a análise da história clínica e da realização do exame físico, se ainda persistir alguma dúvida, exames complementares de imagem serão indicados.

Em se tratando de avaliação na pré-temporada, é extremamente conveniente qualificar e quantificar uma determinada lesão de um jogador. Por exemplo, se esse jogador já tem um histórico de uma lesão tendinosa, ou uma lesão da cartilagem articular, um exame ressonância magnética atenderá perfeitamente a este propósito, uma vez que “mostra” e gradua claramente essas lesões.

De posse destas informações, o médico do clube poderá determinar um programa de acompanhamento e tratamento, que permita ao jogador cumprir adequadamente suas funções durante a temporada, evitando eventuais afastamentos por lesão. Da mesma forma, tendo-se conhecimento da lesão, poder-se-á considerar ou mesmo antecipar a hipótese de um agravamento da lesão no decorrer do ano.

No caso de uma transferência de um jogador profissional de futebol para outra equipe, geralmente a equipe contratante se preocupa em avaliá-lo física e medicamente. Afinal, em alguns casos o valor envolvido é de milhões de reais. Assim como em qualquer avaliação clínica, os exames de imagem estarão à disposição para complementar o diagnóstico.

É extremamente necessário ressaltar que apesar do alto detalhamento de imagem que estes exames fornecem, as informações obtidas com eles precisam ser comparadas com a clínica apresentada pelo atleta. Cito dois exemplos que ocorreram comigo: nos dois casos, os dois jogadores estavam em plena atividade, sem queixas físicas e clínicas significativas.

No primeiro caso, um jogador atuando em clube europeu, já operado do joelho, fez um exame de ressonância magnética de controle, que demonstrou algumas alterações no menisco. Entretanto, o médico que o acompanhava descartou sinais e sintomas de lesões meniscais, e assim o resultado da ressonância magnética pôde ficar em segundo plano.

De forma semelhante ocorreu com um jogador em processo de transferência entre clubes, que fez um exame de tomografia computadorizada. O exame revelou uma osteoartrose (alterações osteoarticulares degenerativas) no joelho, porém sem sintomas proporcionais aos achados por imagem, e assim não houve impedimento à sua transfência, e o jogador continuou em atividade.

Os exames de diagnóstico por imagem são excelentes na avaliação de esportistas em geral, contudo, todo resultado deverá ser correlacionado pelo seu médico com a clínica apresentada ou não pelo atleta.

Algumas vezes os resutados destes exames determinarão o afastamento do jogador de suas atividades, mas muitas vezes estes resultados não o impedirão de participar de uma temporada ou de se transferir para um outro clube.

*Dr. Milton Miszputen é radiologista músculo-esquelético especialista em lesões nos esportes – www.radiologiadoesporte.com.br 

Contato: radiologia@milton.com.br

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