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Uma das principais técnicas do goleiro moderno é o jogo com os pés. No entanto, se no futebol brasileiro esse recurso ainda é pouco trabalhado nos treinamentos dos grandes clubes, na Europa esta prática já está bem difundida entre os profissionais desta posição dos diversos times daquele continente.

Enquanto no Brasil é possível lembrar apenas de Rogério Ceni como o grande expoente de um goleiro que participa de todos os momentos do jogo coletivo da sua equipe, no futebol europeu os exemplos são inúmeros. Desde Neuer, do Bayern de Munique, Bravo, do Barcelona, a Diego Alves, do Valencia.

Revelado pelo Botafogo de Ribeirão Preto, com passagem pelo Atlético-MG e radicado no futebol espanhol desde 2007, quando foi transferido para jogar pelo Almería, o goleiro brasileiro se destaca atualmente em campos europeus não somente pelo seu bom aproveitamento em defesas de pênaltis, mas também pelas suas ações fora das traves, como coberturas defensivas, saídas do gol, opção para o time manter a posse de bola, além das certeiras reposições.

“O grande diferencial aqui no Valencia, e na Europa de uma maneira geral, é a atenção que eles dão para o treinamento com os pés. Ações como reposição, domínio com os dois pés, passes curtos e longos. O goleiro é quase um líbero, então tem que estar preparado para qualquer situação de jogo, mesmo sob pressão dos adversários. Muitas vezes, trabalhamos na linha em campo reduzido, para termos a naturalidade dos movimentos. Evoluí muito nesse aspecto por aqui”, aponta Diego Alves.

Para ele, o tipo de treinamento que o profissional da sua posição executa é que define diretamente o seu estilo de jogo. Ele conta que, na Europa, por exemplo, os goleiros treinam mais com os pés, porque as posturas táticas das equipes exigem isso.

“O goleiro participa intensamente do jogo todo. Você não pode desligar um segundo, mesmo quando a bola está lá no ataque, porque muitas vezes temos que sair da área para cortar um contra-ataque ou ainda se deslocar para dar opção de passe aos zagueiros em situações em que eles estão sendo pressionados [pelo adversário]”, exemplifica.

Nesta entrevista à Universidade do Futebol, concedida por email diretamente de Valência, na Espanha, Diego Alves ainda falou um pouco sobre as diferenças da organização defensiva entre equipes europeias e brasileiras e quais características um jogador precisa ter para ser um dos melhores da sua posição. Confira a íntegra:

 

Universidade do Futebol – Como são executados os treinamentos dos goleiros no Valencia? Explique um pouco sobre as atividades cotidianas dos goleiros no treinamento do clube.

Diego Alves – É muito parecido com o que se faz no Brasil. São realizados trabalhos técnicos, de coordenação, de estímulo de reflexos, entre outros. O grande diferencial aqui no Valencia, e na Europa de uma maneira geral, é a atenção que eles dão para o treinamento com os pés.

Ações como reposição, domínio com os dois pés, passes curtos e longos. O goleiro é quase um líbero, então tem que estar preparado para qualquer situação de jogo, mesmo sob pressão dos adversários. Muitas vezes trabalhamos na linha em campo reduzido, para termos a naturalidade dos movimentos. Evoluí muito nesse aspecto por aqui.

Universidade do Futebol – 
Como o goleiro se insere no jogo coletivo do Valencia, tanto defensivamente quanto ofensivamente?

Diego Alves – O goleiro participa intensamente do jogo todo. Você não pode desligar um segundo, mesmo quando a bola está lá no ataque, porque muitas vezes temos que sair da área para cortar um contra-ataque ou ainda se deslocar para dar opção de passe aos zagueiros em situações em que eles estão sendo pressionados [pelo adversário].

 

 

"O goleiro é quase um líbero, então tem que estar preparado para qualquer situação de jogo", avalia Diego Alves

 

Universidade do Futebol – Algo que é costumeiramente falado e às vezes pouco entendido é a diferença da organização defensiva entre equipes europeias e brasileiras. Você poderia explicar um pouco melhor estas diferenças em relação à "linha de 4 defensores" e à "linha de impedimento", por exemplo?

Diego Alves – Esse é um assunto complexo para uma entrevista. Poderíamos passar uma tarde inteira conversando sobre posicionamento, movimentação, estrutura tática. Mas, a principal diferença que vejo é a distância entre as linhas e a dinâmica de jogo.

Na Europa, a partida é disputada em um espaço curto do campo, com muitos jogadores ocupando esse espaço. Do meio [de campo] para trás, são dois ou três toques na bola, no máximo, porque é preciso buscar opção entre os marcadores [do time adversário].

Outra coisa que percebo é que o improviso fica mais para o terço final do campo, na hora de decidir uma jogada. De resto, é preciso muita aplicação tática para desempenhar as funções. Se você não se adapta rápido ao que é pedido pela comissão técnica, corre o risco de ficar fora do time.

 

 

Para brasileiro, a principal diferença da Europa é a distância entre as linhas e a dinâmica de jogo

 

Universidade do Futebol – Para ser um dos melhores jogadores da sua posição, quais devem ser as características de jogo tanto com bola quanto sem a bola?

Diego Alves – Precisa ter, acima de tudo, coragem (risos). Bom, com a bola, é preciso agilidade, reflexo, explosão, posicionamento e qualidade na reposição. Uma boa reposição pode decidir um jogo complicado.

Sem a bola, o profissional que atua nesta posição precisa ter leitura de jogo, para definir uma s
aída com os pés ou pelo alto, liderança e atitude.

 

 

Coragem é uma das principais características de um goleiro de sucesso, acredita Diego Alves

 

Universidade do Futebol – Alguns clubes, no seu processo seletivo, exigem certa altura para que o candidato a goleiro tenha chance de ser avaliado. O que você pensa disso?

Diego Alves – É uma questão lógica. Um goleiro não pode ser muito baixo de altura, mas a qualidade deve prevalecer em relação à questão física. Se você não é o mais alto, pode ser o mais ágil, o que melhor se posiciona, enfim.

 

 

Thiago Mehl, preparador de goleiros da seleção brasileira sub-17

 

 

Universidade do Futebol – No seu entender, há diferenças técnicas e táticas do goleiro europeu para o sul-americano? Quais seriam essas diferenças?

Diego Alves – Acredito que o que define o estilo de jogo de um goleiro é o local onde ele atua. Por exemplo, aqui na Europa, os goleiros treinam mais com os pés, porque as posturas táticas das equipes exigem isso.

Então, seja um atleta sul-americano ou europeu, ambos terão o mesmo estilo e o mesmo comportamento se treinarem desta forma. Alguns com mais aptidão, outros com menos. Mas, essas diferenças não são pela origem, e sim pelo trabalho que se realiza. 

Universidade do Futebol –
 Para você, quais as principais diferenças entre o ambiente e o relacionamento pessoal que existe no futebol europeu e brasileiro? O que podemos aprender e o que devemos ensinar neste quesito?

Diego Alves – No Brasil, há mais interação entre os atletas no vestiário, as famílias se relacionam mais entre si. Aqui na Europa, existe um pouco mais de distância [no convívio fora do clube].

Talvez porque, em um vestiário de um clube europeu, temos várias nacionalidades, então demora um pouco mais para entrosar. Nem todos falam a mesma língua. Com isso, por exemplo, fica mais difícil de se comunicar. Mas acredito que se você for correto, honesto e trabalhador, sempre será respeitado. Em qualquer ambiente.

 

 

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Universidade do Futebol – Como você lida com a pressão de atuar em grandes jogos?

Diego Alves – Com naturalidade. Você tem que ser o reflexo das suas aspirações. Não se pode almejar grandes coisas no futebol sem saber lidar com pressão. Quanto maior o jogo, melhor. Sinal de que você está fazendo um bom trabalho, que a sua equipe está se destacando.

E, depois que se veste a camisa da seleção brasileira, você suporta qualquer pressão (risos).

 

"Não se pode almejar grandes coisas no futebol sem saber lidar com pressão. Quanto maior o jogo, melhor", crê brasileiro

 

Universidade do Futebol – Há diferenças estruturais e, principalmente, na organização e na promoção de um espetáculo esportivo na Europa e no Brasil. Para você, como estas questões "extracampo" interferem na qualidade do jogo e do evento esportivo como um todo?

Diego Alves – Quanto melhor for a condição oferecida aos jogadores, melhor vai ser a qualidade do jogo apresentando. Normalmente essa é a relação. O futebol virou um espetáculo, envolve muita gente. Está cada vez mais estruturado. E quem oferece essa estrutura, colhe resultado.

Universidade do Futebol – 
Qual conselho você daria aos goleiros que atuam em categorias de base atualmente e sonham em ter sucesso profissional no futebol?

Diego Alves – para que eles treinem muito e não tenham medo. Nossa posição é dura. Você pode ser apontado como culpado de uma derrota que, na verdade, é de mais dez companheiros.

E é preciso estar preparado para suportar [a pressão]. Saber que você nunca será o único responsável por um resultado ruim e que também nunca será o herói sozinho. É um esporte coletivo. Tem que saber lidar com isso para ir em frente.

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Maria Rizzo
Maria Rizzo
3 anos atrás

gostaria de saber qual é a verdadeira altura do Goleiro Diego Alves, pois me parece baixo para a posição de Goleiro principalmente na Europa onde os goleiros tem altura de 1.90 metros ao menos.

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