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05/08/2017

Discutindo Treino – 2

Os processos de treino têm papel determinante na qualidade do jogo que a equipe irá apresentar

Olá, caro leitor!

Peço licença para que, antes de iniciar a discussão desta coluna, possa realizar uma breve atualização em minha situação profissional. No último mês recebi o convite para participar de um processo seletivo do Clube Atlético Paranaense, o clube buscava um profissional para ser seu novo Auxiliar Técnico da Categoria Sub-17, ao final do processo o clube entendeu que meu perfil se enquadrava no que procuravam e então fui o escolhido para ocupar o cargo. Fico extremamente honrado, feliz e motivado com a oportunidade e confiança depositada em mim para participar do grandioso (e bem estruturado) projeto de futebol do clube.

Feito isto, vamos retornar ao tema da coluna, retomando as discussões sobre atividades de treino. Certa vez, ouvi a seguinte frase de um vitorioso jogador profissional em atividade (ao qual irei preservar a identidade): “Não tem muito segredo… Treinou direitinho, as coisas acontecem no jogo. Não é mais como antigamente, quando se resolvia na hora do jogo…Hoje em dia, se não treinar direito, depois as coisas não acontecem…”

Quis compartilhar esta frase para reforçar a importância dos processos de treino, e mais ainda a importância de bons processos de treino. Processos estes que, na maioria das vezes, são reconhecidos pelos jogadores (mesmo que de forma intuitiva), e tem papel determinante na qualidade do jogo que a equipe irá apresentar. Sendo assim, mãos à obra!

Trago hoje um jogo conceitual (termo já discutido aqui) com objetivos principais de “Passes de ruptura” e “Linha de 4 defensiva”:

treino

treino1

treino2

  • Conteúdos Primários: Buscar realizar passes para romper a linha de marcação adversária; Estruturar linha de 4 defensiva.
  • Conteúdos Secundários: Quebras de linha; Coberturas; Equilíbrio; Flutuação; Passe; Domínio orientado.
  • Desenvolvimento: equipes de 8 x 8; Dois blocos de 6×2’/1’ com 5’ de pausa entre eles; Cada equipe busca trocar o máximo possível de passes para romper a linha de marcação adversária (passes de ruptura); após 2’, a equipe que tiver trocado mais passes de ruptura vence a rodada; os passes podem ser em qualquer direção ou altura, mas só são contabilizados os passes de ruptura; 1 jogador de cada equipe pode invadir o espaço do adversário, afim de recuperar a bola ou facilitar um passe de ruptura; cada quarteto tem até 10’’ para realizar um passe de ruptura, do contrário, a equipe perde a posse da bola; quando uma equipe recupera a bola, instantaneamente passa a buscar trocar passes de ruptura; A cada 2’ se troca os quartetos de posição.
  • Feedbacks: Para quem ataca, são realizados com o intuito de que os jogadores busquem gerar desequilíbrios na linha defensiva adversária através de passes, movimentações e domínios orientados. Enquanto que aos defensores, se ajustam questões de distâncias entre os companheiros na linha de 4 (equilíbrio), rápida flutuação de acordo com a posição da bola, fechamento de espaços para impedir passes de ruptura, momento certo de quebra de linha com as coberturas dos demais jogadores e ajustes para melhor posição do corpo. Rápida mudança de comportamento (ofe/def) e tomada de decisão para todos.

Agora é com você leitor! O que pensa a respeito desta atividade? Que alterações/adaptações sugere? Que atividades realizaria para trabalhar os mesmos objetivos?

Traga suas ideias e sugestões! Treinos de qualidade, irão favorecer que a equipe apresente um jogo com cada vez mais qualidade nas partidas.

Até a próxima!

Comentários

  1. Gabriel Taci disse:

    Muito bom este modelo de treino, perfeito ao que se propõe. As variações talvez fossem quanto ao tempo, diminuir para forçar o passe de ruptura, num cenário de contra ataque, por exemplo. Ou mesmo limitando o número de passes até o passe de ruptura.

  2. Saudações!
    Parabéns Danilo Benjamim pela conquista profissional.
    Sugiro após a exploração da atividade proposta o incremento de outro tipo de ruptura, a com condução e/ou drible. Para tanto, seria necessário criar nesse campo (que propôs) uma zona de aproximadamente 3 m após o setor de defesa da ultima linha, para que além da ruptura por meio de passes (tabelas e triangulações) os atletas também possam tentar romper a ultima linha com o drible, com a condução buscando essa nova zona de pontuação. Portanto, teriam mais opção para romper as linhas de defesa, enquanto também a defesa treinaria com maior situação imprevisível, tendo que responder de modo eficaz as oposições.
    Grato por compartilhar a atividade, sucesso por ai!

  3. Alessandro j nascimento disse:

    Quem tem que gerar espaço e quem esta sem a bola e não quem esta com a bola, a linha da frente e que tem que gerar os espaços movimentando ou melhor induzindo a peca mais próxima a si ao movimento rompendo_a, a linha de quem esta com a bola apenas deve rodar para pedir opcao de passes…..para mim princípio fundamental do futebol e dar opcao de passe ou seja ocupar o espaço….

    • Alessandro j nascimento disse:

      Complementando;
      A linha da frente e que deve gerar espaços e e dela a funcao de romper a linha adversária, quem esta com a bola e o produto da relacao do todo, e não o contrario, quem esta com a bola quer o espaço, não cria o espaço, o espaço e cria da acao, acao de quem esta sem a bola, o adversário ocupa o espaço a sua frente , e seus companheiros criam e ocupam assim que consegue carregar esse adversário para fora desse espaço. Pensando individualmente; o portador da bola reage a acao daqueles que não tem a bola, e coletivamente, a linha que tem a bola e reativa e dependa da acao da linha que não tem a bola para manter a posse e progredir no campo…….

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