Universidade do Futebol

Mauro Beting

24/10/2013

Doutor Honoris Causa da Universidad Católica Rogério Ceni

Eu só aposentaria quem teima em apostar contra e a todo momento fica aposentando um mito como Rogério Ceni.

Só ele tem o direito de saber a hora de parar. Não apenas por tudo que é para o São Paulo e para o são-paulino. Mesmo se não fosse tudo que é também para o futebol brasileiro e mundial, ainda assim só cabe a ele decidir se o ano para parar é 2013.

Mesmo se não fosse o que mais ninguém foi no futebol mundial, ainda assim um mínimo de respeito seria necessário ao craque-bandeira tricolor.

Exagerei?

Veja o exagero do jogo de Ceni contra a Universidad Católica.

Ele classificou um time que pediu para ser eliminado, não fossem os gols de Aloísio, os passes de Ganso e, sim, ele, Ceni. O velho Rogério. O ultrapassado goleiro. O… O…. O 01 do São Paulo.

Na primeira defesa difícil, uma cabeçada para o chão ele mandou a escanteio de mão trocada. Não é para qualquer um. Foi para o 01.

Na segunda defesa de cinema de Ceni, a bola já havia passado por ele, e o goleiro tricolor foi tirar quase sobre a linha. Não é para qualquer um. Foi de novo para o 01.

Na terceira defesa espetacular, um chute estranho ele foi buscar como se fosse um animal que não existe. Certamente não para um sujeito de 40 anos. Só possível para o 01 parar aquela bola impegável. Se é que existe o termo. Só existe o Rogério para fazer o que fez.

Na quarta, no segundo tempo, ele foi pego no contrapé numa tijolada. E pegou com as mãos que só ele ainda tem. Não qualquer um. Só para o 01.

Na quinta, uma pancada de canhota, com um monte de gente à frente, ele foi buscar no canto baixo direito. Como milhões torciam e sonhavam. Mas só ele defenderia aquela pancada que ainda bateu no chão. Mas não bateu o 01

Na sexta, canhotaço de sem-pulo, a bola não era tão difícil, mas o quarentão teve reflexo de menino, e de mão trocada de novo salvou os pés são-paulinos. Como só o 01 poderia.

Na sétima, antevisão de craque, ele subiu junto com o rival e espalmou lá no alto. Como só o 01…

Enfim, você sabe.

E ele sabe ainda mais.

Desde 2005, contra o Liverpool, Rogério não defendia tanto.

Desde então, nenhum goleiro deve ter defendido tanto quanto o goleiro que já ganhou mais um título de doutor honoris causa da Universidad Católica.

Atuação tão inacreditável que não lembro de elogiar tanto um goleiro que tenha sofrido três gols – um de pênalti.

Olha que o marketing são-paulino deve ter pedido para Douglas errar tudo que errou (e a arbitragem também…) para Rogério fazer os 2938745 milagres realizados no Chile.

Em homenagem ao aniversário de Pelé, Ceni teve uma partida de Pelé.

Ou simplesmente de Rogério.


*Texto publicado originalmente no blog do Mauro Beting, no portal Lancenet.

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