Universidade do Futebol

Ceaf

18/03/2009

Duas linhas de quatro: eficiência ou modismo?

As plataformas táticas têm sofrido muitas mudanças desde 1863, em que a ordem era jogar sob a ótica dos princípios operacionais de ataque, como por exemplo, atacar com sete jogadores avançados e defender com apenas um defensor. Através deste primórdio operacional, detectam-se grandes evoluções, entre elas: Catenaccio (com líbero), WM (1-3-2-2-3), Carrossel holandês (futebol total, 1-4-3-3) e finalmente o 1-4-4-2 com variações de losango e quadrado no meio campo. Todas as mudanças concorreram para o princípio operacional defensivo, mas não se pode deixar de lado o aspecto de transição ofensiva que está implícito nessas plataformas de jogo.
 
As duas linhas de quatro foi uma variação da plataforma 1-4-3-3 com o recuo dos antigos pontas para ajudar na marcação no meio campo. Iniciou-se nos anos 80, mas foi pouco explorado até meados da Copa do Mundo de 2002, tendo assim seu ápice na Eurocopa de 2008. A grande dificuldade de sua operacionalização é o treinamento que se é feito para sua execução, pois não consiste em apenas ser fechada nas linhas defensivas, e sim em contextos de transição ofensiva e mobilidade após os desarmes, assim, partindo de um princípio operacional defensivo para o ofensivo. Deste modo, será que jogar em duas linhas de quatro é realmente eficiente ou seria apenas um mero modismo? Vamos tentar esclarecer alguns pontos!
 
Sem dúvida alguma, defensivamente a plataforma de jogo das duas linhas possui uma qualidade muito grande em termos de proteção do alvo, pois bloqueia as ações laterais e verticais do adversário. A flutuação tanto horizontal quanto vertical também é primordial, pensando que a flutuação horizontal se preocupa com a proteção do alvo nas extremidades do campo (pensando na transição ofensiva com ênfase em táticas de grupo) e a vertical se preocupa com o equilíbrio defensivo (na transição ofensiva se preocupa com uma maior distribuição de jogadores no campo).
 
Tendo essas noções de princípios defensivos e ofensivos, o treinamento deve se basear em estabelecer uma estratégia de jogo com meios táticos individuais, de grupo e coletivos com ênfase nas duas linhas de quatro. Como fazer isso? Treinar uma equipe não se baseia em apoiar-se em receitas de bolo, mas sim com essas noções de princípios operacionais e meios táticos fazer com que os objetivos planejados sejam atingidos: basta o leitor ter esses parâmetros e dar início ao seu modelo de jogo.

Comentários

  1. João disse:

    Muito BOM,

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