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Participei, pela segunda vez, como jurado, do IE Venture Day em São Paulo, na semana que passou.

Escrevo sobre o tema, pela segunda vez, por entender que se trata de tema absolutamente atual para o futebol brasileiro.

Segunda vez porque já o havia abordado em 2012, quando da primeira oportunidade que tive de participar da iniciativa inovadora.

O evento é organizado pelo Instituto de Empresa, escola de negócios sediada em Madrid, que se notabilizou como uma das melhores do mundo – e a melhor da Europa – nos cursos de pós-graduação em Empreendedorismo.

O Venture Day funciona, basicamente, num dia inteiro de programação que conta com palestras, debates entre especialistas, apresentação de cases e, coroando o evento, os “pitches”.

Os “pitches” são as apresentações de trabalhos de conclusão de curso dos alunos do MBA em Gestão Empreendedora, para o público, para investidores e para um grupo seleto de jurados, que devem avaliar quais são os melhores projetos para empresas “startups” (em fase inicial de desenvolvimento).

Cada uma das 11 apresentações dispunha de 3 minutos para seduzir os jurados, que avaliamos os projetos segundo 6 critérios, para, ao final, premiar-se as 3 melhores startups.

Uma das coisas que me chamaram a atenção foi a utilização da expressão, em inglês, “ecosystem”. Na tradução direta, ecossistema.

A intenção do uso, pelos palestrantes e pelos debatedores, era voltada à analise dos fatores, positivos e negativos, que influenciam o empreendedorismo no Brasil e o desenvolvimento de startups.

Logicamente, o emaranhado tributário, as dificuldades de infraestrutura e logística, a burocracia excessiva e a política econômica em conjuntura recessiva fizeram parte da cartilha das dificuldades.

Ao mesmo tempo em que as obviedades do Brasil como um país que não é recomendado para amadores foram evidenciadas, o que prevalece é o ecossistema empreendedor: energia de sobra para inovar; desafiar a si mesmo; articular pessoas e ideias num ambiente ora competitivo, ora colaborativo; reunir a juventude, que arrisca e vai errar muito, com a experiência dos investidores, que arriscam e já erraram muito, para encontrar caminhos para o desenvolvimento de negócios.

Não à toa que o MBA do IE alcançou o posto de um dos melhores do mundo. Tanto o corpo docente quanto o grupo de alunos é multicultural. Professores australianos, americanos, espanhóis, ingleses, brasileiros, misturam-se a 85% de alunos, de mais de 75 nacionalidades, na composição das turmas.

O próprio IE é um case de sucesso no empreendedorismo: sua fundação se deu como um projeto startup. Com isso, carrega no DNA institucional essa energia transformadora permanente.

E o nosso futebol ainda se preocupa em discutir se vale a pena contratar técnicos estrangeiros pros clubes ou pra seleção brasileira? Como se fosse o único dos problemas estruturais.

Sempre exportamos nosso futebol pelos pés dos jogadores. Aprimorávamos a matéria-prima por um breve tempo e, logo depois, os talentos iam para a Europa alcançar a excelência. Voltavam ao país já consagrados e aposentados, sem necessariamente criar ciclo de desenvolvimento no Brasil.

Agora que a indústria do futebol poderia ter interesse em investir no Brasil, encontra um mercado com excesso de insegurança jurídica, de burocracia, de má-gestão institucional, de corrupção, de visão curta.

Creio que temos que melhorar nosso ecossistema.

Senão vem mais 7 a 1 por aí…
 

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