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10/05/2019

Entre a glória e a bancarrota

O futebol brasileiro em sua última década romântica

O futebol brasileiro na década de 1990 teve algo de especial. Foi nela que a Seleção não somente saiu de sua maior fila de Copas do Mundo, como também se distanciou das concorrentes como a grande e temida potência mundial a que estamos cansados de ouvir falar. Hoje em dia é muito comum nos depararmos, nos inúmeros canais de comunicação relacionados ao futebol, com diversas menções a esta década, classificada como “raiz”, um conceito que apesar de carregar bom humor, desqualifica o quanto o jogo de futebol evoluiu nos tempos atuais.

Dentre as muitas referências, destacam-se o comportamento extracampo dos jogadores, a irreverência perante à imprensa e listas impressionantes de jogadores que não tiveram chances em mundiais. A conclusão, um pouco óbvia, é de que havia uma certa abundância de talento disponível.

No contexto local, clubes como Vasco da Gama, Palmeiras, Corinthians, São Paulo, Cruzeiro e Grêmio montaram alguns dos grandes times de suas histórias e, como consequência, tiveram suas galerias de ídolos e troféus efetivamente preenchidas.

Porém, na década seguinte o cenário mudou para uma realidade em que os clubes não possuem poder de investimento e cujas análises sobre as finanças do futebol tomaram boa parte do espaço antes reservado apenas para gols e belas jogadas. Com base nisso, este texto procurou investigar essa modificação do panorama vivido pelos clubes brasileiros neste período de transição.

Contexto estrutural

A CBF mantinha o hábito de surpreender na fórmula de disputa dos campeonatos brasileiros, quase sempre anunciando-a em cima da hora. Em 1991 e 1992, o Brasileirão foi disputado por 20 times durante os primeiros semestres dos anos, tendo terminando em junho e julho, respectivamente, mas com regulamentos bem diferentes entre si. Em 1993, a competição foi inchada com um total de 32 participantes e teve início apenas em setembro. Sua fórmula de disputa foi totalmente diferente dos campeonatos anteriores e, também, em relação ao torneio seguinte em 1994, que por sua vez foi completamente oposto ao de 1995 (o primeiro que contabilizou a vitória com 3 pontos, algo que teve início em 1981 na Inglaterra e possui uma história bem interessante.

A partir de 1996 o formato se estabilizou com a padronização de que os oito primeiros colocados no turno único (disputado geralmente a partir de agosto) estariam classificados para a fase final. Isso foi mantido até 2000, quando a Copa João Havelange modificou rigorosamente tudo. Vale registrar que nenhum campeonato brasileiro foi igual ao anterior no que diz respeito ao rebaixamento, assunto que dominou mais a esfera judicial do que esportiva e foi marcado por históricas e até celebradas viradas de mesa.

Neste período, graças ao caráter semestral do campeonato nacional, os clubes disputavam os torneios regionais e, alguns, as Copas do Brasil e Libertadores nos semestres opostos ao Brasileirão (geralmente o primeiro). Também eram comuns campeonatos interestaduais, como o Rio-São Paulo, inúmeros torneios com caráter amistoso, como o Maria Quitéria e a Copa Centenário de Belo Horizonte (que trouxe até o Milan de Fabio Capello e George Weah para Minas Gerais em 1997) e excursões para outros países.

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