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03/11/2012

Especial: a importância da formação do treinador de futebol

A Espanha fez história na edição de 2012 da Eurocopa. Na realidade, assinou com letras douradas mais um capítulo no processo que a consolida como a maior força do futebol mundial. Dois anos antes, na África do Sul, a equipe comandada por Vicente Del Bosque vencera de maneira inédita a Copa do Mundo, título que já sucedera o triunfo da equipe comandada por Luis Aragonés no principal torneio entre seleções do Velho Continente, em 2008.


 

Se traçarmos um paralelo, esta geração pode ser comparada ao Brasil durante a “Era Pelé”, podendo até ser considerada superior, pois, entre as vitórias nos Mundiais de 1958 e 1962, o melhor resultado da equipe canarinho foi um segundo lugar no sul-americano, em 1959.

No mesmo momento em que a supremacia da Fúria é destacada, o Brasil cai para o 13º lugar no ranking dos melhores do mundo, em atualização feita em novembro de 2012.

Mas o que tem de especial a equipe que mescla jogadores consagrados como Casillas, Albiol, Iniesta, Xavi, Fernando Torres, Fàbregas, Xabi Alonso, Sérgio Ramos, etc. (todos campeões europeus quatro anos atrás), e novatos como Jordi Alba, Juan Mata, Javi Martinez, Pedro Rodrigues, etc., com média de idade inferior a 24 anos? Será uma sorte de campeão? Um presente do destino que reuniu estas pérolas em uma mesma geração? Para o Técnico espanhol Vicente Del Bosque, os resultados não são mera coincidência e o caminho é muito mais trabalhoso do que se pensa.

“O nosso sucesso não é uma coincidência e tem origem em muitas coisas: na estrutura do futebol, nas academias e na formação dos treinadores. Os clubes [espanhóis] estão empenhados na formação de jovens. Antes viajávamos para França, Rússia e Alemanha para procurar talentos nas suas academias”, referiu o selecionador espanhol ao site da Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF).


 

Na mesma linha, Ginés Melendez, diretor-técnico da RFEF (Real Federação Espanhola de Futebol), crê que o segredo do sucesso do futebol espanhol tem um ponto crucial que não começou no campo, mas sim nas salas de aula:

Para se ter a noção da dimensão que envolve a formação espanhola é só observarmos os dados: na temporada 2010/2011, a RFEF emitiu mais de 53 mil licenças para treinadores futebol e futsal que realizaram os cursos dos quatro níveis propostos pela federação espanhola.

Isso permite supor que, na Espanha, cada escolinha de futebol e futsal, equipe de iniciação ou alto rendimento possui um profissional formado sob a chancela da federação espanhola.

É importante salientar que aqui tomamos a Espanha apenas como um recente exemplo de sucesso, porém este trabalho de formação vem sendo realizado em todo continente europeu como mostraremos durante o especial.

Os dados apresentados chamam a atenção para uma nova realidade no cenário futebolístico mundial, no qual, devido à profissionalização do esporte, ao aumento e desenvolvimento das demandas atreladas ao jogo e ao contexto que o envolve, o cargo de treinador exige capacidades e qualidades não contempladas apenas pelo contato significativo com a modalidade como ex-jogador.

Para isto existe hoje a necessidade fundamental dos profissionais que objetivam trabalhar no futebol buscarem uma formação de qualidade. E é necessário dedicar-se com o intuito de melhorar sempre as metodologias de treino, a capacidade de liderança e muitas outras capacidades que fazem diferença no caminho para o sucesso.

Como comenta Tostão, ex-jogador e colunista esportivo: "É essencial uma formação acadêmica para ex-jogadores e outros profissionais. Para ser um bom técnico de futebol, o ideal é unir a experiência do passado a uma formação técnica e teórica", atesta Tostão, ex-jogador e colunista esportivo.

Patric Bonie, diretor técnico da Federação Irlandesa de Futebol, segue com a mesma ideia: "Começar por baixo, de preferência jovem, num clube onde ainda seja também jogador. E, depois, fazer um curso de treinador baseado na prática porque, embora a experiência enquanto jogador ajude, as técnicas de treino não se aprendem do ar. Tem de se realizar os cursos, de forma a estar preparado para o dia em que se assuma um importante cargo de treinador e para a inerente pressão".

José Mourinho, um dos treinadores mais vitoriosos da história do futebol afirma ainda, que não ter sido jogador de futebol profissional o ajudou em seu trabalho como treinador, porém reitera a necessidade de vivenciar o ambiente desse esporte não contemplado em toda a magnitude nos livros:
 

José Mourinho e a necessidade da relação entre teoria e prática para a formação do treinador de futebol

 

A ideia que o treinador deve ter uma formação de qualidade também é compartilhada por alguns profissionais no Brasil, como é o caso do diretor das categorias de base do São Paulo Futebol Clube em depoimento para a Universidade do Futebol.

Com base neste polêmico e complexo assunto, a Equipe Universidade do Futebol preparou um especial com o tema: “A importância da formação de treinadores de futebol.”

Este especial tem o intuito de gerar reflexões a partir de algumas questões norteadoras como: qual é o atual estágio da formação desses profissionais em alguns dos principais países continente europeu? Qual a importância do processo? E no Brasil, em que estágio estamos? Qual é a opinião de treinadores e estudiosos do futebol a respeito do assunto?

Essas são algumas das perguntas que buscaremos responder neste especial. 

Leia mais:
Especial: a importância da formação do treinador de futebol – parte II 
Especial: a importância da formação do treinador de futebol – parte III 
Especial: a importância da formação do treinador de futebol – parte IV 
Especial: a importância da formação do treinador de futebol – parte final 
 

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