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Ele é tão presente nas comissões técnicas de equipes de futebol no Brasil quanto o próprio treinador, mas sua função ainda é mal compreendida por quase todos que vivem no mundo do esporte. Diante disso, uma dúvida cerca o trabalho dos preparadores físicos: será que existe realmente uma preparação que seja apenas física?

A resposta depende muito do tipo de abordagem feito com os jogadores. Preparar fisicamente os atletas é fazer com que as respostas corporais sejam cada vez mais condizentes com as exigências da modalidade em questão. Mas não existe nenhum tipo de preparação que seja exclusivamente físico ou que mexa apenas com o físico dos esportistas.

“A preparação física é um suporte para o desenvolvimento do esporte, até porque os atletas dependem muito do físico para poderem render. Mas isso não pode ser visto como um fator isolado, já que um atleta não evolui de forma contundente se não estiver comprometido com o que está fazendo. Não é possível dissociar o físico de outros componentes do ser humano”, lembra o preparador físico Fábio Correia, que trabalha no time de vôlei de Santander / São Bernardo.

O que muitas pessoas – até alguns profissionais – não entendem acerca da preparação física é que essa área não pode ser analisada isoladamente. Ver o quanto uma equipe corre em campo ou a velocidade de seus movimentos não são ações suficientes para determinar a qualidade de seu rendimento físico.

“A preparação física é apenas um componente do trabalho, e não a única responsável pelo rendimento. Muitas vezes as pessoas observam uma equipe que tem muita velocidade e julgam que o trabalho físico está sendo bem feito. O que muitos não percebem é que a equipe pode correr muito por estar organizada taticamente, por exemplo”, lembra Élio Carravetta, coordenador de preparação física do Internacional.

Por conta dessa característica multidimensional, a preparação física ainda encontra muitas análises desencontradas no Brasil. Até por seu próprio nome, a área tende a ser ligada apenas ao físico dos atletas. Entretanto, sua atuação compreende a integração de uma série de componentes fundamentais para o condicionamento dos jogadores.

“Na realidade, a preparação física é a integração de alguns componentes. Um exemplo é o sentido cognitivo: se um jogador tem boa leitura do que acontece em campo, economiza esforço e tem um rendimento melhor. Saber aproveitar bem o espaço também é muito importante”, teoriza Carravetta.

Para que todos os componentes se desenvolvam com igual sucesso, porém, o trabalho das equipes precisa ser fundamentado na interdisciplinaridade. Diante desse conceito, os preparadores físicos devem se ligar a outros profissionais da comissão técnica na formulação de treinos ligados à evolução global do elenco.

“As pessoas muitas vezes não entendem o que quer dizer essa interdisciplinaridade e ficam ligadas ao conceito academicista. É importante que isso seja reconhecido como uma forma de agregar e conjugar necessidades relevantes ao desempenho no processo de treinamento de atletas de alto nível”, classifica Carravetta, que classifica essa como a evolução mais importante da preparação física: “Precisaremos de muita renúncia e muita visão para poder elaborar os treinos, e isso é responsabilidade de todos que trabalham na área. De maneiras diferentes, todo mundo está trabalhando nesse processo para as equipes evoluírem”.

O preparador físico Anderson Paixão, atualmente no Caxias, desenvolveu sua tese de mestrado sobre a reação dos esforços físicos no treinamento técnico-tático de equipes de futebol. Seus estudos mostraram que apenas 27% das atividades realizadas pelas equipes atualmente são chamadas de físicas, sem intervenções com bola ou movimentações focadas no trabalho desenvolvido nas partidas.

“Você dizer que um atleta corre mais ou menos em campo por conta de 27% de seus treinamentos é uma análise errada. Você tem gastos enormes nas atividades técnicas e, como esse tipo de treino é maioria, o preparador físico precisa ajudar o treinador a planejar e casar atividades”, pondera Paixão.

Essa atuação conjunta na comissão técnica de equipes de futebol tem como grande meta a elaboração de treinos cada vez mais ligados à globalidade e à perspectiva sistêmica dos atletas. Preparar fisicamente um elenco é muito mais do que passar séries de exercícios e cargas, mas criar cenários de aprendizado para diminuir o desgaste ou propiciar o crescimento individual.

“Não existe nem tempo hábil durante a temporada para focarmos um trabalho só em exercícios físicos. Temos um trabalho de transferências, baseado em atividades de academia e mini-jogos, que produzem um desgaste parecido com o que ocorre nas partidas. Os espaços em campo estão reduzidos e isso faz com que a gente precise trabalhar também a inteligência dos jogadores”, lembra Celso Resende, preparador físico do Cruzeiro.

* Colaboraram Gabriel Codas e Rubem Dario

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