Êxodo atrapalha numeração fixa no futebol brasileiro

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Somente em 2007, segundo dados da Confederação Brasileira de Futebol, o futebol brasileiro viu 1085 jogadores se transferirem para equipes de outros países. Com tanta movimentação no mercado, a identificação de torcedores com os atletas é um processo cada vez mais complicado. E se o constante êxodo dificulta a criação de ações voltadas a esse vínculo, o que dizer do efeito que ele tem para a numeração das equipes?

Entre os clubes que adotam a numeração fixa no Brasil, é comum que os jogadores titulares no fim da temporada usem números que muitas vezes fogem totalmente do cotidiano de seus torcedores. Esse processo ainda é amparado por outro dado fornecido pela CBF: enquanto 1085 jogadores deixaram o país em 2007, 489 voltaram ao futebol canarinho.

O excesso de mudanças no elenco é a explicação dada pelo Cruzeiro, que adotou a numeração fixa em 2005 e 2006, mas abandonou esse processo no ano seguinte. A nova conduta da diretoria celeste para as camisas é usar a numeração fixa apenas quando a competição exigir isso.

“Usamos por dois anos, mas depois vetamos a numeração fixa. Se eu coloco a numeração e há um contingente de atletas que saem no meio do ano, eu perco aquele número na avaliação de recepção do público”, explica Antônio Claret, diretor de marketing da equipe mineira.

Segundo o dirigente, a numeração fixa teve mais pontos negativos do que positivos quando foi adotada pelo Cruzeiro. “A imprensa reclamava muito, o torcedor não entendia. Era o goleiro com a 1, o zagueiro com a 44 e o lateral com a 25… muito complicado”, conta Claret, que também aponta um problema que as camisas específicas criam para os jogos: “Como não sabemos quem o técnico vai escalar, se eu tenho 40 atletas inscritos, preciso de pedir 40 modelos diferentes ao patrocinador em cada partida”.

O Santos tem argumentação similar para dizer por que é contrário à adoção do uso da numeração fixa em sua equipe. “Mesmo com ações pontuais, você precisa de um tempo para um trabalho de exploração de imagem dos atletas. E se o jogador ficar só um ano ou seis meses no clube, não há condições para isso”, aponta Dagoberto Fernando dos Santos, diretor de planejamento da equipe alvinegra.

Com as constantes mudanças de elenco, as equipes que adotam numeração fixa no futebol brasileiro ainda precisam conviver com um problema: a adaptação ou maleabilidade dessas inscrições. Um exemplo aconteceu no São Paulo, que contratou o atacante Dagoberto em abril de 2007, depois de meses de negociação. Como a temporada já estava em curso e o elenco estava montado, ele ficou com a camisa 25.

Rapidamente, a camisa 25 tornou-se uma das mais vendidas do São Paulo. Depois disso, a equipe tricolor começou a projetar ações voltadas ao uso da imagem do atacante, sobretudo porque ele foi peça importante da equipe que conquistou o Campeonato Brasileiro. No entanto, com a reformulação do elenco tricolor no início de 2008, Dagoberto abandonou o número e passou a vestir a 11.

* Colaboraram Bruno Camarão e Rubem Dario

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