Universidade do Futebol

Geraldo Campestrini

21/09/2011

Facetas do rebaixamento

Fora do circuito de glamour do futebol, os rebaixamentos ocorridos na Série C do Campeonato Brasileiro no último fim de semana estão cercados por alguns fatos inusitados, mas que refletem muito bem a forma de gestão da grande maioria dos clubes no pais.

Todos os rebaixamentos, com exceção ao do Grupo C, que decretou a queda do Marília/SP no confronto direto com o Macaé/RJ, vencido pelo clube fluminense por 6 a 4 fora de casa, apresentam algo diferente para contar – aliás, inclusive o citado neste parágrafo parece bem inusitado pelos 10 gols da partida…

Enfim, vamos aos fatos:

Grupo A: nem a pífia campanha do glorioso Araguaína/TO, que somou apenas um ponto em oito jogos, pode ser suficiente para rebaixá-lo. O líder da chave, o Rio Branco/AC, infringiu o CBJD ao entrar na Justiça Comum antes de esgotadas as instâncias desportivas e foi punido em primeira instância pela Justiça Desportiva. No entanto, o clube acreano conseguiu na terça-feira (20) um efeito suspensivo para voltar à competição, o que deve tumultuar em alguma medida a segunda fase da competição (ou parte dela, uma vez que os clubes agora estão divididos em dois grupos, sem um cruzamento direto entre si, que ocorrerá apenas na final da competição).

Grupo B: tem relação com o último jogo entre o já classificado CRB/AL com o tradicional Fortaleza/CE – este último lutando contra o rebaixamento. Após saberem do resultado do outro jogo do grupo (Guarany/CE x Campinense/PB), jogadores do Fortaleza supostamente pediram aos colegas do CRB para que deixassem fazer mais um gol para livrar o clube do descenso. E foi o que ocorreu – com os 4 a 0 no estádio Presidente Vargas, o Fortaleza conseguiu se manter na Série C do próximo ano, mandando o Campinense (que venceu por apenas um gol) para a Série D.


 

Grupo D: no sul do país, Caxias/RS, Santo André/SP e Brasil/RS terminaram a primeira fase empatados com oito pontos ganhos cada um. Pelos critérios de desempate, o Santo André/SP deveria ser rebaixado, uma vez que terminou com saldo de -5 gols (contra -4 do Brasil e -3 do Caxias). No entanto, na primeira rodada da competição, o Brasil escalou o jogador Claudio, que havia sido expulso na última rodada do Campeonato Brasileiro de 2010 quando atuava pelo Ituiutaba/MG pela Série C. O mesmo deveria ter cumprido a suspensão em competição nacional, fato que só foi ocorrer no segundo semestre de 2011. Com isto, o Brasil acabou punido pelo STJD com a perda de seis pontos e, consequentemente, rebaixado para a Série D em 2012.

Alguns destes casos explicitam o limiar da ética, tão defendida em nossa sociedade. Outros refletem um pouco a desorganização, tanto de clubes quanto da própria entidade que administra o futebol – que já poderia ter desenvolvido um sistema fidedigno de registro de atletas e monitoramento contínuo dos mesmos quanto a contratos e condições de jogo.

Enfim, a coluna desta semana serve apenas para algumas reflexões mais evasivas do que é o futebol brasileiro nas suas entrelinhas. E casos semelhantes só não estão mais ocorrendo com tanta frequência nas séries A e B por conta da mídia e a exposição mais flagrante de dirigentes e executivos que tendem a se moldar conforme regras pré-estabelecidas pelos veículos de comunicação…

Para interagir com o autor: geraldo@universidadedofutebol.com.br

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