Universidade do Futebol

Artigos

01/07/2019

Fator Bale: a eterna sombra?

Este artigo visa à análise de desempenho do futebol apresentado pelo galês Gareth Bale em sua trajetória pelos clubes Tottenham e Real Madrid e o porquê de não ter assumido o protagonismo que dele se esperava na temporada 2018-2019 após a saída do português Cristiano Ronaldo do Real Madrid para a Juventus.

Bale iniciou sua carreira com 16 anos no clube Southampton U18, em 01/07/2006, time do País de Gales. Desde então, sua carreira decolou ferozmente.

No Tottenham teve maior destaque atuando pela lateral esquerda ainda. Começou a avançar – tais como os laterais esquerdos que se transferem para clubes europeus e assumem posturas ofensivas como meias-esquerdas ou alas-esquerdas – e a se destacar fazendo muitas assistências e gols. Até que o técnico André Villas-Boas mudou sua função em campo e o pôs na função de “enganche” como o maestro do time e “10 clássico”. Foi nesse período de sua carreira que o galês estourou para o mundo e se tornou um dos top players mundiais ao fazer ainda mais gols e dar mais assistências do que sua posição de lateral esquerdo lhe proporcionava. Convocações para a Seleção Galesa se acumularam até que um dos maiores clubes do mundo despertou interesse em sua contratação.

O Real Madrid, na temporada 2013-2014, apresentou uma proposta de  € 100 milhões (equivalente a R$ 300 milhões na época) e conseguiu adquirir o passe do jogador para fazer o intitulado “trio BBC” ao lado do francês Karim BENZEMA e do astro português CRISTIANO RONALDO. Porém, havia um rival nacional com um trio equivalente e que também estava se destacando: o Barcelona com seu “trio MSN” composto por Lionel MESSI, Luis SUARÉZ e NEYMAR Jr.

Anos se passaram em que ambos os clubes conseguiram conquistar a Uefa Champions League e o Mundial de Clubes da FIFA até que na temporada passada o Real Madrid optasse por vender o português Cristiano Ronaldo para a Juventus por 100 milhões de euros (aproximadamente R$ 460 milhões) e assim recaísse a responsabilidade de protagonismo nas costas de Bale e quiçá do meia croata Modric – recém eleito melhor jogador do mundo pela FIFA após o vice campeonato mundial por sua seleção.

Porém, após eliminação na Copa do Rey para o arquirrival Barcelona, manter certa distância da liderança do Campeonato Espanhol (atualmente em terceiro colocado atrás do líder Barcelona e do rival da cidade, Atlético de Madrid) e a eliminação nas oitavas da Uefa Champions League para o holandês Ajax em casa por 4×1 por que Bale segue com metade dos gols do Benzema e obteve uma queda de desempenho gritante após a saída de Cristiano Ronaldo?

Ainda que o brasileiro Vinícius Júnior tenha sido alçado ao time titular do Real Madrid, por que o galês não assume o protagonismo do qual deveria ser cobrado e recebe a herança de craque do time depois da saída do gajo dessa equipe? Por que recai apenas sobre o brasileiro recém-chegado a Madrid tal responsabilidade ao passo que Bale participa de poucos gols da equipe como um todo do que fazia outrora na presença do português na equipe? Necessitaria ele de alguém para se espelhar de modo a buscar formas de evoluir e progredir que quando tal figura se encontra indisponível, o futebol apresentado por ele se mantém na inércia?

Há um paradoxo entre o protagonismo assumido por ele no clube inglês comparado ao papel de coadjuvante exercido por ele atualmente no clube espanhol. O galês já teve papel importante em conquistas recentes do clube, mas quando dele é esperado o passo adiante, aparentemente a estagnação é que se mostra presente.

Que devemos esperar do Bale adiante? O futebol vistoso apresentado na Inglaterra e em tempos recentes de Espanha ou o parco desempenho exercido após ser dado a ele o bastão de protagonismo deixado após a saída de Ronaldo para a “Vecchia Senhora”? O tempo há de nos responder.

 

Comentários

Deixe uma resposta