Universidade do Futebol

Geffut

17/06/2009

Fatores essenciais para treinar jovens

Treinar jovens é uma atividade de alta complexidade, principalmente no futebol atual, onde os conflitos de interesse, a pressão de pais e dirigentes e as situações de rivalidade fazem-se presentes a todo instante.

Além de lidar frequentemente com essas situações, é necessário que o profissional possua competências multidisciplinares (pedagógicas, didáticas e psicológicas); que conheça profundamente o jogo, as individualidades das diversas faixas etárias e também saiba lidar com a competitividade sadia nesta fase.

Devido à popularidade e à seletividade do esporte, vários futebóis são praticados em nosso país, seja educacional, de rendimento, ou mesmo de participação. Fica evidente que, se vários são os âmbitos do nosso futebol, os objetivos para o mesmo se diferem. Entretanto, o que se observa é uma cobrança exacerbada pela vitória, independentemente de se tratar de uma categoria de base, uma escolinha municipal ou um time de bairro.

Portanto, é necessário entender o real objetivo do treinamento e avaliar se o mesmo está de acordo com o recurso humano participante, uma vez que a obsessão pela vitória pode trazer diversos desapontamentos e frustrações aos atletas.

Para Marcello Lippi, treinar jovens é uma missão para pessoas que acreditam profundamente no que estão a fazer, para pessoas que conseguem tirar da sua cabeça tudo o que tem a ver com treino de adultos. Têm de se dedicar totalmente ao desenvolvimento do talento dos jovens. “A razão pela qual deixei de ser treinador de jovens após três anos de trabalho foi porque percebi que preferia os riscos, a tensão, a necessidade de ter resultados. Foi assim que iniciei a minha grande aventura”, afirma o treinador da seleção principal da Itália.

Nessa perspectiva, torna-se claro que a vitória não é um fator fundamental na formação. Para além dessa perspectiva de rendimentos competitivos elevados, de vencer a qualquer custo, o futebol deve envolver a criança integralmente, num projeto de desenvolvimento pessoal.

Deste modo, o gestor do processo deve ter em mente a importância da formação contínua da criança, procurando não antecipar conteúdos de treino, respeitando o grau de conhecimento do jogo nas suas diferentes fases de desenvolvimento e principalmente não exercer constantes pressões desnecessárias que poderão acarretar em distúrbios psicológicos.

Assim sendo, o treinador tem a incumbência de contribuir para que o desporto preserve suas características mais positivas e proporcione aprendizagens que atinjam o atleta por inteiro, preservando os aspectos lúdicos do futebol e respeitando as individualidades de cada praticante para o mesmo desenvolver o gosto pela modalidade.

Por conseguinte, é necessário entender que o treinar na juventude possui exigências específicas, que se distinguem do que é realizado com adultos. Também é necessário perceber que o treinar não é uma forma de promoção pessoal; é, antes de mais nada, uma atividade que necessita de aprofundamento e abertura ao conhecimento, não sendo conquistada em apenas quatro anos de universidade ou em 15 anos como jogador profissional.

Outra questão pertinente para o treinador é seu poder de comunicação e a abertura para troca de idéias. Nesse aspecto, o mesmo deve, juntamente com os atletas, buscar soluções conjuntas, fixando algumas normas que serão cumpridas pelo grupo. Assim, cria-se uma atmosfera favorável para aprendizagem, onde todos terão liberdade para expressar-se, de forma a evoluírem como pessoas críticas, conhecedoras não somente dos aspectos do futebol, mas também dos aspectos morais, sociais, culturais e políticos.

Do mesmo modo, se o treinador é a pessoa que orienta, dirige, motiva, aconselha e dá exemplos, torna-se modelo a ser seguido pelos mais jovens. Assim, a grande maioria das situações por ele realizadas servirão de espelho para os atletas. Então, uma conduta correta dentro e fora das quatro linhas certamente determinará o nível de confiabilidade e as posteriores atitudes dos atletas.

Além desses aspectos, é notória a necessidade do treinador possuir aptidões metodológicas para construir e dirigir os exercícios de treinamento que abranjam todas as dimensões do jogo, especialmente se seguir uma proposta pautada no jogar, onde a criatividade e o poder de modificação deverão estar presentes semanalmente.

Portanto, ser professor de jovens não é páreo fácil. É uma divertida atividade que requer competência, compreensão, dedicação, paciência e a visão de que o futebol na formação não deve ser encarado com um fim, mas com como um meio para a evolução integral do atleta.

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