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08/08/2007

Fratura da coroa com exposição da polpa

A fratura da coroa, com exposição da polpa enquadra-se como uma fratura de terceira classe, em que o atleta sente dor significativa e combina sintomas clínicos associados às fraturas de primeira e segunda classes (não tão graves).

Considerando que a polpa está diretamente lesionada e ficou exposta, o dente pode exibir um ponto vermelho, ou pode estar sangrando. Uma coloração rosada na dentina sem sangramento é indicativa de fratura grave de segunda classe.

O dentista e professor John F. Wisniewski, da Universidade de Medicina e Odontologia de Nova Jersey, nos Estados Unidos, recomenda o seguinte tratamento:

a) Controle do sangramento pulpar com o uso de gaze estéril ou chumacinhos de algodão.

b) Em casos de sangramento moderado a intenso, o médico pode controlar a hemorragia e também a dor com a utilização de um anestésico local. Inicialmente, devemos dar preferência à administração de uma injeção periapical em lugar de uma injeção intracanal. Mas se houver necessidade desse último procedimento, devemos ter um cuidado ainda maior porque esse tipo de injeção pode causar ou exacerbar uma fratura dental. Geralmente é aceitável lidocaína, com ou sem epinefrina.

c) Ao fazer uma injeção periapical, rebata o lábio ou bocheca, de modo que a prega mucobucal fique claramente visível. Remova quaisquer restos, saliva ou sangue do local da injeção. Use palpação digital para localizar o ápice da raiz profundamente na prega mucobucal. Insira a agulha calibre 25 ou 27 acoplada à seringa, com o bisel direcionado para o osso, numa inclinação de 45°. Em seguida à aspiração, injete lentamente a solução anestésica.

d) Antes de uma injeção intracanal, o médico deve ter administrado um anestésico local via injeção periapical, e deve identificar a origem do sangramento como sendo pulpar, e não de qualquer dos tecidos moles ou perodontais subjacentes.

e) Ao fazer uma injeção intracanal, o médico deve administrar o anestésico local com uma agulha calibre 27. A seringa deve formar uma vedação passiva com o forame do canal, e a solução anestésica será injetada sem forçar. A solução deve ser administrada intermitentemente, com breves intervalos, até que o anestésico reflua do canal.

Em casos como este, o atleta não deve retornar à prática esportiva, sendo ou não utilizado um anestésico. Para que seja obtido o melhor prognóstico e para reduzir o risco de infecção, há necessidade de consulta imediata com um dentista. Imediatamente depois do traumatismo, será iniciada a terapia do canal da raiz.

Bibliografia

Marc R. Safran, Douglas B. McKeag, Steven P. Van Camp (orgs.). Manual de Medicina Esportiva. Ed. Manole, 2002.

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