Universidade do Futebol

Gepeef

03/05/2008

Futebol brasileiro: uma cultura

O futebol no início do século XX atingiu sua influência nacional apesar de, em meados da década de 1920, ter se caracterizado como esporte da elite. A popularização é tão nítida, que nosso país chega a parar quando a seleção masculina de futebol tem jogo na Copa do Mundo. E nem precisa estar na final da Copa para isso acontecer, mesmo no jogo de estréia, o país pára para assistir a seleção jogar.

O futebol é assunto para discussão em qualquer lugar do mundo e o assunto pode ser desde uma criança chutando uma bola aos 2 anos de idade, até qual seleção está melhor preparada para ganhar a Copa do Mundo. Segundo DaMatta et al. (1982, citado por DAOLIO, 2006) o futebol é o ópio do povo. Como exemplo temos o Mundial do México de 1970 em que o Brasil estava em busca do tricampeonato mundial, e o país vivia a ditadura militar, época de repressão e censura. Enquanto isso, o esporte, ao contrario do trabalho, da guerra, talvez fosse uma das poucas atividades, menos séria e censurada.

Nesse sentido poderia ser associado a valores de divertimento e recreação, com único objetivo de enganar ou distrair a população dos problemas realmente sérios.

De acordo com o autor acima citado, o fato do futebol ter crescido tanto neste país se deve a ele não pertencer mais à camada dominante e sim a população, que exprime uma série de problemas em alternadas percepções e emoções concretas, sentidas e vividas. Assim, existe certa co-relação ao espetáculo do jogo e a sociedade brasileira em seus rituais de comportamento, sendo uma condição sociocultural do povo brasileiro de se adaptar em determinadas práticas, nas quais existe igualdade de condições, pois as regras do futebol, isso o possibilita.

O ponto que caracteriza o futebol é sua forma de jogar que é com os pés. Segundo Mauss (1974 citado por DAOLIO, 2006) a habilidade com os pés é uma característica motora de uma sociedade, possível de ser transportada para seus descendentes. Podemos dizer então que isto explicaria porque os meninos e agora as meninas do Brasil crescem jogando futebol. Sendo um esporte coletivo e individual ao mesmo tempo, que expressa suas iniciativas em dribles, fintas, uma malandragem totalmente brasileira, o futebol ilustra o conflito potencial da criatividade individual, que floresce nas jogadas de efeito como bicicletas, lençóis, dribles e coletividade do conjunto, para o qual se deve jogar.

Bibliografia

DAOLIO, JOCIMAR. Cultura: Educação Física e futebol. 3ª edição. Campinas, SP: Editora da Unicamp, 2006.
 

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