Futebol de Base: Um diagnóstico estrutural e financeiro do processo de captação de atletas em clubes de futebol do Brasil

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Inegavelmente o futebol manifesta-se como fenômeno sociocultural no Brasil, tendo em vista a imensa relevância no cotidiano da sociedade. É possível notar altíssima demanda de praticantes em caráter recreativo, social, formativo e profissional. Entretanto, milhões de crianças e adolescentes projetam na carreira de jogador de futebol a realização de um sonho, a possibilidade de ascensão social, diminuição das dificuldades familiares e a esperança de uma vida com mais qualidade. Todavia, pesquisas mostram que 82% dos atletas profissionais de futebol recebem até 02 salários mínimos. Tem-se então como problemática da pesquisa a intenção de diagnosticar as condições de recursos humanos, materiais e financeiros que os clubes de futebol no Brasil disponibilizam para fomentar o processo de captação de atletas para suas categorias de base.

Quanto a metodologia, foi confeccionado um questionário estruturado com vinte e sete perguntas e direcionado via e-mail à membros de 75 clubes do futebol brasileiro que possuem histórico em formação de atletas. Utilizou-se um recorte de dez perguntas para essa análise, visando identificação estrutural e econômica do mecanismo de captação de atletas.

Convém ressaltar que tivemos a taxa de retorno equivalente 68% dos questionários encaminhados, ou seja, 51 clubes. Sendo 26 das Séries A e B e 25 clubes que não constavam nas divisões anteriormente citadas no ano de 2016.

Os resultados mostraram que 57 % dos clubes investigados possuem Departamento Captação. Desses, 68% são geridos por um Coordenador de Captação. Observou-se também que a média salarial desse profissional é de aproximadamente R$ 6.000,00 em clubes de Séries A e B e de R$ 3.000,00 em clubes não pertencentes à essas divisões.

No tocante aos custos destinados ao Departamento de Captação para despesas mensais com viagens, alimentação e hospedagem dos observadores técnicos, notou-se que 65% dos clubes apresentam dispêndio de até R$ 3.000,00, 26% investem entre R$ 3.000,00 e 10.000,00 e 09% destinam valores acima de R$ 10.000,00. Importante salientar que os clubes identificados com maior capacidade de investimento pertencem a Série A do Campeonato Brasileiro.

No que se refere as despesas com contratação de atletas para as categorias de base, leia-se pagamento de luvas, gratificações e/ou bonificações. Foi possível constatar que 08% dos clubes destinam verba mensal para este fim, sendo que em nenhum deles o valor ultrapassa R$ 10.000,00. Cerca de 91% dos clubes pesquisados possuem observadores técnicos no quadro funcional. Destes, verificou-se que 42% dedicam-se exclusivamente a função de observador técnico. A pesquisa revelou também que a média salarial para desempenhar essa função é de R$ 3.450,00 em clubes da duas principais divisões do futebol brasileiro. Nos demais clubes investigados, encontrou-se média de R$ 2.580,00.

Foi possível verificar que os clubes totalizaram 129 observadores técnicos, gerando uma média de aproximadamente 3 profissionais por clube. Ao analisarmos o quadro de profissionais que são responsáveis por garimparem talentos em outras regiões, percebemos que apenas 18% dos clubes possuem observadores técnicos externos, destes, 11% visitam quinzenalmente seu clube, 44% mensalmente, 33% trimestralmente e 11% semestralmente.

A partir dos resultados deste estudo, é inevitável sublinhar a necessidade dos clubes entenderem a importância de aporte financeiro para viabilizar despesas com logística de viagens dos observadores técnicos e a criação planejada de cotas que contemplem reconhecimento financeiro para aquisição de talentos. No que se refere ao número de observadores técnicos, identificamos insuficiente quantidade de profissionais para atender a demanda de trabalho, tendo em vista as condições geográficas de nosso país.

Ao identificar que poucos clubes possuem observadores técnicos externos, constata-se a importância de investimento mais agressivo na contratação deste profissional com a intenção de tornar-se mais competitivo nesse concorrido mercado pela busca de jovens com sinais relevantes de talento.

Vale ressaltar que clubes pertencentes às Séries A e B do Campeonato Brasileiro possuem vantagens consideráveis no que se refere aos aspectos estruturais, favorecendo maior investimento no processo de seleção e detecção de talentos. Apesar desta discrepância, diagnosticou-se que clubes de divisões inferiores não deixam de lado a prospecção de jovens promessas em detrimento das sérias restrições no tocante aos recursos humanos e financeiros.

Em última instância, é necessário lembrar que clubes de futebol que desejam atuar de maneira profícua na esfera da captação de atletas devem preocupar-se com formatação de um setor específico para tal atividade, departamento esse que deve possuir profissionais competentes e remunerados adequadamente dentro da política do clube, além de destinar orçamento específico para potencializar a oportunização, identificação e seleção de talentos para as categorias de base.

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