Universidade do Futebol

NUPEF

10/04/2013

Futebol e cognição

A importância das habilidades físicas, motoras e técnicas não são contestadas no meio esportivo. Contudo, nas últimas duas décadas, pesquisas têm dado foco aos processos cognitivos no esporte (MANN et al., 2007). Tem se procurado compreender, cada vez mais, o modo como jogadores percebem, aprendem, identificam e selecionam informações relevantes e tomam decisões adequadas.

Os processos cognitivos compreendem todos os processos de reconhecimento, elaboração e memorização da informação e eles se relacionam com funções como sensações, memória e reflexão durante a execução das ações (TAVARES; FARIA, 1996). Assim, boas equipes de futebol têm sido caracterizadas por possuírem relações estreitas entre capacidades táticas e os processos cognitivos (VESTBERG et al., 2012).

Portanto, podemos assegurar que em esportes como o futebol, que tem por característica uma rápida mudança no contexto do jogo e grande variabilidade de situações, o sucesso vai depender de como cada membro da equipe processa as informações inerentes ao jogo, da velocidade com que se adapta às situações e das suas estratégias de tomadas de decisão (FILGUEIRA; GRECO, 2008).

No contexto prático, na formação de jogadores de futebol, pouca atenção é dedicada ao desenvolvimento dos processos cognitivos. Para compreender o jogo, os jogadores devem ser capazes de organizar as ações em função do contexto. As competências de leitura do ambiente e a execução das habilidades dependem do entendimento que se tem do jogo, não se tratando, portanto, de um problema sensorial ou técnico (GARGANTA, 2006). Torna-se importante desenvolver competências que transcendam a execução propriamente dita, é preciso desenvolver a formação tática do atleta, para que estes sejam capazes de analisar e interpretar a informação percebida e executar as ações do jogo com o máximo de precisão (SILVA; JUNIOR, 2005).

O conhecimento existente acerca da interferência destes processos cognitivos sobre o comportamento dos jogadores ainda necessita de avanços científicos, no Núcleo de Pesquisas e Estudos em Futebol (NUPEF) da Universidade Federal de Viçosa, existem trabalhos em andamento que correlacionam cognição e futebol e que visam contribuir para definição de orientações relacionadas aos aspectos do desempenho e comportamento tático no futebol.

Todavia, torna-se imprescindível a necessidade de estudar o processo de formação esportiva, analisar os conteúdos transmitidos aos atletas e estimular sua capacidade criativa, contribuindo assim, para identificação de talentos e desenvolvimento da modalidade.

Referências:

FILGUEIRA, F. M.; GRECO, P. J. Futebol: um estudo sobre a capacidade tática no processo de ensinoaprendizagem-treinamento. Revista Brasileira de Futebol, v.1, n.2, p.53-65. 2008.

GARGANTA, J. Ideias e competências para “pilotar” o jogo de futebol. In: Gotani, J. Bento e R.Peterson (Ed.). Pedagogia do Desporto. Rio de Janeiro: Guanabara, 2006, p.313-326.

MANN, D. T. Y.; WILLIAMS, A. M.; WARD, P.; JANELLE, C. M. Perceptual-cognitive expertise in sport: a meta-analysis. Journal of Sport and Exercise Psychology, v.29, n.4, p.457-478. 2007.

SILVA, T. A. F.; JUNIOR, D. R. Iniciação nas modalidade esportivas coletivas: a importância da dimensão tática. Revista Mackenzie de Educação Física e Esporte, v.4, n.4, p.71-93. 2005.

TAVARES, F.; FARIA, R. A. A capacidade de jogo como pré-requisito do rendimento para o jogo. In: J. Oliveira e F. Tavares (Ed.). Estratégia e tática nos jogos desportivos coletivos. Porto: Centro de Estudos dos Jogos Desportivos, 1996.

VESTBERG, T.; GUSTAFSON, R.; MAUREX, L.; INGVAR, M.; PETROVIC, P. Executive functions predict the success of top-soccer players. PLoS ONE, v. 7, n.4, p.1-5. 2012.

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