Universidade do Futebol

Gustavo D’Avila

10/09/2015

Futebol ético?

Estamos vendo, rodada após rodada, no Campeonato Brasileiro de futebol, sucessivos erros de arbitragem e o consequente enxame de reclamações e discussões sobre os impactos destes erros nos resultados das partidas de futebol.

Mas, eventualmente, nós nos perguntamos se os clubes não acabam por serem tentados, através de seus interlocutores, em utilizar estas falhas de arbitragem como forma de esconder outros problemas internos em suas instituições esportivas.

Penso particularmente que sim, pois se o volume de reclamações contra a arbitragem cresce e ganha espaço exponencialmente. Por qual motivo o mesmo volume de retratações ou reconhecimentos de tais benefícios não cresce na mesma proporção?

Ou seja, será que nos falta mais ética no meio do futebol? Será que o lúdico do jogo perdeu definitivamente para a necessidade desesperada de vitórias e de sucesso das instituições esportivas? O falado Fair Play nestas situações é deixado de lado quando os erros de arbitragem acontecem?

Quando este erro acontece, o beneficiado geralmente não o reconhece e por este motivo igualmente não se pronuncia a respeito, se reserva o direito da palavra como que se o problema fosse apenas do outro clube e do trio de arbitragem de uma determinada partida. Aí talvez esteja um dos nossos problemas, não apenas dentro do futebol, mas dentro de nossa própria sociedade. Não nos respeitamos o suficiente e infelizmente buscamos intensamente a busca pela vantagem, mesmo que essa seja ilícita e que infrinja os direitos do outro que muitas vezes chamamos de coirmão.

Relembrando a definição de ética, por Mario Sergio Cortella, podemos endente-la como o conjunto de valores e princípios que usamos para definir nossa conduta. É a arte de responder a três grandes questões da vida: Quero?; Devo?; Posso? Ou seja, é a forma como lidamos com as questões sobre: Nem tudo que queremos, é possível fazermos; nem tudo que podemos, nós devemos fazer e nem tudo que devemos, nós podemos fazer. Ainda, de acordo com Cortella, nós estamos em paz de espírito quando aquilo que queremos é ao mesmo tempo o que podemos e o que devemos fazer.

Ou seja, a ética corresponde a teoria sobre a conduta que devemos ter em relação aos assuntos da vida cotidiana. É sobretudo a nossa capacidade de fazer escolhas e quando nossas escolhas deixam de refletir uma atitude integra e transparente podemos deixar de ser éticos.

Então, compreendendo que o jogo de futebol acontece num universo de uma disputa esportiva baseada no lúdico e mais, se entendermos que os próprios atletas mudam constantemente de clubes no futebol brasileiro, chega o momento de termos uma nova conduta em relação ao que acontece para todos os clubes de futebol. Afinal, o quão ético somos no futebol, se quando o erro nos beneficiam ficamos calados e felizes pelo simples fato de termos obtido a vitória numa determinada partida? Quer dizer que somos éticos apenas quando o erro não nos beneficia?

Neste ponto, podemos dar partida a uma nova reflexão a respeito, talvez seja o momento para o qual estejamos prontos a iniciar uma jornada de conduta mais adequada para o meio que atuamos: o esporte. E você amigo leitor, o que acha sobre o tema? 

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