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27/08/2015

Futebol Feminino: caminhando…

Quantos já não ouvimos que “Futebol é só para rapazes”, ou já ouvimos chamar tal menina de “Maria Rapaz”, por “jogar à bola” e muitas vezes no meio dos rapazes. São estes e outros obstáculos, que o Futebol Feminino tem vindo a ultrapassar ao longo dos tempos, tendo percorrido um caminho longo e muitas vezes sinuoso. Mas o Futebol Feminino, embora ainda amador e dependente de muita “carolice”, está vivo, hoje já ouvimos de uma forma regular falar “deste” Futebol, os campeonatos são noticiados, as jogadoras premiadas, as seleções obtêm resultados dignos de registo, fala-se de jogadoras no exterior e temos equipes a disputar a Champions League.

Ora vejamos:

– Quem acompanha o fenômeno desportivo e lê jornais especializados, por certo que não lhe passou despercebido, olhando para resultados, tabelas classificativas e pequenas reportagens nomes como: Valadares-Gaia, Atlético Ouriense, Futebol e Benfica, Fundação Laura Santos, entre outros;

– Quem não acompanhou, o centenário da Federação Portuguesa de Futebol – Quinas de ouro? Onde não foi esquecida a variante feminina, e onde Carla Couto foi eleita a jogadora do século;

– As seleções portuguesas, que mesmo contra algumas potências (já profissionais), vão conseguindo alguns brilharetes como o atingir das semifinais do Campeonato Europeu sub-19, realizado na Turquia em 2012 e o apuramento para o Campeonato Europeu de 2013, em sub-17 que se realizou na Inglaterra. Tais brilharetes ganham maior destaque, quando apenas são apuradas para a fase final desta competição oito equipas (contando com a equipa anfitriã que é apurada automaticamente) num lote de 60 seleções à partida;

– Jogadoras portuguesas no estrangeiro, já são muitas que escolhem o além fronteiras para dar continuidade à sua carreira, sob uma forma profissional e mais competitiva, por outro lado, a jogadora portuguesa já é alvo de cobiça de emblemas estrangeiros, poderemos dar como exemplos, Ana Borges, Adriana Rodrigues, Carolina Mendes, Patrícia Morais, Cláudia Neto, Dolores Silva, Laura Luís, Mônica Mendes, entre outras;

– Outro grande destaque do nosso Futebol Feminino, foi o apuramento inédito de uma equipe portuguesa, neste caso o Clube Atlético Ouriense, para a Champions League Feminina na presente época, após ter ganho o grupo 8 da competição, ficando à frente das equipes do Standard de Liège, ASA Tel-Avi e Cardif Met.

Estes são realmente fatos muito positivos, mais ainda muito tênues, o Futebol Feminino necessita de alicerces fortes, que façam que situações destas aconteçam mais vezes e possibilitem um maior crescimento da modalidade. Tal crescimento e desenvolvimento da modalidade passa por alguns vetores:

– Aumento do número de praticantes, atualmente em Portugal praticam Futebol (variante de 11) cerca de duas mil praticantes, num universo de cerca de 150 000. Daqui se entende, que o recrutamento para a modalidade é algo de fulcral, como fazê-lo? 1º passo, teremos que ir à “fonte”, a Escola, o Desporto Escolar, é aqui que nos dias de hoje, as meninas começam a dar os primeiros “pontapés”; 2º passo, articulação entre escolas e clubes, formando parcerias de formação, criando por exemplo “clubes escola”; 3º passo, tutela e detecção de talentos por parte de associações e federações;

– Tornar mais apelativa a participação em competições, dado que até ao escalão de sub-15, não existem escalões de formação femininos, as meninas que queiram competir, têm que jogar conjuntamente com os rapazes, criando por vezes alguns constrangimentos e afastamento da modalidade. No entanto, algumas associações, começam a organizar campeonatos regionais de futebol 7 (sub-19, sub-18 e sub-16), será importante abranger tal medida a todo o país, assim como a nível distrital, organizar concentrações periódicas de pequenas competições informais de escalões ainda mais jovens;

– Maior incentivo aos clubes para a criação de equipes de formação femininas e organização, entre eles de encontros pontuais;

– Criação de dinâmicas ao nível local, de forma a obter um maior investimento/apoio ao Futebol Feminino;

– Combater os constrangimentos ainda muito presentes, que desvalorizam o Futebol Feminino e dificultam o acesso das mulheres ao Desporto.

Podemos concluir que o Futebol Feminino em Portugal está em expansão, com pouco tem-se feito muito, imagine-se o que não se poderá atingir com uma maior concertação de ideias, estratégias e vontades.

“O caminho faz-se caminhando”…. Vamos acreditar que sim!!

 

*Professor de Educação Física, Treinador Sub-16/Diretor Técnico Formação – Sport Grupo Sacavenense, Selecionador Adjunto – Seleção Sub-16 Feminina e Sub-14 Masculina – AFLisboa 

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