Universidade do Futebol

NUPEF

11/07/2013

Futebol feminino e suas barreiras

O futebol no Brasil é considerado um esporte atrativo devido à característica de imprevisibilidade das ações que estimulam a plasticidade de determinadas jogadas, sendo debatido pela sociedade através de matérias feitas pela mídia que abordam com maior frequência o futebol masculino. Mas, e o futebol feminino?

O status "país do futebol" não condiz com a realidade do futebol feminino que não está em evidência na mídia possivelmente pela dinâmica de jogo não ser atraente para o público, além de não haver boa organização e não ser sistematicamente desenvolvido, o que implica em poucos investimentos por grandes empresas que possibilitem seu crescimento.

Porém, mesmo com a clareza desses problemas, a evolução da prática pelas mulheres ocorreu de forma lenta, aumentando paulatinamente até o presente momento.

Fazendo um breve histórico do futebol feminino no Brasil, a primeira partida ocorreu em 1921 entre as senhoritas tremembenses e as senhoritas catarinenses que foi considerada uma atração curiosa e depois sendo apresentada como uma atração em circos, por ser algo diferente, que nunca foi visto (CAPRARO; CHAVES, 2007).

Entre 1941 e 1975, havia uma lei que proibia a prática do futebol pelas mulheres e elas só puderam praticar após 1981, ainda com restrições, pois não podiam se profissionalizar. Apenas em 1996 o futebol feminino foi considerado como modalidade olímpica, que teve a participação da seleção brasileira feminina e que conquistou o 4º lugar impulsionando o esporte no país.

Outras conquistas como Copa do Mundo de 1999 (3º lugar), 2007 (2º lugar), Olimpíadas de Sidney 2000 (4º lugar), Atenas 2004 (2º lugar), Pequim (2º lugar) e Pan Americano do Rio de Janeiro 2007 (1º lugar), Guadalajara 2011 (2º lugar) também foram de suma importância.

A falta de interesse dos investidores e da mídia dificulta o crescimento de praticantes nessa área, segundo a CBF são 400 mil mulheres jogando futebol no Brasil. Em São Paulo, onde há o maior número de praticantes, são apenas 206 federadas e somente 10% delas são profissionais. Nos Estados Unidos, são 12 milhões de mulheres praticantes de futebol, número muito maior que o do Brasil.

Neste contexto de nítida deficiência, a história mostra que para o crescimento do futebol feminino no Brasil, necessitaria de mais investimento, maior interesse dos meios de comunicação, regulamentos e incentivos que permitam os clubes acolherem a modalidade, além da valorização das praticantes (MOREL; SALLES, 2005).

Na Europa há "Uefa’s Women’s Football Development Programme" (Programa de desenvolvimento do futebol feminino) que foi criado para apoiar desenvolvimento do futebol feminino a curto e longo prazo e baseia em três aspectos: imagem, base e governança. São 1,8 milhões de jogadoras registradas e obtendo êxito no projeto piloto, em 2010. O projeto tem crescido de forma organizada e tem financiado as mulheres de forma contínua.

O crescimento do futebol feminino no Brasil pode ocorrer através de incentivos disponibilizados pelas federações e confederações e também com a criação de projetos que irão estimular a prática feminina desde a categoria de base até a profissionalização não havendo declínio e ascensões dos times, e havendo constantes renovações de atletas.

Um exemplo que foi citado e que merece destaque é o projeto da Uefa que tem surtido efeito e que poderia ser adaptado ou servir como exemplo para ser introduzido no país. A mídia percebendo essa diferenciação na dinâmica do futebol feminino, aliada a uma boa organização dos projetos e competições se tornará segura em incluí-las em seus noticiários possibilitando a inserção dessa modalidade na sociedade, auxiliando as mulheres a ultrapassar as barreiras que a impedem de crescer.

Referências bibliográficas:

CAPRARO, A. M.; CHAVES, A. O Futebol feminino: uma história de luta pelo reconhecimento social. Lecturas: Educación Física y Deportes. 12 2007.

MARTINS, L. T.; MORAES, L. O futebol feminino e sua inserção na mídia: a diferença que faz uma medalha de prata. Pensar a Prática, v.10, n.1, p.69-82. 2007.

MOREL, M.; SALLES, J. Futebol feminino: Atlas do esporte no Brasil. Rio de Janeiro. 2005.

Comentários

  1. UNIFUT disse:

    Amigos, como uma pessoa do meio (do futebol feminino), embora num estado da Federação em que as coisas não são repercutidas com a mesma força de outras regiões, tenho uma visão um pouco mais positiva do quadro atual da modalidade. Creio que tivemos uns poucos ganhos mais gerais, enquanto outros foram pontuais. E exatamente por isso vejo a situação com mais otimismo.

    Aqui no estado do Ceará, temos uma competição aberta/adulto com periodicidade anual, mas nos beneficiamos também de três nacionais. A Copa do Brasil, o Brasileirão e o Sub-20 nacional do Ministério do Esporte.

    Conseguimos mais que dobrar o número de participantes do Campeonato Cearense de Futebol Feminino, além de termos promovido uma abertura do mesmo para filiados e não filiados à Federação Cearense de Futebol e à Liga Cearense da modalidade, desse modo propiciando a que escolas, faculdades, universidades e projetos sócio-desportivos possam participar da competição.

    Para o próximo ano, conseguimos construir um Calendário no qual passamos de uma para duas competições, sendo uma no primeiro semestre e a outra no segundo. A primeira delas é Sub-20, por ser a mais inclusiva das categorias, enquanto a outra é adulto/aberta, o que também possibilita a participação de meninas a partir de 14 anos.

    Ademais, hoje possuímos dois projetos-modelo, ambos com muita qualificação, tanto na formação e iniciação, quanto na oferta de benefícios assistenciais e educacionais para muitas das meninas. Temos a pretensão de que esses projetos sejam vistos pela CBF como núcleos de excelência, a fim de aquela entidade se deixe sensibilizar para o estabelecimento de parcerias.

    (…)

    Benê Lima, cronista esportivo, coordenador de futebol feminino da FCF, presidente da LCFF, membro do Conselho do Desporto do Estado do Ceará

Deixe uma resposta