Universidade do Futebol

Gepeef

03/03/2008

Futsal e futebol feminino: perspectivas

O futebol de salão feminino, segundo Santana e Reis (2007) “[…], foi autorizado pela Federação Internacional de Futebol de Salão (Fifusa) em 23 de abril de 1983”. O que, desde então, provocou uma significativa evolução, pois “em âmbito nacional, além da tradicional Taça Brasil de Clubes, que em 2003 completou a XII edição, formou-se pela primeira vez uma Seleção Brasileira do gênero – mais precisamente em 07/12/2001, quando de um jogo amistoso com o Paraguai, em Londrina (PR), e promoveu-se, em 2002, o I Campeonato Brasileiro de Seleções. Nesse último, realizado em São Paulo com a participação dos estados de Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Rio de Janeiro e São Paulo, essa última foi campeã”.

Com a evolução da seleção brasileira principal, a qual vive seu melhor momento na historia, de acordo com a Confederação Brasileira de Futsal (CBFS), passou-se a ter uma necessidade de expandir o futsal para torná-lo Olímpico, pois, para isso é necessário que seja praticado pelos gêneros masculino e feminino (SANTANA e REIS, 2007). Mas o futebol feminino não é tão recente. Segundo Moura (2007) ele começou a ser praticado em 1940 por mulheres do subúrbio do Rio de Janeiro:

O futebol estava sendo praticado de maneira organizada em torneios e exibições de gala por mulheres do subúrbio carioca, causando uma calorosa discussão entre médicos, jornalistas, populares, professores, intelectuais e o próprio Governo Vargas. Os embates realizados principalmente nos jornais cariocas mais expressivos da época questionavam se tal esporte poderia ser praticado ou não por nossas “patrícias” (como se dizia na época). Correr atrás de uma bola era negar o papel de mãe responsável pela geração de uma “nova raça”.

Começava assim uma discussão referente aos movimentos que a mulher poderia realizar, assim como sofrer lesões e se isso afetaria sua reprodução. Porém o que os especialistas da época não levaram em conta era que o homem também sofria lesões. Nessa época, o presidente Vargas, tomando como base tal “cientificidade”, estabeleceu a primeira Legislação Esportiva Nacional, que acabou proibindo o futebol feminino em nosso país. Deste modo, durante décadas, o futebol feminino lutou contra essas restrições, “conseguindo com isso ultrapassar as fronteiras daquilo que seria “esportes femininos” e “esportes não-femininos” (MOURA,2007).

De acordo com este último autor citado, com o espaço alcançado pela mulher na ultima década o universo futebolístico não é mais homogêneo, pois com essas mudanças sociais e culturais a mulher passou a desenvolver um futebol prático e de qualidade. A Educação Física foi um fator importante no ambiente escolar, pois as meninas tiveram um incentivo maior dos professores de Educação Física para que também praticassem futebol em suas aulas.

Para Moura (2007), apesar do futebol feminino, no Brasil, ainda viver de altos e baixos, principalmente o chamado “futebol profissional” (falta de campeonatos, de torneios, equipes que se formam e rapidamente se extinguem por falta de apoio, etc.), pode-se dizer que o mesmo já conquistou uma boa parte das mulheres. Mas é importante ressaltar que o futebol de campo ainda não tem uma estruturação.

Somente o futebol de salão está mais bem estruturado em nosso país, o qual, de acordo com pesquisa realizada por Santana e Reis (2007), está se iniciando precocemente, no estado do Paraná. Porém, a grande maioria das meninas começa na rua em locais onde não ocorre a iniciação esportiva, o qual, ainda que informal e desprovido de um tratamento pedagógico é favorável ao aprendizado do futsal.

No estado do Paraná Santana e Reis (2007) montaram a seguinte tabela para melhor compreensão das características do perfil atual da jogadora de futebol:

Síntese do perfil das atletas

Fatores pesquisados / Perfil dos atletas
Média de idade / Em média 20,55
Principal local de iniciação / Escola (46,4%), seja em aulas de educação física ou na escola especializada
Início de prática sistemática / Em média 13,69 anos, 62,8% na adolescência
Início do vínculo federativo / Em média 17,12 anos
Tempo de prática sistemática / Em média 6,95 anos
O que consideram mais relevante na prática sistemática / O prazer de jogar (32,5%)
Remuneração / 32,5% (14 atletas)
*Esta tabela contém dados do estado do Paraná.

Assim, Santana e Reis (2007), concluem que:

“Por conta de o futsal feminino, diferentemente do masculino, carecer de uma categorização regulamentada a respeito da divisão etária das suas diversas categorias, julgam pertinente que a Confederação Brasileira de Futsal em geral e as Federações em particular se preocupem em homogeneizar a faixa-etária. Isso evitaria tratamentos distintos para a mesma categoria”.

Deste modo fica a questão: qual idade certa para a mulher iniciar sua pratica no futsal? De acordo com Santana e Reis (2007) a menina, começando precocemente a pratica do futebol, poderá se equivocar em algumas fases da vida, assim o professor de Educação Física deve procurar ensinar sem exageros de forma que ela possa, sem pressa, viver sua adolescência e conhecer o que deseja futuramente.

Os professores devem ter cuidados pedagógicos com a iniciação esportiva, para que não proporcionem as meninas os mesmos problemas que os meninos vêem desenvolvendo com a especialização esportiva precoce.

Mas, para além dos cuidados com a iniciação esportiva, “atualmente, para as mulheres brasileiras, sua participação” (enquanto jogadoras de futsal) “ultrapassa o entendimento de que as mesmas tenham apenas um papel de relevância secundária, sendo coadjuvantes, como a mãe que lava os uniformes dos meninos, a irmã que limpa as chuteiras, a namorada que prepara os canapés e serve as bebidas, etc. Elas agora se afirmam tendo um papel sócio-esportivo no mesmo nível dos homens brasileiros. Não igual, pois o direito à diferença articula um caminho para uma convivência mais saudável entre os sexos e para a construção de um gênero humano que se componha como uma unidade na diversidade” (MOURA, 2007).

Bibliografia

SANTANA, WILTON CARLOS DE; REIS, HELOISA HELENA BALDY DOS.
Futsal feminino: perfil e implicações pedagógicas. Paraná, 12/2003.
Disponível em http://www.pedagogiadofutsal.com.br/artigo_004.asp;>. Acesso em 15 de outubro 2007. Revista Brasileira de Ciência e Movimento, Brasília, v. 11, n. 4, p. 45-50, out./dez. 2003.
MOURA,ERIBERTO LESSA. O futebol feminino no Brasil. Disponível em http://www.mesquitaonline.com.br/artigos_mostrar.php?cod=56;>. Acesso em 15 de outubro 2007.

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