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28/03/2013

Gestão no futebol brasileiro: os princípios do modelo Taylorista/Fordista

A área do saber denominada Administração é datada do início do século XX, de forma oficial. Esta área do saber tem seu marco inaugural com a publicação do livro "Princípios de Administração Científica", de Frederick Taylor, em 1911.

Taylor orientou seus trabalhos para o funcionamento das fábricas das empresas. Entendia que, com o melhor aproveitamento do trabalho fabril, através de boa gestão, as indústrias incrementariam sua produtividade e, em consequência, sua produção.

Para tanto, preconizava que deveria ser executado um planejamento detalhado do trabalho fabril. Este deveria ser composto, por um lado, por uma ótima sequência de tarefas fabris e, por outro, pela padronização da realização de cada tarefa. O método foi denominado organização racional do trabalho (ORT).

Os princípios tayloristas não se resumiam, no entanto, à estruturação das tarefas industriais: seria necessário, igualmente, motivar os colaboradores – operários, no caso; segundo a visão de Taylor, a motivação dava-se através de dinheiro, seria a oferta de valores pecuniários que estimularia os empregados a produzirem mais e melhor (o salário por peça e o prêmio de produção), sendo esta a visão econômica do ser humano, conhecida como homo economicus.

Henry Ford foi um conhecido industrial do início do século XX, fundador das Ford Motor Company, ícone da indústria automobilística. Notabilizou-se por fabricar veículos automotivos em larga escala, o que propiciava a redução de custos por unidade produzida e, por decorrência, o barateamento dos preços de produtos finais.

Totalmente alinhado com os princípios de Taylor, Ford introduziu inovações fabris como a linha de montagem seriada, que revolucionou a escala de produção das indústrias da época.

Taylor e Ford possuíam ideias revolucionárias e complementares para a época e, assim, criaram as bases da gestão das indústrias, sendo que muitos dos princípios defendidos são válidos ainda nos dias atuais. O modelo Taylorista/Fordista permanece sendo útil em vários contextos, mesmo passado cerca de um século de sua inauguração.

E o futebol brasileiro em relação a isso tudo? Não se deve esquecer que muitos dos aspectos de funcionamento de qualquer organização repetem o padrão da indústria, e as organizações ligadas ao futebol não são exceção. Princípios do modelo Taylorista/Fordista são úteis à gestão de nosso futebol.

Exemplos? Alguns deles são:

• A base do aumento da produção é a repetição das tarefas, ou operações. Pense em um jogador de futebol que, tal qual o operário, repete à exaustão a execução de um fundamento, como cobranças de faltas, por exemplo. Um Zico, um Roberto Dinamite, um Rogério Ceni. Repetição gera perfeição. No futebol repetir exaustivamente os fundamento leva à excelência do jogo, que leva à satisfação dos torcedores, que leva ao aumento da assistência, que leva ao incremento do faturamento.

• O modelo preconizava que era importante, para o resultado final, a presença de ferramental apropriado para a execução dos serviços. Ora, os exemplos de ferramentais, que devem ser apropriados, são diversos: bolas, chuteiras, meias, calções, camisas, caneleiras, centros de treinamentos, centros de fisiologia, centros médicos, etc.

• Os autores defendiam ideias ligadas a produzir muito, para se vender muito. Vender muito é tudo que o futebol brasileiro de hoje precisa, tanto em termos de ingressos e público que aflui aos estádios, como em termos de gente que assiste pela televisão, aumentando as cotas de transmissão.

• Salário por peça e prêmio de produção são conceitos que podem ser adaptados ao futebol: no dia em que os clubes pagarem salários fixos menores e atrelarem parte substancial da remuneração à produtividade e aos resultados, dar-se-á um passo decisivo para a melhoria da estrutura organizacional dos clubes.

• Os autores preconizavam que o trabalho dividido e a especialização do operário gerava aumento de produtividade na fábrica. Será que, em se fazendo o mesmo no futebol, os resultados não são melhores?

Muitos consideram que, hodiernamente, Taylor e Ford são autores superados. Pode até ser, em determinados contextos. Mas será que em todos? Para os gestores do futebol brasileiro, fica a reflexão.

*Luis Filipe Chateaubriand é professor universitário na área de Gestão

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