Universidade do Futebol

Ceaf

04/12/2007

Imediatismo prejudica a formação de atletas

O grande momento do futebol é sem dúvida alguma marcar um gol. Nações se inclinam quando vêem seu time do coração fazendo aquele golaço e o atleta saindo para comemorar com a torcida, beijando o símbolo de seu clube. Porém, quando se fala em categorias de base, deve-se ter um grande cuidado com a relação entre resultados imediatos – no caso, somente o gol – e a formação propriamente dita.

Romper com o paradigma do imediatismo é algo muito complexo para a grande maioria de treinadores, torcedores e também de muitos pais. Para isto acontecer é preciso contar com uma metodologia voltada à execução de treinos que estimulem a inteligência dos jogadores, para que então estes possam resolver de modo natural, as dificuldades apresentadas em uma partida. A leitura tática do indivíduo dentro do jogo é de extrema importância, haja vista de que é mais interessante formar um zagueiro que consiga sair jogando, faça uma ultrapassagem, entre em diagonal, do que se contentar com um outro que somente saiba aplicar o famoso chutão e espera por um domínio miraculoso de seus atacantes ou até mesmo se prepara a uma eventual segunda bola que sobra. Os meias neste estilo de jogo, passam por despercebido em uma partida, isso explica a falta de jogadores como Ricardinho, Deco, Zico, Lampard, Gerard, Riquelme, entre outros no cenário futebolístico, pois não participam da posse de bola da qual o time deve ter.

Mediante a busca de resultados, os atacantes também são vítimas deste jogo, pois hoje em dia os treinadores só se preocupam com atletas da posição que são fortes e altos, para ganharem de cabeça a bola que vem dos zagueiros. O futebol não tem mais a arte que se espera, devido ao imediatismo que cerca as categorias de base, onde reflete nas equipes profissionais.

Quando se fala em atletas inteligentes, deve-se ter um devido cuidado para com os esquemas táticos, pois o atleta deve vivenciar todo tipo de sistema possível na base, para quando chegar à fase de juniores ou profissional, não ter dificuldades para assimilar as propostas feitas pelo futebol moderno, isto é, não se deve ensinar um lateral correr somente na linha, mas sim ensiná-lo a vivenciar entradas em diagonal, ocupar o espaço dos atacantes ou trocar de lado com um outro ala ou lateral.

As equipes de base do Paulínia Futebol Clube, contam com uma filosofia de trabalho voltada ao estímulo dessa inteligência do atleta, projetando jogos de complexidades diversas que façam com que estes pensem, estruturem-se no espaço e dêem o feedback esperado pelo treinador; também a vivência dos esquemas táticos em cada categoria é realizada nos treinos. “O projeto consiste em trabalhar com as competências e habilidades direcionadas a cada idade em específico”, afirma o gerente de futebol do PFC Fábio Ricardo Brusco.

O futebol está se modernizando e as equipes que não se estruturarem dentro e fora de campo, não chegarão à excelência que esta modalidade oferecerá em breve.

Referências Bibliográficas

– GARGANTA, J.; PINTO, J. O ensino do futebol. In: GRAÇA, A., OLIVEIRA, J. (Ed.) O ensino dos jogos desportivos. Porto: Centro de Estudos dos Jogos Desportivos, 1998.

* Anderson Gôngora e Élio Sizenando Filho são membros do Ceaf

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