Imortais vencem disputa épica nos Aflitos

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Desde os tempos da colonização do Brasil, Pernambuco é marcado por grandes batalhas: Invasão Holandesa (1630), Insurreição Pernambucana (1654), a Guerra dos Mascates (1710), Revolução Pernambucana (1817), entre tantas outras que marcaram a história do Estado.

O futebol não poderia deixar de ter sua marca e naquela que ficou conhecida como "A Batalha dos Aflitos", Náutico e Grêmio duelaram em campo, lutando pela vitória até o final da partida, realizada em 26 de novembro de 2005, em jogo válido pelo quadrangular final do Campeonato Brasileiro – Série B.

A partida estava cercada por uma tensão muito grande, de um lado, o Vermelho Capibaribe, que precisava da vitória para voltar à elite do futebol brasileiro (o que não ocorria desde 1994). Já os guerreiros imortais precisavam mais uma vez mostrar sua força, superar o trauma da queda de divisão no ano anterior e segurar o empate para figurar novamente entre os maiores clubes do país.

O palco deste prélio, o estádio Eládio de Barros Carvalho, mais conhecido como Estádio dos Aflitos (devido sua localização, no bairro dos Aflitos, em Pernambuco), a casa do glorioso alvirrubro.

Como retaliação à falta de água no vestiário do Náutico, no Olímpico, no jogo do primeiro turno da fase final, a torcida pernambucana trancou os jogadores do Grêmio dentro do vestiário, o que aumentou ainda mais a pressão pré-jogo. O clima era o de uma verdadeira guerra.

Precisando da vitória, Os Vermelhos foram para cima e tiveram a chance de abrir o placar ainda no primeiro tempo. O árbitro Djalma Beltrami deu um pênalti para os pernambucanos em lance duvidoso, contudo, o lateral Bruno Carvalho, um dos principais jogadores do time nordestino desperdiçou a cobrança, acertando a trave.

Até o final do primeiro tempo, a defesa azul parecia intransponível, sólida, aguentando firme a pressão do Náutico. O time do antigo técnico da seleção brasileira, Mano Menezes, estava determinado em fazer seu elenco segurar o resultado e jogava retrancado, contando com o regulamento.

Durante a segunda etapa, a pressão do Timbu aumentou, tentativas incansáveis até que aos 30 minutos do segundo tempo, recomeça o drama dos sul-rio-grandenses: o lateral esquerdo Escalona, em um lance inexplicável, leva cartão vermelho. Estava iniciado o trauma dos tricolores gaúchos.

Apenas cinco minutos depois, mais uma decisão polêmica do árbitro: após jogada contestada dentro da área gremista, Djalma Beltrami, o juiz paulista até então registrado na Federação Carioca, marcou outro pênalti, ainda mais duvidoso que o primeiro, a favor do Náutico. Era o que bastava para que a confusão ficasse generalizada.

Os jogadores gremistas estavam desolados, afinal sofrer um gol significaria que o clube estaria mais um ano na Série B e a campanha realizada durante todo o ano haveria sido em vão. Após quase meia hora de muito tumulto, a situação ficou ainda pior.

Os imortais tiveram mais três atletas expulsos (Patrício, Domingos e Nunes) durante o reboliço, estavam agora com apenas seis jogadores na linha e ainda dependiam do arqueiro Galatto, que era obrigado a defender a cobrança do lateral esquerdo do Náutico, Ademar.

Foi aí que os deuses do futebol entraram em campo e aplicaram mais uma daquelas peças que só o futebol é capaz de nos proporcionar: o goleiro gremista defende o pênalti com os pés e salva o tricolor gaúcho, que ainda tinha mais dez minutos para permanecer na retranca e garantir o acesso.

Eis que o inconcebível acontece!

Anderson, atleta de apenas 17 anos e maior promessa gremista dos últimos tempos, arranca pela esquerda, faz a tabela e sofre falta. Os atletas alvirrubros se desesperam, pensam no tempo que faltava para a partida ser encerrada e esquecem-se de retomar a posse de bola. O mais novo dos imortais avança, invade a área adversária e sela a batalha, é gol do Grêmio.

Os gremistas estão extasiados, a elite estava garantida, já os pernambucanos, desolados, perderam o rumo, em uma das maiores decepções de sua história. Essa é mais uma daquelas partidas para ficar na história, como um dos maiores feitos do futebol!

Ficha Técnica

Data: 26 de novembro de 2005, sábado
Local: Estádio dos Aflitos, em Recife
Árbitro: Djalma Beltrami – RJ
Cartões vermelhos: Batata (Náutico); Escalona, Nunes, Patrício e Domingos (Grêmio)
Cartões amarelos: Bruno Carvalho, Tozo, Paulo Matos e Miltinho (Náutico); Pereira e Lipatin (Grêmio).
Gol: Anderson, aos 61 minutos do segundo tempo

Náutico
Rodolpho; Bruno Carvalho (Miltinho), Tuca, Batata e Ademar; Cleisson, Tozo (Betinho), David (Romualdo) e Danilo; Kuki e Paulo Matos.
Técnico: Roberto Cavalo.

Grêmio
Galatto; Patrício, Domingos, Pereira e Escalona; Nunes, Sandro Goiano, Marcelo Costa e Marcel (Anderson); Ricardinho (Lucas) e Lipatin (Marcelo Oliveira).
Técnico: Mano Menezes.

Referências bibliográficas:

http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/esportes/brasileirao/noticia/2010/11/personagens-da-batalha-dos-aflitos-refazem-os-71-segundos-de-drama-3121341.html

http://www.leiaja.com/esportes/2012/relembre-o-que-aconteceu-na-batalha-dos-aflitos

http://www.futebolinterior.com.br/clube/santos-sp/25617+Apos_quase_dois_anos,_zagueiro_revive_a_Batalha_dos_Aflitos

http://pt.wikipedia.org/wiki/Campeonato_Brasileiro_de_Futebol_de_2005_-_S%C3%A9rie_B

http://pt.wikipedia.org/wiki/Hist%C3%B3ria_de_Pernambuco

http://pt.wikipedia.org/wiki/Est%C3%A1dio_El%C3%A1dio_de_Barros_Carvalho

http://pt.wikipedia.org/wiki/Clube_N%C3%A1utico_Capibaribe

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